Quando as perdas se tornam insuportáveis

25/03/2017

vendedor de sonhos

Um dia desses, me lembrei de padre católico Marcelo, quando, pele e osso, deu uma entrevista da televisão, na qual ‘confessava’ que achava que depressão era coisa de gente sem fé, ‘frescura’, e defendia que quem sentia compaixão e ajudava ao outro não tinha tempo para ficar deprimido. Bem, isso até ele mesmo ser acometido pela doença…

Eu também já subestimei o ‘mal do século’. Acreditava que o agravamento da depressão era o resultado da falta de força de vontade do paciente em buscar ajuda. Diferentemente do que muitos pensam, a doença atinge várias áreas químicas do cérebro, como os neurotransmissores. Dois elementos identificam esse mal: uma tristeza patológica, que não tem fim, e a absoluta incapacidade de sentir prazer.

Como aprendi sobre isso? Da pior maneira: sentindo na pele – da mesma forma que o padre Marcelo.  Graças a Deus não durou mais do que três meses com a ajuda de medicamentos, exercícios físicos e, principalmente, o acolhimento da família e dos amigos. Mas o que quero mesmo apontar é que a dor existencial é tamanha quando somos acometidos pela doença, em sua face mais grave, que os atos de respirar e abrir os olhos pela manhã se tornam absolutamente insuportáveis.

O tema é extenso, e só mesmo quem esteve nesse limiar sabe exatamente sobre o que estou falando.  Hoje, na biblioteca do Sesc-Campinas, resolvi pegar um livro de Augusto Cury, com o título “Nunca desista dos seus sonhos”, que teve também um filme em cartaz recentemente no cinema nacional: “O vendedor de sonhos”. Deparei-me com palavras que me tocaram por descrever o resultado de quem ‘se perde’ e ‘perde seus sonhos’:

“Sem sonhos, as perdas se tornam insuportáveis. As pedras do caminho se tornam montanhas. Os fracassos se transformam em golpes fatais. Mas, se você tiver grandes sonhos… seus desafios produzirão oportunidades e seus medos, coragem. Nunca desista de seus sonhos”.

O mar, a onda e a marola…

25/03/2017

mar profundo

 

Eu sou o mar,

Mas me comporto com uma onda

quando não me coloco no lugar do outro,

quando finjo não enxergar a mim mesma sendo refletida em alguém

que espelha, sem saber, dores imemoriais, próprias da humanidade..

Eu sou o mar, mas me comporto como uma onda

quando me precipito sobre os meus sentimentos,

quando ignoro o grito do meu Self, da minha alma

que pede acolhimento, compreensão e amor.

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando me calo frente às injustiças

quando escolho me omitir para evitar conflitos

quando me esborracho na terra firme, por não ter a humildade de reconhecer que preciso de ajuda

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando uso situações e pessoas como desculpas para não fazer o que preciso

quando reluto em aceitar os meus limites,

Quando super avalio até onde posso ir,

Quando me deixo adoecer por querer ser autossuficiente

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando permito que o outro me desqualifique,

quando não busco os desafios, com medo de não ser suficiente

quando deixo que a ‘perfeição’ me escravize sem ter, em nenhum momento,

a possibilidade de entrar no oásis da compaixão

Eu sou o mar, mas me comporto como uma onda

quando esqueço que sou una e integrada ao universo,

quando busco a divindade e o sagrado fora de mim,

quando deixo de agradecer por estar viva todos os dias.

Mas eu sou o mar.

Profundo, misterioso, inesgotável.

Basta apenas que eu tenha coragem para mergulhar nas minhas águas

e de lá trazer todas as riquezas e diversidades que me tornam uma pessoa única em bilhões

Não quero ser onda e nem marola toda uma vida…

Busco assumir a minha extensão, mesmo entendendo que,

assim como não sei quase nada sobre o mar,

também não sei o suficiente sobre todo o meu potencial.

E me surpreendo comigo mesma a cada subida para puxar o ar,

para então novamente buscar as minhas profundezas.

Sou o mar quando me deixo levar pelas águas,ora tranquilas, ora violentas, entendendo que tudo faz parte desta trajetória divina e sagrada chamada VIDA.

O medo do dique romper paralisa a vida

28/03/2017

dique

“Tenho medo de ir olhar o que me aconteceu no passado e com isso romper o dique que contém o sofrimento de toda uma vida. Tenho medo de começar a chorar e de nunca mais parar. Acabar literalmente afogada em minha próprias lágrimas e dor.” Foram com essas palavras que minha mãe um dia justificou o fato de nunca ter procurado uma terapia quando volta e meia entrava em mais um processo de depressão.

Quem pode julgá-la? Ninguém. Vítima de vários tipos de abusos na infância e adolescência, minha mãe sofreu a vida inteira de Transtorno Depressivo Maior grave. Criou seis filhos, cinco meninas e um menino, que foi adotado com 2,5 anos, a ‘rapa do tacho’. Uma guerreira que lutou pela própria vida por amor aos seus filhos e marido. Pra mim, uma verdadeira heroína.

Me lembro de em alguns momentos ter sentido também essa espécie de ‘medo de romper o dique da dor’, acreditando que ela iria me devorar. Mas eu fiz terapia, por uma década, e fui percebendo que quando você encara o ‘dragão’, percebe rapidamente que é apenas uma ‘lagartixa’.

Sei agora que o medo, esse sim é o grande vilão. É ele que nos paralisa na ‘fantasia’ de que não poderemos suportar tanto sofrimento. Realmente, não podemos, devemos, se queremos ter uma vida minimamente ética e ‘rica’ de aprendizados, emoções, experiências, com trocas de amor nutritivo.

Somente pode desfrutar do prazer de andar na ‘montanha-russa da vida’, chegando no ponto mais alto enquanto ela sobe e nos deixa ser ar de tanta expectativa e alegria, quem tem o ‘culhão’ de saber que terá que enfrentar também o frio na barriga, e às vezes até a ânsia, durante a descida veloz e implacável. É possível levar uma vidinha ‘controlada’ (dentro das possibilidades, é claro) e estável? Lógico que sim. Porém, eu pergunto: qual é mesmo a graça disso? Alguém logo responderá correndo: “Ah! A graça é que nunca mais sentiremos medo!”. É mesmo?

Quem tem um potencial de vida plena e erótico (termo aqui usado no sentido de prazer e energia criativa inesgotáveis para tudo) e ‘escolhe’ construir um dique, com medo de ficar submerso na transcendente vitalidade – que pode sim nos levar a um outro patamar de autoconhecimento e evolução -, acaba cavando uma depressão maior. E se convence que ela é muito mais segura do que a ‘dor’ de enfrentarmos os nossos próprios dragões.

Só posso dizer: são escolhas. Tive momentos em que escolhi a depressão maior. Mas fico feliz perceber em constatar que, no frigir dos ovos, escolhi, mesmo que inconscientemente, andar na montanha-russa.

 

 

DESAFIO: libertar o filho

18/08/2011

Libertar um filho é o maior desafio de uma mãe. Uma missão que exige fé incondicional , entrega e abandono nas mãos do Mistério. Sinto até ânsia e um friozinho na barriga… Libertar um filho é acreditar que a vida dará generosamente o que for necessário a ele. Acreditar que quando ele sentir frio, o universo se encarregará de aquecê-lo. Quando sentir sede, alguém lhe dará um copo d’água. Quando sentir dor, será consolado com tanto amor e dedicação como se fosse a própria mãe. Libertar um filho é acreditar que, embora você queira ser até mesmo o ar que ele respira, não é. Que ele pode ser feliz e realizado plenamente mesmo que você não esteja lá para ver e compartilhar disso. Libertar um filho, antes de tudo, é também se libertar dos aspectos negativos da maternidade. Dar espaço para encontrar o vazio, para depois preenchê-lo com outros sentidos e agredecer com fervor por ter passado tanto tempo sendo alimentada e abençoada pela nutrição do amor materno. Maternidade é estado de graça. É divindade.
Em algum momento no futuro que se desenha e se concretiza me encontrarei novamente com a Ana Carolina mais íntegra, mais inteira, não mais a fortemente materna. Desse encontro acharei as minhas repostas e me depararei com os meus vazios a serem preenchidos. Sobre o meu filho, restará a esperança e fé de tê-lo instrumentalizado o suficiente para que siga em frente, independentemente da minha existência e interferência, em contato estreito com o Universo. Que ele peça e seja prontamente atendido. AMÉM!

A volta dos mortos-vivos

17/06/2011


Quando assisti o filme “A Volta dos Mortos-Vivos”, em meados da década de 1980, tinha 19 anos e era aficionada, assim como a minha mãe, por películas de terror. Fiquei impressionada. Afinal, o roteiro era bizarro, completamente absurdo, contando a história de uma cidade que, graças a um vazamento de uma substância estranha, vê seus antepassados literalmente saindo das tumbas dos cemitérios para o terror geral dos moradores – especialmente de um grupinho de jovens que uma escola local da qual fazia parte até uma punk de cabelo vermelho, que adorava andar pelada (que por coincidência se chama “Trash”). Os zumbis tinham até “grito de guerra”, saindo pelas ruas enlouquecidos e gritando “MIOLOS!!!!!! MIOLOS!!!!!”. Isso porque eles precisavam se alimentar de cérebros humanos.
O motivo disso? Bem, daí é preciso assistir ao filme pra saber. Ou nem tanto…
Não é que estava parada no semáforo aqui na Vila Industrial, a caminho de buscar o Davi na escolinha, e praticamente revivi cenas do filme em plena luz do dia? Um “morto-vivo” viciado em crack ou oxi (vai saber…) batia desesperadamente nos vidros dos carros e, ao invés de gritar “miolos!”, gritava “dinheiro!”, o que obviamente seria usado para comprar mais droga.
A lembrança forte do filme me surgiu quando ele chegou próximo ao meu vidro (que estava fechado… ai, que medo…) e pude olhar bem para o seu rosto. Descalço e com pouca roupa para aquele frio, parecia não sentir nada. Estava completamente anestesiado. Não havia qualquer traço de vida ou de humanidade. Olhos parados e mortos, iguais aos dos peixes. Ele não me via. Olhava algo além. Ficou parado, juro, igualzinho aos zumbis do filme, gritando “Dinheiro! Dinheiro!”. Sinceramente, me deu até desespero.
Essa horda de viciados em crack e oxi cresce em velocidade surpreendente. E eles ficam como os mortos-vivos: não têm alma, sentimentos, capacidade de raciocínio, quaisquer parâmetros que os torne ou os defina como humanos. Se movem como cadáveres apodrecidos em busca do “alívio para a existência” por meio das drogas. Não é só deprimente, é apavorante, como em um filme de terror. Para eles, que claro, também são vítimas, qualquer violência é justificável para se conseguir o que se precisa. São este mortos-vivos que hoje matam indiscriminadamente, com alto nível de banalização. Nada escapa: mãe, pai, filho, mulher, nenhum amor sobra, nenhum vínculo sobrevive, nenhuma recordação ou lembrança co-existe com as drogas, aliás, nada co-existe com as drogas.
No final do filme, o governo norte-americano, impotente diante da situação de descontrole na cidade povoada pelos zumbis, decide pela saída mais fácil: dizimar tudo com uma megabomba. Assim também eu me sinto diante do insustentável domínio das drogas na sociedade: impotente. Não sei quando estarei frente a frente de novo com um morto-vivo, e menos ainda qual será o resultado desse encontro. Me pergunto em quê momento a sociedade e seus governantes se darão conta da gravidade deste filme de terror e quais decisões serão tomadas…Quando tinha 19 anos, acreditava que o filme era apenas ficção. Hoje, sei que ficções muitas vezes são janelas do futuro.

Aplausos silenciosos…

26/05/2011

Acordar hoje e fazer exatamente as mesmas tarefas de todo o dia não poderia ter tornado meu aniversário mais especial. Acordei com uma agradável sensação de realização e plenitude. Sabe aquele vídeo que anda rodando por aí, de uma moça que pega uma garrafa pet no chão e joga no lixo e todos se levantam para bater palmas para ela e ela fica olhando surpresa, como quem diz: “palmas por fazer alguma coisa por prazer e não por dever?”? Pois é, me senti o dia inteiro como essa moça. Como se o mundo se levantasse e batesse palmas pra mim também. Aos 43 anos acredito que fiz alguma coisa da minha vida. Acredito que fiz do outro alguma coisa na minha vida. Sinto que fiz e faço a diferença neste mundo todos os dias. Uma boa sensação de quem acredita na construção e na trajetória que fez até agora. E é claro, tem Davi. O maior presente que o universo poderia ter me dado. Se não bastasse tudo isso, recebi muitos abraços gostosos e votos de todo o tipo dos meus amados: amigos e família. A todos e a tudo: MUITO OBRIGADA!

A segregação dos “trouxas”

13/05/2011

Os “trouxas” (ou muggles, na tradução inglesa), conceito usado na série de livros de ficção Harry Potter, são personagens que não possuem poderes mágicos, não são bruxos e nem magos. São apenas pessoas comuns. A autora afirmou que sua intenção foi usar a palavra “trouxa” na conotação de fool, gíria usada por minorias para se referir a pessoas de fora. Aqui no nosso mundinho real também temos os “trouxas”, tribo da qual sou integrante. Nasci de família de trouxas, vivo como trouxa e crio meu filho como um futuro trouxa.
Só que aqui, no nosso mundinho, trouxa é todo aquele que acredita e vivencia a ética, a lei e leva em conta o direito do outro, muitas vezes, acima mesmo dos seus próprios direitos e interesses. Na adolescência, cheguei a ter raiva de ser trouxa. Acabava sendo deixada de lado, rotulada como “certinha”, “ajuizada demais”, “chata” e claro “trouxa”. O problema é que não conseguia ser “esperta” como outros jovens com quais convivia. Não sabia dar um jeitinho… Só de pensar em fazer alguma coisa fora dos meus parâmetros de valores, tinha dor de barriga e ficava com a mão gelada e suada.
Uma vez, por volta dos 12 anos, fui com colegas de classe ao supermercado e as meninas resolveram “pegar” uns batons sem pagar. Quando ouvi isso fiquei paralisada e logo fui dizendo que de jeito nenhum faria isso. Elas nem ligara, me chamaram de “covarde” e saíram do local com os batons escondidos dos bolsos. Eu fiquei morta de vergonha por elas e me distanciei. É claro que depois disso a amizade não foi a mesma.
É como andar com a “turminha da maconha” sem gostar de fumar maconha. No começo é divertido. Gente diferente, assuntos diferentes… Só que com o passar do tempo, você percebe que é um “peixe fora do aquário”. Não há um compartilhar, uma vez que não existe afinidades. Os assuntos começam a se repetir. Lembro que comecei a achar aquele povo muito chato e sem sentido. Fumavam e ficavam “viajandão”, falando coisas desconexas, rindo à toa. E eu ali, totalmente lúcida, escutando aquele monte de “m****”. Depois de um tempo, saí fora. Fui procurar uma tribo mais parecida comigo.
Lembro que fiquei horrorizada em ver as minhas “amigas|” roubando os batons… Na minha cabeça, vinha a frase que meu pai repetia para nós constantemente: “quem rouba um grampo rouba um milhão. Nos dois casos, o autor é ladrão.” Só de pensar que eu poderia ser pega fazendo uma coisa assim ficava com taquicardia e a certeza de que infartaria e morreria. E se isso de fato não acontecesse, meu pai trataria de me mandar para o “outro mundo” apenas com o olhar. Sou do tempo em que pai fulminava filho só com o olhar.
Até chegar aos quarenta anos, fui trouxa respondendo antes de tudo à essa voz interna do Pai, do censurador interno que todos nós construímos na nossa psiquê, com base nos exemplos de mestres, professores, pais e vínculos afetivos importantes. Mas, com a maturidade, percebi que sou mesmo “trouxa” por que quero e acredito nisso. Mesmo entendendo que muitas vezes “perco” sendo “trouxa”, me encontro em um seleto grupo que sabe realmente o valor, peso e a representatividade das palavras ética e dignidade na vida.
Não tenho varinha de condão, nem pó do pirlimpimpim. Quando preciso ir ao banco, entro na fila e espero. Quando não há vaga no estacionamento, ou desisto, ou pago uma particular ou vou à pé. Quando tenho meu cartão de banco clonado, fico horas ao telefone e faço via crucis nas agências bancárias até conseguir resolver o problema.Quando bato levemente o carro, deixo um cartão com o meu telefone para reparar o prejuízo, mesmo quando tantos lascaram meu carro inteiro e nunca se identificaram… O que fazer, eu sou mesmo uma “trouxa”…

Ares de renovação

20/04/2011

Nunca uma Páscoa ganhou tantos contornos de renascimento e renovação pra mim quanto a deste ano. Passado o feriado, inicio no jornal em outra funçãoe novo horário. Depois de trabalhar onze anos das 13h00 às 21h00, passo agora a atuar das 9h00 às 17h00, em princípio. Na prática, deixo a ponta do fechamento e finalização do jornal para ajudar no início de tudo, na reportagem. Estou animada com a nova perspectiva e os desafios que irão se apresentar. Animação e ansiedade próprias de quem deixa o que estava “acomodado” e se vê entrando em algo “desconhecido”.
Estou muito feliz com as mudanças, não só no aspecto profissional, como também no pessoal. Meu filho agora integra o time de crianças que passam período integral na escolinha. E, acredite, estou agradecida por isso. Antes, a rotina dele se dividia entre a mamão, pela manhã, e a escolinha e a babá no período da tarde. Agora que irá completar três anos, percebo que é mais seguro e indicado que fique na escola quando não estiver comigo. Nessa fase, exemplos e atitudes nas relações afetivas são incorporados e se faz necessária uma triagem mais ajustada de onde virão esse exemplos. Embora a agora ex-babá do meu filho o ame profundamente, assim como ele a ela, a verdade é que ela não conta com conceitos básicos de ética e valores morais. Para ela, jogar lixo na rua é uma “normalidade”. Entrar no ônibus e dar o “golpe” para não pagar a passagem faz parte de vida e outras questões que prefiro não citar por respeito ao fato de ela ter cuidado “da maneira que conhece” do meu filho para que eu pudesse trabalhar. Novos ares agora sopram… Estou confiante…
Deixo aqui um poema que meu amigo José Carlos me enviou recentemente. O autor é o indiano Rabindranah Tagore:

“É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.”

Todo cambia…

31/03/2011

Se hoje eu saísse para uma entrevista seletiva profissional e me deparasse com a clássica pergunta: “Qual é o seu maior defeito, ou sua maior dificuldade?”, não hesitaria: “Sou refratária a mudanças. Não tenho dificuldades em me adaptar a qualquer mudança, mas quando ela me é proposta, a primeira reação é absolutamente negativa, com um misto de pânico e má vontade. Na medida em que vejo não haver outra saída e que essa mudança é inadiável, forçosamente busco recursos internos e de fato me adapto, geralmente admitindo, passado algum tempo, que essas mudanças me foram altamente positivas e benéficas.”
Dito isso, rememorei recentemente uma caminhada por uma trilha de dificuldade grau 3, que levou mais de 3 horas e meia para ser completada em Extrema (MG), na qual levei diversos tombos na descida, por conta dos meus tornozelos inchados. A cada queda, xingamentos, reclamações e muita, mas muita irritação. Foi quando o guia se virou pra mim e disse: “É assim que você costuma se levantar das suas quedas?” Já contei essa história em um dos meus blogues. Fiquei com a cara no chão. Com vergonha da minha reação diante de uma coisa natural e, muitas vezes, absolutamente necessária como a queda.
Volto de novo aos dias de hoje. A vida vem e avisa. Depois, cutuca. Ah! Não tá ouvindo, não tá entendendo? Porrada!!!
Então, tempos sabáticos me “bateram” por mudanças.
Muita gente pode achar que estou exagerando no que diz respeito a sincronicidade, mas tudo começou quando resolvi fazer aulas de pilates.
Meu órgão de choque emocional sempre foi a coluna vertebral. Com 7 anos já era corrigida pelas professoras de educação física pela postura de quem “carrega o mundo nas costas”. Claro que com o tempo, apesar de sempre ter feito atividades relacionadas à dança, fiquei com alterações ósseas que hoje são “incorrigíveis” e um encurtamento peitoral que luto ferozmente para reduzir. Esse “abrir o peito” me é absolutamente fundamental. Significa me abrir para o outro, me abrir diante das minhas dificuldades e fragilidades, significa acreditar que verdadeiramente não estou sozinha e que o universo responderá a minha fé “cega”. Acreditar que também sou digna de amor incondicional.
As primeiras aulas, além de muita dor, me trouxeram também mudanças de vida “estruturais”. Fui “convidada” a rever minhas bases. Mexi em “músculos” e “nervos” enrijecidos pelo tempo, hábitos, conveniências e costumes.
No auge da crise, quando tudo parecia desmoronar, tomei uma decisão: tirei uma folga do trabalho e resolvi fazer uma faxina completa no meu apartamento. Comecei às 8 da manhã e terminei por volta deste horário mesmo à noite. Lavei batentes de portas, janelas e até as paredes. Deixei tudo limpo e organizado. No apartamento e dentro de mim também é claro. Me organizei e o impulso de renovação me veio naturalmente. Também busquei forças nas minhas experiências biodanceiras e convidei Mercedes Sosa para dançar. Esperei Davi dormir e coloquei a música “Todo cambia”. Dancei de pés no chão, como os indígenas do Peru (tive o privilégio de ir até lá há alguns anos), buscando equilibrar as energias entre os pulos que dava: mais suavidade e firmeza para pisar o chão e mais encantamento enquanto conquistava o ar.
A vizinha deve ter pensado que estava doida. O fato é que reverti a energia e me permiti abrir espaço para o novo. De repente, o universo começou a me dar verdadeiros “presentes”, me forma de “sonhos-respostas”…
Me lembro daquele ditado que diz: colherás o que semear. Então… resolvi aceitar com agradecimento os retornos que estou tendo.

Carruagem do Sol

15/03/2011

Mais uma importante contribuição do meu querido amigo biodanceiro Toninho. Acho importante prestar atenção nessa mensagem que reproduzo na íntegra:

“Oi queridos,

como alguns ja devem estar percebendo, estamos vivendo um processo de intensificação de mudanças nestes ultimos dias, desde antes do Carnaval, mais precisamente desde os dias 3 e 4 de março, quando se formou no céu um aspecto extremamente raro, chamado “STELLIUN” ou “CARRUAGEM do SOL” – que se dá quando três planetas se encontram em conjunção. Neste caso, o que estamos vivendo é um Stelliun com seis planetas (Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter e Urano) – passando de Peixes para Áries. Esta configuração aqueceu um pouco mais desde o último domingo, quando Urano (o regente da Nova Era ) entrou em Áries (onde ficará por sete anos, na regência de toda a transformação planetária), e vai ate os dias 21 e 22 de abril, quando Vênus também entra em Áries, e Plutão faz conjunção com a Lua, aumentando um pouco mais a intensidade desse “cortejo celestial”…

Resumindo:
Mudança GERAL, coletiva, de sistemas, paradigmas, conceitos, estruturas politicas, emocionais, psíquicas, físicas, financeiras, podendo ocorrer catástrofes (infelizmente como a que estamos vendo no Japão ). É importante não resistir, deixar ir o que tem que ir, trans-formar, re-formar, no prazer do NOVO, e amar e amar…

Por outro lado…
Essa rara conjuntura é um grande Portal para um salto quântico, de compaixão, solidariedade, amor incondicional, transformação e cura de vícios, manias, misérias, hábitos, uma intensa onda de energia que expande a consciência coletiva, dons, faculdades sensitivas, inspiração, manifestações artísticas em todos os níveis. Se conectarmos no positivo é O MOMENTO de uma grande virada.

Por isso…
Muita CALMA nessa hora, HUMILDADE, PACIÊNCIA, CARINHO, AMIZADE, e, acima de tudo, por tudo e por todos, PAZ, AMOR E ALEGRIA.. “respirando e vivendo”, e – considerando que a Alegria é a nossa companhia, o Amor é a nossa proteção, e a carruagem é a do Sol – é um raro e afortunado momento de CURA, e pode ser tambem um raro e afortunado momento de SORTE…vamos juntos !!!!

AMO VOCÊS!

Leona
Porta do Sol
Rio de Janeiro”