DESAFIO: libertar o filho

18/08/2011

Libertar um filho é o maior desafio de uma mãe. Uma missão que exige fé incondicional , entrega e abandono nas mãos do Mistério. Sinto até ânsia e um friozinho na barriga… Libertar um filho é acreditar que a vida dará generosamente o que for necessário a ele. Acreditar que quando ele sentir frio, o universo se encarregará de aquecê-lo. Quando sentir sede, alguém lhe dará um copo d’água. Quando sentir dor, será consolado com tanto amor e dedicação como se fosse a própria mãe. Libertar um filho é acreditar que, embora você queira ser até mesmo o ar que ele respira, não é. Que ele pode ser feliz e realizado plenamente mesmo que você não esteja lá para ver e compartilhar disso. Libertar um filho, antes de tudo, é também se libertar dos aspectos negativos da maternidade. Dar espaço para encontrar o vazio, para depois preenchê-lo com outros sentidos e agredecer com fervor por ter passado tanto tempo sendo alimentada e abençoada pela nutrição do amor materno. Maternidade é estado de graça. É divindade.
Em algum momento no futuro que se desenha e se concretiza me encontrarei novamente com a Ana Carolina mais íntegra, mais inteira, não mais a fortemente materna. Desse encontro acharei as minhas repostas e me depararei com os meus vazios a serem preenchidos. Sobre o meu filho, restará a esperança e fé de tê-lo instrumentalizado o suficiente para que siga em frente, independentemente da minha existência e interferência, em contato estreito com o Universo. Que ele peça e seja prontamente atendido. AMÉM!

A volta dos mortos-vivos

17/06/2011


Quando assisti o filme “A Volta dos Mortos-Vivos”, em meados da década de 1980, tinha 19 anos e era aficionada, assim como a minha mãe, por películas de terror. Fiquei impressionada. Afinal, o roteiro era bizarro, completamente absurdo, contando a história de uma cidade que, graças a um vazamento de uma substância estranha, vê seus antepassados literalmente saindo das tumbas dos cemitérios para o terror geral dos moradores – especialmente de um grupinho de jovens que uma escola local da qual fazia parte até uma punk de cabelo vermelho, que adorava andar pelada (que por coincidência se chama “Trash”). Os zumbis tinham até “grito de guerra”, saindo pelas ruas enlouquecidos e gritando “MIOLOS!!!!!! MIOLOS!!!!!”. Isso porque eles precisavam se alimentar de cérebros humanos.
O motivo disso? Bem, daí é preciso assistir ao filme pra saber. Ou nem tanto…
Não é que estava parada no semáforo aqui na Vila Industrial, a caminho de buscar o Davi na escolinha, e praticamente revivi cenas do filme em plena luz do dia? Um “morto-vivo” viciado em crack ou oxi (vai saber…) batia desesperadamente nos vidros dos carros e, ao invés de gritar “miolos!”, gritava “dinheiro!”, o que obviamente seria usado para comprar mais droga.
A lembrança forte do filme me surgiu quando ele chegou próximo ao meu vidro (que estava fechado… ai, que medo…) e pude olhar bem para o seu rosto. Descalço e com pouca roupa para aquele frio, parecia não sentir nada. Estava completamente anestesiado. Não havia qualquer traço de vida ou de humanidade. Olhos parados e mortos, iguais aos dos peixes. Ele não me via. Olhava algo além. Ficou parado, juro, igualzinho aos zumbis do filme, gritando “Dinheiro! Dinheiro!”. Sinceramente, me deu até desespero.
Essa horda de viciados em crack e oxi cresce em velocidade surpreendente. E eles ficam como os mortos-vivos: não têm alma, sentimentos, capacidade de raciocínio, quaisquer parâmetros que os torne ou os defina como humanos. Se movem como cadáveres apodrecidos em busca do “alívio para a existência” por meio das drogas. Não é só deprimente, é apavorante, como em um filme de terror. Para eles, que claro, também são vítimas, qualquer violência é justificável para se conseguir o que se precisa. São este mortos-vivos que hoje matam indiscriminadamente, com alto nível de banalização. Nada escapa: mãe, pai, filho, mulher, nenhum amor sobra, nenhum vínculo sobrevive, nenhuma recordação ou lembrança co-existe com as drogas, aliás, nada co-existe com as drogas.
No final do filme, o governo norte-americano, impotente diante da situação de descontrole na cidade povoada pelos zumbis, decide pela saída mais fácil: dizimar tudo com uma megabomba. Assim também eu me sinto diante do insustentável domínio das drogas na sociedade: impotente. Não sei quando estarei frente a frente de novo com um morto-vivo, e menos ainda qual será o resultado desse encontro. Me pergunto em quê momento a sociedade e seus governantes se darão conta da gravidade deste filme de terror e quais decisões serão tomadas…Quando tinha 19 anos, acreditava que o filme era apenas ficção. Hoje, sei que ficções muitas vezes são janelas do futuro.

Aplausos silenciosos…

26/05/2011

Acordar hoje e fazer exatamente as mesmas tarefas de todo o dia não poderia ter tornado meu aniversário mais especial. Acordei com uma agradável sensação de realização e plenitude. Sabe aquele vídeo que anda rodando por aí, de uma moça que pega uma garrafa pet no chão e joga no lixo e todos se levantam para bater palmas para ela e ela fica olhando surpresa, como quem diz: “palmas por fazer alguma coisa por prazer e não por dever?”? Pois é, me senti o dia inteiro como essa moça. Como se o mundo se levantasse e batesse palmas pra mim também. Aos 43 anos acredito que fiz alguma coisa da minha vida. Acredito que fiz do outro alguma coisa na minha vida. Sinto que fiz e faço a diferença neste mundo todos os dias. Uma boa sensação de quem acredita na construção e na trajetória que fez até agora. E é claro, tem Davi. O maior presente que o universo poderia ter me dado. Se não bastasse tudo isso, recebi muitos abraços gostosos e votos de todo o tipo dos meus amados: amigos e família. A todos e a tudo: MUITO OBRIGADA!

A segregação dos “trouxas”

13/05/2011

Os “trouxas” (ou muggles, na tradução inglesa), conceito usado na série de livros de ficção Harry Potter, são personagens que não possuem poderes mágicos, não são bruxos e nem magos. São apenas pessoas comuns. A autora afirmou que sua intenção foi usar a palavra “trouxa” na conotação de fool, gíria usada por minorias para se referir a pessoas de fora. Aqui no nosso mundinho real também temos os “trouxas”, tribo da qual sou integrante. Nasci de família de trouxas, vivo como trouxa e crio meu filho como um futuro trouxa.
Só que aqui, no nosso mundinho, trouxa é todo aquele que acredita e vivencia a ética, a lei e leva em conta o direito do outro, muitas vezes, acima mesmo dos seus próprios direitos e interesses. Na adolescência, cheguei a ter raiva de ser trouxa. Acabava sendo deixada de lado, rotulada como “certinha”, “ajuizada demais”, “chata” e claro “trouxa”. O problema é que não conseguia ser “esperta” como outros jovens com quais convivia. Não sabia dar um jeitinho… Só de pensar em fazer alguma coisa fora dos meus parâmetros de valores, tinha dor de barriga e ficava com a mão gelada e suada.
Uma vez, por volta dos 12 anos, fui com colegas de classe ao supermercado e as meninas resolveram “pegar” uns batons sem pagar. Quando ouvi isso fiquei paralisada e logo fui dizendo que de jeito nenhum faria isso. Elas nem ligara, me chamaram de “covarde” e saíram do local com os batons escondidos dos bolsos. Eu fiquei morta de vergonha por elas e me distanciei. É claro que depois disso a amizade não foi a mesma.
É como andar com a “turminha da maconha” sem gostar de fumar maconha. No começo é divertido. Gente diferente, assuntos diferentes… Só que com o passar do tempo, você percebe que é um “peixe fora do aquário”. Não há um compartilhar, uma vez que não existe afinidades. Os assuntos começam a se repetir. Lembro que comecei a achar aquele povo muito chato e sem sentido. Fumavam e ficavam “viajandão”, falando coisas desconexas, rindo à toa. E eu ali, totalmente lúcida, escutando aquele monte de “m****”. Depois de um tempo, saí fora. Fui procurar uma tribo mais parecida comigo.
Lembro que fiquei horrorizada em ver as minhas “amigas|” roubando os batons… Na minha cabeça, vinha a frase que meu pai repetia para nós constantemente: “quem rouba um grampo rouba um milhão. Nos dois casos, o autor é ladrão.” Só de pensar que eu poderia ser pega fazendo uma coisa assim ficava com taquicardia e a certeza de que infartaria e morreria. E se isso de fato não acontecesse, meu pai trataria de me mandar para o “outro mundo” apenas com o olhar. Sou do tempo em que pai fulminava filho só com o olhar.
Até chegar aos quarenta anos, fui trouxa respondendo antes de tudo à essa voz interna do Pai, do censurador interno que todos nós construímos na nossa psiquê, com base nos exemplos de mestres, professores, pais e vínculos afetivos importantes. Mas, com a maturidade, percebi que sou mesmo “trouxa” por que quero e acredito nisso. Mesmo entendendo que muitas vezes “perco” sendo “trouxa”, me encontro em um seleto grupo que sabe realmente o valor, peso e a representatividade das palavras ética e dignidade na vida.
Não tenho varinha de condão, nem pó do pirlimpimpim. Quando preciso ir ao banco, entro na fila e espero. Quando não há vaga no estacionamento, ou desisto, ou pago uma particular ou vou à pé. Quando tenho meu cartão de banco clonado, fico horas ao telefone e faço via crucis nas agências bancárias até conseguir resolver o problema.Quando bato levemente o carro, deixo um cartão com o meu telefone para reparar o prejuízo, mesmo quando tantos lascaram meu carro inteiro e nunca se identificaram… O que fazer, eu sou mesmo uma “trouxa”…

Ares de renovação

20/04/2011

Nunca uma Páscoa ganhou tantos contornos de renascimento e renovação pra mim quanto a deste ano. Passado o feriado, inicio no jornal em outra funçãoe novo horário. Depois de trabalhar onze anos das 13h00 às 21h00, passo agora a atuar das 9h00 às 17h00, em princípio. Na prática, deixo a ponta do fechamento e finalização do jornal para ajudar no início de tudo, na reportagem. Estou animada com a nova perspectiva e os desafios que irão se apresentar. Animação e ansiedade próprias de quem deixa o que estava “acomodado” e se vê entrando em algo “desconhecido”.
Estou muito feliz com as mudanças, não só no aspecto profissional, como também no pessoal. Meu filho agora integra o time de crianças que passam período integral na escolinha. E, acredite, estou agradecida por isso. Antes, a rotina dele se dividia entre a mamão, pela manhã, e a escolinha e a babá no período da tarde. Agora que irá completar três anos, percebo que é mais seguro e indicado que fique na escola quando não estiver comigo. Nessa fase, exemplos e atitudes nas relações afetivas são incorporados e se faz necessária uma triagem mais ajustada de onde virão esse exemplos. Embora a agora ex-babá do meu filho o ame profundamente, assim como ele a ela, a verdade é que ela não conta com conceitos básicos de ética e valores morais. Para ela, jogar lixo na rua é uma “normalidade”. Entrar no ônibus e dar o “golpe” para não pagar a passagem faz parte de vida e outras questões que prefiro não citar por respeito ao fato de ela ter cuidado “da maneira que conhece” do meu filho para que eu pudesse trabalhar. Novos ares agora sopram… Estou confiante…
Deixo aqui um poema que meu amigo José Carlos me enviou recentemente. O autor é o indiano Rabindranah Tagore:

“É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.”

Todo cambia…

31/03/2011

Se hoje eu saísse para uma entrevista seletiva profissional e me deparasse com a clássica pergunta: “Qual é o seu maior defeito, ou sua maior dificuldade?”, não hesitaria: “Sou refratária a mudanças. Não tenho dificuldades em me adaptar a qualquer mudança, mas quando ela me é proposta, a primeira reação é absolutamente negativa, com um misto de pânico e má vontade. Na medida em que vejo não haver outra saída e que essa mudança é inadiável, forçosamente busco recursos internos e de fato me adapto, geralmente admitindo, passado algum tempo, que essas mudanças me foram altamente positivas e benéficas.”
Dito isso, rememorei recentemente uma caminhada por uma trilha de dificuldade grau 3, que levou mais de 3 horas e meia para ser completada em Extrema (MG), na qual levei diversos tombos na descida, por conta dos meus tornozelos inchados. A cada queda, xingamentos, reclamações e muita, mas muita irritação. Foi quando o guia se virou pra mim e disse: “É assim que você costuma se levantar das suas quedas?” Já contei essa história em um dos meus blogues. Fiquei com a cara no chão. Com vergonha da minha reação diante de uma coisa natural e, muitas vezes, absolutamente necessária como a queda.
Volto de novo aos dias de hoje. A vida vem e avisa. Depois, cutuca. Ah! Não tá ouvindo, não tá entendendo? Porrada!!!
Então, tempos sabáticos me “bateram” por mudanças.
Muita gente pode achar que estou exagerando no que diz respeito a sincronicidade, mas tudo começou quando resolvi fazer aulas de pilates.
Meu órgão de choque emocional sempre foi a coluna vertebral. Com 7 anos já era corrigida pelas professoras de educação física pela postura de quem “carrega o mundo nas costas”. Claro que com o tempo, apesar de sempre ter feito atividades relacionadas à dança, fiquei com alterações ósseas que hoje são “incorrigíveis” e um encurtamento peitoral que luto ferozmente para reduzir. Esse “abrir o peito” me é absolutamente fundamental. Significa me abrir para o outro, me abrir diante das minhas dificuldades e fragilidades, significa acreditar que verdadeiramente não estou sozinha e que o universo responderá a minha fé “cega”. Acreditar que também sou digna de amor incondicional.
As primeiras aulas, além de muita dor, me trouxeram também mudanças de vida “estruturais”. Fui “convidada” a rever minhas bases. Mexi em “músculos” e “nervos” enrijecidos pelo tempo, hábitos, conveniências e costumes.
No auge da crise, quando tudo parecia desmoronar, tomei uma decisão: tirei uma folga do trabalho e resolvi fazer uma faxina completa no meu apartamento. Comecei às 8 da manhã e terminei por volta deste horário mesmo à noite. Lavei batentes de portas, janelas e até as paredes. Deixei tudo limpo e organizado. No apartamento e dentro de mim também é claro. Me organizei e o impulso de renovação me veio naturalmente. Também busquei forças nas minhas experiências biodanceiras e convidei Mercedes Sosa para dançar. Esperei Davi dormir e coloquei a música “Todo cambia”. Dancei de pés no chão, como os indígenas do Peru (tive o privilégio de ir até lá há alguns anos), buscando equilibrar as energias entre os pulos que dava: mais suavidade e firmeza para pisar o chão e mais encantamento enquanto conquistava o ar.
A vizinha deve ter pensado que estava doida. O fato é que reverti a energia e me permiti abrir espaço para o novo. De repente, o universo começou a me dar verdadeiros “presentes”, me forma de “sonhos-respostas”…
Me lembro daquele ditado que diz: colherás o que semear. Então… resolvi aceitar com agradecimento os retornos que estou tendo.

Carruagem do Sol

15/03/2011

Mais uma importante contribuição do meu querido amigo biodanceiro Toninho. Acho importante prestar atenção nessa mensagem que reproduzo na íntegra:

“Oi queridos,

como alguns ja devem estar percebendo, estamos vivendo um processo de intensificação de mudanças nestes ultimos dias, desde antes do Carnaval, mais precisamente desde os dias 3 e 4 de março, quando se formou no céu um aspecto extremamente raro, chamado “STELLIUN” ou “CARRUAGEM do SOL” – que se dá quando três planetas se encontram em conjunção. Neste caso, o que estamos vivendo é um Stelliun com seis planetas (Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter e Urano) – passando de Peixes para Áries. Esta configuração aqueceu um pouco mais desde o último domingo, quando Urano (o regente da Nova Era ) entrou em Áries (onde ficará por sete anos, na regência de toda a transformação planetária), e vai ate os dias 21 e 22 de abril, quando Vênus também entra em Áries, e Plutão faz conjunção com a Lua, aumentando um pouco mais a intensidade desse “cortejo celestial”…

Resumindo:
Mudança GERAL, coletiva, de sistemas, paradigmas, conceitos, estruturas politicas, emocionais, psíquicas, físicas, financeiras, podendo ocorrer catástrofes (infelizmente como a que estamos vendo no Japão ). É importante não resistir, deixar ir o que tem que ir, trans-formar, re-formar, no prazer do NOVO, e amar e amar…

Por outro lado…
Essa rara conjuntura é um grande Portal para um salto quântico, de compaixão, solidariedade, amor incondicional, transformação e cura de vícios, manias, misérias, hábitos, uma intensa onda de energia que expande a consciência coletiva, dons, faculdades sensitivas, inspiração, manifestações artísticas em todos os níveis. Se conectarmos no positivo é O MOMENTO de uma grande virada.

Por isso…
Muita CALMA nessa hora, HUMILDADE, PACIÊNCIA, CARINHO, AMIZADE, e, acima de tudo, por tudo e por todos, PAZ, AMOR E ALEGRIA.. “respirando e vivendo”, e – considerando que a Alegria é a nossa companhia, o Amor é a nossa proteção, e a carruagem é a do Sol – é um raro e afortunado momento de CURA, e pode ser tambem um raro e afortunado momento de SORTE…vamos juntos !!!!

AMO VOCÊS!

Leona
Porta do Sol
Rio de Janeiro”

Tempos sabáticos

11/03/2011

Ainda fico impressionada em ver meus desejos serem atendidos tão prontamente pelo universo, por caminhos que sequer ousei imaginar. Então, qual foi mesmo o meu desejo na virada do ano? Simplificação. Uma vida mais simples. Reduzir a marcha das cobranças e obrigações impostas internamente em resposta ao externo, e me permitir chegar a um limite quase “vegetativo”. O objetivo esse ano é viver intensamente o presente, as possibilidades do aqui agora. Esse foi o meu desejo.
Então, o universo, generoso e divino, me ouviu e fez o convite. Daí que entrei em uma barca que me forçou a suspender meus inúmeros planos e me pôs em compasso de espera. Aqui estou eu, em pausa. Simplesmente vegetando. Esperando… não sei ainda o quê. Apenas me permitindo viver um dia de cada vez, uma hora de cada vez, um minuto de cada vez.
A palava sabático me veio forte e constante. Pesquisei no Google e cheguei a uma definição próxima do que estou vivenciando:
“Tempos sabáticos, retiros espirituais ou a inserção da meditação no meio de um dia. O termo é derivado de ‘sabá’, o qual vem do hebraico shabbath, que no Gênesis refere-se ao descanso do sétimo dia, após os seis dias de trabalho na criação do mundo. A palavra assemelha-se ao verbo shavat, que significa “cessar”. O ano sabático, grosso modo, seria um período em que a pessoa pensa na vida. Desprogramar, descondicionar, deixar de vez velhos preconceitos, hábitos, crenças é o caminho normalmente perseguido pelos sabatizados.”Portanto, não posso assumir nesse momento qualquer tipo de compromisso além daqueles que são inerentes à minha sobrevivência e à do meu filho.
Não sei dizer quando vou visitar minhas irmãs e mãe. Não sei dizer em quais festas, comemorações, almoços, aniversários, ou visitas irei. Não sei quando e se vou cortar o cabelo ou pintá-lo. Apenas não sei e não quero saber.
No ano passado, perto desse mesmo período do ano , meu carro foi roubado e passei três meses sem motorização. Hoje, lembro com saudades desse período. Me sentia tão feliz e plena… Simplesmente porque sem carro me desobriguei de inúmeras coisas e passei a curtir apenas o que estava perto e fácil. Curtia ir ao jornal a pé e voltar à noite, olhando o movimento das pessoas na rua, cuidando, dentro do possível, da minha segurança… sentindo a brisa e o calor próprios da época…
Os programas com Davi ficaram mais simples e mais coloridos. Um passeio para tomar um sorvete era tudo de bom. Nadar na piscina do prédio, que por vezes nem lembro que existe, ou ir às festas da Igreja São José, que fica ao lado de casa… Enfim, um período em que me senti mais viva do que no restante do ano.
Acho que essa experiência no ano passando, uma espécie de preâmbulo, agora se reverteu em um novo convite. Embora meu carro não tenha sido roubado, fui novamente convidada a “tempos sabáticos”. Simplesmente parei. Não consigo nem escrever para o blog. E, somente o farei quando for uma necessidade de alma. Sem compromisso, sem exigências, sem obrigação… Tempos sabáticos pra mim… Eu mereço…
Rosarinho, vida simples… Aguardo seu convite para o bolo de fubá com café…
Deixo para vocês esse verdadeiro tesouro escrito por Oriah Mountain Dreamer. Amo muito esse texto…

O CONVITE

“Não me interessa o que você faz para viver. Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.

Não me interessa quantos anos você tem. Quero saber se você se arriscaria a aparentar que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa quais os planetas que estão em quadratura com a sua lua. Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.

Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la. Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira. Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro com você mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser leal, e portanto, confiável.

Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não seja bonito todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida da presença de Deus. Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim!

Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito para as crianças.

Não me interessa quem você é, como chegou até aqui. Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.

Não me interessa onde ou o que ou com quem você estudou. Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa. Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que consegue nos momentos vazios .

Só o amor permite

15/02/2011

Nunca vou me esquecer o dia em que sentei na frente do meu ginecologista, chorando (literalmente) as pitangas de que meu casamento ia mal (estava muito depressiva nessa época) e quase não havia contato íntimo com o meu ex-marido, acreditando que ele iria se solidarizar com a minha situação. Então, calmamente, ele vira e sai com essa: “Só vejo duas alternativas diante do que você me contou: ou ele mudou de time ou ele tem uma amante. A questão é: o que você vai fazer sobre isso? Por que não de separa?”.
Fiquei embasbacada… parei de chorar na hora e comecei a gaguejar: “Ah! Eu não tenho dinheiro para me separar agora… como é que eu vou fazer… com quem eu vou contar..” e por aí foi o meu rosário de desculpas. “Meu bem”, retrucou ele, “Eu conheço mulheres em condições muito piores do que a sua, inclusive com filhos, que saíram com muita dignidade da relação com uma mão na frente e outra atrás e reconstruíram suas vidas. Filha, vai ser feliz”.
Cara, eu não fazia terapia ainda nesse período. Mas naquele momento, ouvindo aquelas palavras ditas de maneira direta e dura, comecei o meu processo interno de separação. Muito obrigada Dr. Deodatto!
Por outra feita, depois de dançar igual a uma pomba-gira de terreiro de umbanda em uma boate, me expondo das maneiras mais tolas que se pode imaginar, ouvi da minha amiga no dia seguinte durante o almoço (que ela marcou para conversar comigo): “Vendo você ontem, fiquei realmente preocupada com você. O que foi aquilo? Você não precisa disso. Que tipo de homem você espera atrair agindo daquela maneira?”.
Olhei para ela impassível, por fora. Por dentro, queria pular por cima da mesa, jogá-la no chão e bater nela até ela desmaiar (força de expressão apenas). Pra mim, aquele comentário foi o mesmo que pegar uma faca e enfiar no meu coração machucado. De verdade, eu ia mesmo nas baladas e tentava atrair a todo custo e usando qualquer estratégia o sexo masculino. A questão era, depois de atraído, ferir esse homem até a morte. Estava com raiva mesmo do masculino, só que não era consciente. Após aquele almoço, levei a questão para a terapia pela primeira vez, depois de mais de um ano de processo analítico, e, graças a Deus, entendi o ponto e passei a gerenciar melhor as coisas.
Outra situação que lembro com clareza foi em uma época que bebia até cair. Saía, enchia a cara, e voltava para casa no “automático”. Não sei quantos blecautes tive, daqueles em que a gente não lembra nada do que fez no dia anterior.
Achava “lindo” contar as situações de risco que passava para a terapeuta, achando que isso provaria como estava “sofrendo”. Um dia, depois de ouvir passivamente meu relato, ela disse na maior calma do mundo: “Presta bastante atenção no que vou dizer. Outra vez que você entrar aqui, querendo me contar sobre as situações de destruição que você se impõe, pode pegar a sua bolsinha, ir para casa e não voltar nunca mais. Eu não vou amar você e ficar esperando que um dia alguém venha me contar que você sofreu um acidente de carro de tanto beber. Escutou? Não quero mais saber dessas histórias. Já amo você e não quero que você se destrua desse jeito. Vamos superar isso juntas.” Precisa dizer mais alguma coisa? Parei com isso…
Bom, a essas pessoas que citei acima e tantas outras que passaram pela minha trajetória, o maior sentimento de gratidão. Me amavam tanto que foram além daquela nossa atitude de defesa de “passar a mão na cabeça” e me disseram diretamente o que precisava ouvir para acordar e refletir. Na hora, doeu. Mas depois, o que é dito por amor acaba deixando sementes e muitas brotam e dão frutos.
Os poderosos vínculos de amor não podem se deter diante das coisas que precisam ser ditas. Precisamos ir além da posição confortável de “sermos tão legasi!!!” e passar a mão na cabeça do outro, por medo que ele também não se ache no direito de nos dizer algumas “verdades” que também precisamos ouvir, ainda mais quando estamos visivelmente enganados.
Vínculo amoroso, intimidade, amizade é isso. Ir além. É dizer com carinho, assumir com afeto, uma posição diante de situações que envolvem pessoas que amamos. Essa pessoas que citei acima, poderiam ter endossado o meu pior. Mas me amavam o suficiente para por em risco a nossa relação e me obrigar a enxergar um novo ponto de vista. Ensinamentos profundo que jamais serão esquecidos.
A vocês meus queridos, NAMAS TE (pronuncia-se namastê). Composta por duas palavras sânscritas: namas (reverência, saudação) e te, você. Em síntese é saúdo a você, de coração, ao que deve ser retribuído com o mesmo cumprimento.

A sabedoria do bobo

03/02/2011

Ser considerado e tachado como bobo é uma benção. Esse vídeo é uma contribuição, se não me engano, da minha amiga biodanceira Candida. Vale a pena perder alguns minutos escutando a maravilhosa voz da atriz Aracy Balabanian. Aproveitem…leva a gente a pensar de maneira diferente…


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