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Aceitar,acolher, abraçar, agradecer: início da mudança

03/02/2020

 

aceitação

Por que é tão difícil aceitar o outro como ele é? Fácil: porque insistimos em não nos aceitarmos como somos. Passamos uma vida buscando maneiras de nos encaixar em modelos, estereótipos, padrões, referências, paradigmas, exemplos, ideais… verdadeiras fôrmas de bolo de uma linha de produção. E em nome do quê? Pois é, justamente, de aceitação. Não uma aceitação qualquer, mas aquela que se traduza em um amor profundo e generoso, um amor que todos nós desejamos existencialmente oferecer a outros e receber deles mesmos.

Ao longo da vida iremos nos deparar com situações diversas, que transitam entre extremamente positivas a extremamente negativas do ponto de vista das emoções e dos sentidos. Mas, pela perspectiva do aprendizado, todas nos trazem ensinamentos, amadurecimento, conhecimento e riquezas vivenciais.

No entanto, muitas vezes, nossa reação inicial ao que chega é de declinar fortemente ao convite proposto. Recusamos de pronto o que não nos agrada à primeira vista.

As oportunidades que nos surgem precisam, inicialmente, ser acolhidas, ou seja, aceitas, abraçadas. E isso deve ocorrer não somente em relação àquilo que podemos mudar, mas muito mais ainda em face ao que não podemos mudar – e, tentar fazê-lo, representará sofrer mais que o necessário. Lutar contra uma situação intransponível, mesmo que momentaneamente, gera desgaste, prejuízos e traumas.

Apenas a partir daquilo que acolho/aceito, posso, então, seguir em frente, aguardando o momento, a possibilidade e uma nova oportunidade de transformação/mudança. Nada na vida é absolutamente estanque. Nem mesmo a morte física encerra a vida. Nada acaba ou finda, como bem constatou o químico francês, Antoine-Laurent de Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Aceitar com humildade convida-nos a tolerar determinadas circunstâncias, entendendo que a vida não se traduz somente naquilo que consideramos como ‘bom, belo e agradável’. A vida não acontece em meio a um juízo de valor. Não há dicotomias e nem extremismos. Não somos apenas vítimas ou algozes. A vida naturalmente acontece e precisamos aceitar.

Ao mesmo tempo, somos instados a uma ação, que pode, em muitos casos, trazer um convívio respeitoso com aquela situação, sem que isso impacte em prejuízos físicos e emocionais intoleráveis. Mesmo vivendo em circunstâncias difíceis, que seja possível seguir com energia, interesse e foco em outras áreas e oportunidades, na esperança de que novas portas se abram.

Aceitar é reconhecer a nossa impotência diante de algo. E o que não tem solução, resolvido está, mesmo que momentaneamente. Assim, o melhor é continuar caminhando, pois é caminhando que construímos o caminho.

Colocando em pensamentos, seria algo como: “Diante desta situação, neste momento, não há nada a fazer. Porém, sigo minha vida, aguardando oportunidades para que uma transposição disso seja possível”.

Já a resignação traz mais sofrimento, uma vez que nos colocamos em posição de espera. À espera de que tudo mude magicamente. Não abraçamos o sofrimento que veio para nos ensinar. Em vez disso, ligamos o modo ‘sobrevivência’, imaginando que tudo sumirá quase que por um milagre.

Assumimos o peso de uma âncora, presos à situação, compadecendo-nos e nos sentindo vítimas dela. Como ‘âncora’, ela passa a amarrar iniciativas, bloquear movimentos, escravizando-nos com a crença de uma imutabilidade. Deixo então de buscar outros e novos caminhos. RESIGNO-ME.

É perceptível a diferença de atitude. Quando ACEITAMOS, acolhemos, abraçamos a realidade que chega como mais uma oportunidade de vida e de viver. Continuamos a nossa jornada, e isso nos permite manter um nível de felicidades e de gratidão por novas possibilidades que vão surgindo, sem que, necessariamente, a dificuldade precise ser resolvida antes de aproveitar cada segundo de nossa existência.

Não me bloqueio por isso, não penso que será sempre assim por isso, mas aprendo com essa experiência e continuo o meu caminho. A aceitação é não ir contra a corrente, mas aproveitar as situações para aprender com a vida. Sempre existe a possibilidade de corrigir o nosso rumo.

A aceitação visceral também passa pelo respeito e humildade ao, verdadeiramente, acolher as pessoas como elas são. Desaparece o desejo de mudá-las. Observo até onde posso ir nessa relação e se isso me convém ou não, se estou sendo respeitada

Quanto ao falecimento de uma pessoa amada, aceitar significa superar o luto, sem sentir revolta, dando um rumo à vida e abrindo as portas para o novo, depois de superadas as etapas próprias e naturais de um processo de perda.

A resignação impede a superação natural do luto. Muitos ficam revoltados, não admitem a mudança que esta perda traz e isso faz parte do processo de superação. Porém, esse sentimento se converte em um estado permanente para quem não consegue abraçar a sua própria dor e nem para de buscar culpados.

Do mesmo modo, quando passamos por um grave trauma – independentemente de quem tenha sido responsável, ‘culpado’, por ele -, a aceitação do ocorrido e o entendimento de que cada um responde por seu passivo vivencial nos liberta para que possamos seguir em frente. O filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre bem resume essa postura frente à vida: “Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.”

A aceitação é, sobretudo, uma postura de fé na misericórdia divina. Não faltam frases de sábios que resumem essa escolha. O psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung também defendia essa ideia: “O que negas te subordina. O que aceitas te transforma”.

A resignação é a submissão à vontade de alguém ou ao destino, quando então o resignado sofre, queixa-se e se lamenta o tempo todo frente à realidade que se apresenta, com o pensamento fixado naquilo que gostaria que fosse. Isso o mantém paralisado, passivo, escravo de um intenso sofrimento cuja chave está nas suas próprias mãos.

Aceitar é indício de lucidez. É a compreensão de que naquele momento, nada mais resta da não ser acolher o que se apresenta, e, a partir desta ação, colocar-se em prontidão para olhar atentamente mais uma vez a situação, agora sem a carga emocional da rejeição. Assim, pode-se ver a realidade de novos ângulos e sob novas perspectivas, abrindo espaço para o surgimento de possíveis soluções. Tudo no universo é puro movimento. Nada é permanente ou imutável.

Ser manso não é ser omisso!

06/01/2020

paz

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra(Mateus 5:5).

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9)

Na terceira bem-aventurança do Sermão da Montanha, Jesus afirma que, de fato, são bem-aventurados os mansos. E, citando outras bem-aventuranças, ele nos incita a desenvolver essas qualidades, valores, competências, comportamentos, ações. O Filho de Deus nos convida a segui-lo: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, (Mateus, 11:29).

As bem-aventuranças integram, assim, o jugo de Jesus, que devemos tomar como caminho para a ‘salvação’. Entretanto, precisamos entender com mais precisão o significado tanto de ‘jugo’ quanto de ‘manso’.

A palavra jugo tem dois significados, um literal e outro figurado, que se correlacionam. Um deles designa um pedaço de madeira usado para juntar dois bois, de maneira a fazer com que ambos permaneçam andando no mesmo ritmo, emparelhados. Isso proporciona mais estabilidade ao trabalho de puxar uma carroça ou um arado, gerando um movimento mais homogêneo, sem trancos, solavancos ou quaisquer outros problemas resultantes da diferença de velocidade entre os dois animais.

Antes de ser o nome do equipamento rústico que une dois animais, a palavra jugo também designava um tipo de forca na Roma antiga, pena aplicada aos inimigos derrotados em batalhas, que eram obrigados a passar por baixo do jugo antes de serem enforcado, originando assim a palavra subjugado, do latim subjugare – aquele que foi dominado.

No sentido figurado, quer dizer obediência, domínio, autoridade, submissão, opressão. “Estar sob o jugo de”, submeter-se a regras ou domínio de alguém ou de alguma coisa.

Já a palavra manso tem como sinônimos “brandura de gênio ou de índole, na maneira de expressar-se; doçura, meiguice, suavidade”. Muitas vezes é confundida com o comportamento omisso, indeciso, submisso, que não se posiciona em relação a algo.

Ultimamente tenho me sentido particularmente incomodada com a postura omissa das pessoas em muitas situações nas quais um posicionamento assertivo, respeitoso e amoroso poderia fazer toda a diferença.  Ser pacífico, paciencioso, sensível e humano, não exclui a responsabilidade de nos colocarmos em situações de conflito com firmeza, compartilhando generosamente algum conhecimento de vida e experiência, que são únicos a cada um.

Jesus nunca se omitiu durante sua passagem terrestre. A diferença sempre foi a sua expressão firme, corajosa, afetiva, genuína, sem quaisquer condenação ao ser humano ou humilhação. Apenas sua verdade, dita com o objetivo de atingir mentes e corações, provocando a reflexão, compreensão e oferecendo o verdadeiro livre-arbítrio por meio de conhecimento. Isso tudo regado a muita, mas muita mesmo, compaixão.

Durante todos estes meus anos de existência, acreditei que estar ‘em paz’ fosse a ausência completa de conflitos, problemas, dificuldades, confrontos. Uma ideia equivocada e popularizada de uma pessoa em silêncio, em um ambiente de natureza, em meditação. No entanto, entendo hoje que a paz e estar em meio a um tumulto, caos, e poder ser a mediação, a diferença, para alcançar uma resolução não-violenta.

Para isso, preciso ser mansa. Usar a comunicação não-violenta, ter total empatia em relação ao outro (colocando-me no seu lugar e imaginar de que forma gostaria de ser tratado naquela situação), falar de sensações e sentimentos e não de ‘verdades’ absolutas. Fundamentar nossa atuação cotidiana nos princípios de tolerância, solidariedade, respeito à vida, aos direitos individuais e ao pluralismo. As principais ferramentas para isso são a conscientização, a educação e o reconhecimento de nossa humanidade – estamos todos submetidos a ela.

Quando nos omitimos, guardamos nossos tesouros (experiências, aprendizados, intercessão, a possibilidade de sermos instrumentos de evolução para outros e para nós mesmos) e perdemos a chance de trocá-los com o próximo, aumentando as chances de crescimento para todos. Passamos a viver nossa paz somente dentro de situação que consideramos, ilusoriamente, como ‘controladas’ e ‘seguras’.

Foi durante uma aula de Biodanza (dança da vida) que me deparei com a consigna da minha facilitadora, que sugeriu que dançássemos a paz. Inicialmente, estranhamento total. A pergunta “Como posso ‘dançar’ a paz?” não saia da minha cabeça. No entanto, ao escutar as primeiras estrofes da música, entreguei-me ao movimento do coração e da alma. E tudo que ecoava em mim era: ‘A paz invadiu o meu coração (e meu corpo) /De repente me encheu de paz/Como se o vento de um tufão/Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais…’

A paz não exclui a guerra, o conflito – armado ou não. Ela está presente, nas batalhas diárias, no caos, nas crises, ela está hoje permanentemente em mim. A paz se manifesta e me torna pacificadora e mansa porque estou 100% conectada com a minha essência, alma, com o universo, fé, e, principalmente, com sentimentos contínuos de gratidão e êxtase por ter sido escolhida, entre milhões de possibilidades durante a geração da minha vida, para passar por essa experiência extraordinária que chamamos de vida.

A paz ‘fez um mar da revolução’, ‘invadiu meu destino’. Não há mais sofrimento em relação ao futuro, lamentos em relação ao passado. Vivo o presente, o momento aqui agora, o que posso ser, sentir e fazer agora. Só a ‘guerra’ – seja lá o que isso represente para cada um de nós – nos proporciona a chance de vivenciarmos o amor e a paz, de sermos mansos, mas jamais omissos.

Mahatma Gandhi (que em sânscrito significa ‘grande alma’), além de um pacifista foi um influente defensor do princípio da não-agressão – forma não violenta de protesto – como um meio de revolução. Ele também é um dos pensadores mais influentes por propagar mensagens de paz para a humanidade. Entre suas dezenas de citações, destaco quatro neste artigo para que possamos refletir profundamente sobre o tema:

“A não-violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os corajosos.”

“A paz é a qualidade mais fina da alma, mas ela se desenvolve por meio da prática.”

“O mais perfeito ato do homem é a paz. E por ser tão completo, tão pleno em si mesmo, é o mais difícil.”

“Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo.”

Soberania feminina

05/01/2020

Joia demorou 17 dias para ficar pronta

 

Aonde está a minha coroa?

A pergunta me persegue dia e noite. E com ela, outras mais se formulam: como é a minha coroa? De flores? Não creio, doce e ingênua demais. De ramos? Simples e poética demais. De luz? Etérea demais… Minha coroa é de outro branco e cravejada de pedrarias.

Nem leve, nem pesada. Apenas  com a envergadura necessária para que não me esqueça, nem por um momento, que a carrego a todo tempo.

Não é uma tiara, como a de uma princesa, sua estrutura dourada remonta à complexidade do processo de amadurecimento, com tramas e desenhos que expõem os momentos vividos.

Suas pedras brilham intensamente, projetando luzes multicoloridas e resplandescentes. Algumas são esmeraldas, lágrimas verdes cintilantes. Algumas de pesar e tristeza. Outras de emoção e felicidade.

Nem todos podem enxergar a minha coroa. Muitos ficam cegos diante dela, outros são ofuscados momentaneamente pelo seu clarão, mas creio que alguns conseguem, como eu, reconhecê-la e reverenciá-la.

De onde surgiu tal coroa? Terei herdado tal tesouro de uma rainha-mãe? Pressinto que ela ela é fruto de uma trajetória, um caminho que jamais terá fim. A cada passo, a cada degrau, soma-se uma nova gema, um novo brilho…

Uma outra questão me assalta: tenho nobreza e fé suficientes portá-la? A resposta me é pronta: o suficiente para ter a convicção de que a carrego, mesmo sem tê-la visto ou sentido seu real poder.

Pergunto a Baba Yaga – a La Que Sábe – onde está a minha coroa, e ela me responde:

Tenho visto muitas coroas pela vida. De todas as cores, materiais, estruturas e tamanhos. Em alguns casos, ela é invisível e leve demais para a cabeça que a carrega. Por outros, torna-se um pesado fardo a ser carregado. Raras são aquelas que passam triunfantes e majestosas. A coroa somente é encontrada quando paramos de procurá-la. Sua natureza apenas é. Ela sempre esteve onde deveria estar, à espera, aguardando o despertar. Pare de buscá-la, apenas seja, aceite e a deixe existir. Sinta o seu peso e ela se tornará real e presente. Use-a e vá aos poucos lapidando suas pedras de luz. Isso é só o que tenho a dizer”.

Despeço-me, agradecendo e reverenciando as suas palavra sábias.

Nossa juventude está apática

05/09/2018

apatia

A palavra ‘apatia’ é um substantivo feminino, que, para a filosofia, define um estado de insensibilidade emocional ou esmaecimento de todos os sentimentos, alcançado por meio de uma ampliação da compreensão filosófica. Para a área da saúde mental, mais especificamente para a psicopatologia, é o estado caracterizado pela indiferença, ausência de sentimentos, falta de atividade e de interesse, e, por extensão, falta de energia (física e moral), falta de ânimo; abatimento, indolência, moleza. Mas o que me interessa mesmo é o significado do verbete para o dicionário: estado de alma não suscetível de comoção ou interesse; insensibilidade, indiferença. Vou resumir: apatia hoje é sinônimo da atual ‘juventude’.

Triste demais chegar à essa constatação, assim, de chofre. Ainda mais quando decidi investir na educação de forma holística. Sim, eu sou professora particular e atendo aqueles que podem, além de estudar em um colégio privado caríssimo, pagar por horas/aulas particulares. E o que se vê neles? Total apatia. Total falta de significados e significantes. Uma expressão blasé tão literal que choca, surpreende. O que mais ouço quando pergunto a eles do que mais gostam é: “nada em especial…”. E por aí vai: música? “Não me lembro de nenhuma”. Livro? “Somente os que a escola nos obriga a ler?”. Notícias? “Não tenho interesse”. Poesia? “Detesto, não entendo”. Difícil, viu?

E pensar que eles dispõem de uma das mais potentes e incríveis tecnologias já inventadas pelo homem, a internet. É possível aprender de um tudo pelos tutoriais disponíveis em forma de vídeo ou em texto com imagens. Até mesmo desentupir uma privada. Nem quero entrar no mérito do universo do conhecimento, estudos, música e livros disponíveis e gratuitos… o mundo na ponta dos dedos, mas, para eles, o mundo se resumo ao que os outros pensam deles e como ficar bem na fita das redes sociais.

Ok, é fato que hoje a convivência social de crianças e adolescentes, infelizmente, se resume ao ambiente escolar apenas, somando-se aí as atividades extracurriculares. Não há espaço social para que eles, de fato, possam exercitar as interações humanas e desenvolver competências para “afinar o instrumento, de dentro para fora e de fora para dentro” – ou seja, por meio dos processos interativos, o ser humano se transforma num sujeito social e evolui. A partir de seus relacionamentos e vínculos afetivos aprende e ensina, fazendo de fato diferença no mundo.

Falta sangue, falta curiosidade, falta erotismo, falta paixão por si mesmo e pelo outro. O outro é singular, diferente, único, encantador, complexo, e, sem dúvida nenhuma, apaixonante. Entendo perfeitamente porque o Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica, apaixonava-se por seus pacientes. Como evitar isso quando olhamos verdadeiramente nos olhos de alguém, ouvimos de fato o que está dizendo, lemos suas reações e nos maravilhamos com a perfeição divina do ser humano e toda a sua complexidade e dualidade? O pior sentimento do homem não é o ódio ou o medo, é a apatia.

“Um ser humano só cumpre o seu dever quando tenta aperfeiçoar os dotes que a natureza lhe deu” – Hermann Hesse

O nosso ‘buraco’ de cada dia

01/02/2018

buraco

Há alguns anos me deparei com um texto poético que atravessou a minha alma e atingiu diretamente o meu centro mais sensível e mais dolorido. Simples, mas extremamente profundo, de autoria de Sogyal Rinpoche, do ‘O Livro Tibetano do Viver e do Morrer’, levou-me a reconhecer e refletir como vivemos nossa vida no ‘modo automático’.

O texto, em primeira pessoa, começa com uma ação simples: andar pela rua. Só que há um ‘buraco’ na calçada, e, distraidamente, caio nele. Fico surpresa, me sinto perdida e sem esperanças, mas acredito que a queda não é minha culpa. Levo uma eternidade para sair dele.

Volto a andar pela mesma rua. O buraco continua lá, mas finjo não vê-lo e, consequentemente, caio nele novamente. Fico com raiva por ter caído novamente, me sinto injustiçada e sem esperanças, mas não é minha culpa e mais uma vez leva um tempão para sair dali.

Volto à rua. Percebo e visualizo o buraco, mas não resisto e caio novamente nele. É um hábito. Desta vez sei onde estou, sei porque caí, reconheço a minha responsabilidade na situação, e, por isso, saio imediatamente.

Ando pela mesma rua. O buraco ainda está lá, mas agora o contorno e entro em uma outra rua, onde talvez haja ou não um novo buraco. Sinto-me mais preparada para cair no próximo buraco…

E assim termina o texto.

A ciência confirma que cerca de 95% de todas as atividades executadas por nossa mente são automáticas, ou seja, são dirigidas pelo inconsciente, também conhecido como subconsciente, enquanto apenas 5% é controlado pela consciência. Assustador, não é?

Claro que isso acontece para não sobrecarregarmos nosso cérebro. Porém, isso faz com que a maior parte de nossas ações sejam transformadas em hábitos, e muito deles pouco saudáveis e nutritivos – assim como a metáfora de cair constantemente no mesmo ‘buraco’. Recondicionar, reprogramar, reescrever e até mesmo abandonar hábitos nocivos são desafios que exigem estratégias e muita determinação.

Voltando à analogia do ‘buraco’, somente à medida em que reconhecemos e nos responsabilizamos pela nossa situação, podemos mudar uma maneira de ser do ‘modo automático’ para o ‘modo consciente’, para o modo: ‘eu assumo minhas escolhas e todas as consequências que elas possam acarretar, acreditando na minha capacidade de transcendê-las’.

Lembrando a encantadora cena do filme Peter Pan: “Sim, eu acredito em fadas, acredito, acredito!”

Transgênero: quem não?

04/09/2017

transgênero

A personagem Ivana, da novela global ‘Força do Querer’, revelou recentemente para sua ‘tradicional’ e ‘bem-estruturada’ família, em um dos capítulos da trama, que não é do gênero feminino, mas sim masculino, ou seja, é um transgênero masculino. Para ela, não há mais dúvidas sobre a sua real identidade/identificação/gênero, a questão agora estava muito além: “Preciso saber se vocês vão me aceitar?”. Cacetada! Minha cabeça fez um looping!

Viajei – confesso – e me questionei sobre quantos de nós também não escondem a ‘verdadeira identidade’ em nome de uma mais ‘aceitável’ socialmente. Quem não é no fundo uma Ivana? É claro que a questão do folhetim é trazer à tona, para debate, os casos transgêneros sob todos os pontos de vista: social, emocional, científico, psicológico, rompendo todas as barreiras do que se conceitua como ‘normalidade’ e ‘padrão’, uma vez que Ivana, que está em processo de se tornar um homem, é apaixonada por um rapaz – isso mesmo, gênero é diferente de orientação sexual – e, para coroar a quebra completa de paradigmas, vai se descobrir grávida de seu ex-namorado nos próximos capítulos.

Cara, partiu para ao anarquismo total! Anarquistas, Graças à Deus! Isto que é um ‘sacode na geral’, com tudo o que se tem direito! O que garante a audiência desse núcleo da novela é, sem dúvida, a questão da aceitação familiar e social, ou seja, aproxima todos nós desse dilema: assumirmos verdadeiramente quem somos e garantirmos que todo o nosso potencial como contribuição para o mundo seja realizado. Sobretudo, pelo fato da autora da novela, Glória Perez, tocar em uma ferida que aproxima a todos nós: a angústia de Ivana é, acima de tudo, uma angústia existencial.

Me encanta esses ares do realmente novo, da transgressão, daquilo que foge das nossas ‘pobres caixinhas’ de conceitos, preconceitos, verdades ‘seguras’, convenções… A questão aqui não é destruir o que se conhece, mas enriquecê-lo, ampliá-lo, aceitar que a liberdade implica em acolher e lidar com o ‘realmente diferente’. A essência do que somos genuinamente vive apertada em nossas molduras sociais, tentando desesperadamente emergir e se realizar. Somos todos Ivanas… A maioria nem sequer tem consciência de suas ‘prisões’, o que dirá ter a coragem e ousadia de lutar para buscar suas realizações, seus propósitos, seus sonhos.

Eu também sou Ivana!

A paz nasce do confronto

11/08/2017

paz1

Durante todos estes anos acreditei que a sensação de paz fosse a ausência completa de conflitos, problemas, dificuldades. Exatamente por conta dessa ideia equivocada, assim que perdi meu emprego de mais de vinte anos (minha falsa ‘ilha de segurança’), me vi forçada pelas circunstâncias a, finalmente, buscar o que classificava com ‘uma vida mais simples e mais pacífica’. Aliás, frase que repetia no divã para minha amada psicóloga analítica e junguiana, ao que ela rebatia, abaixando os óculos: “Carol, a simplicidade está dentro de nós e não nos lugares ou situações. O que torna sua vida uma ‘guerra’ é o seu nível de exigência interno…”. Mas que, entrava por um ouvido e saia pelo outro (porém, na memória ficou graças a Deus!).

Então, se a vida estava muito complicada e bélica como jornalista, autossuficiente financeiramente e emocionalmente (oi?), minha resposta foi me tornar uma manicure, pagar aluguel de um apartamento bem pequeno e ‘mais simples’, e viver uma ‘vida de paz’ (substitua pela palavra escassez), reduzindo ao máximo as possibilidades de conflitos, problemas, caos, exigências.

De casa para o trabalho, do trabalho para casa, de preferência sem carro, comprando em apenas um supermercado, passeando apenas em um parque público. Resumindo: me tornei uma prisioneira do meu próprio conceito de paz e simplicidade.

Meu universo começou a ficar cada vez mais ‘pobre’, desértico e ‘miserável’. É bem verdade que reduzi as chances de ter que enfrentar algum problema a índices invejáveis, mas, definitivamente, estava gastando mais energia do que antes e me encontrava cada vez mais infeliz e exausta.

E foi tomando uma xícara de café com Hades – deus da mitologia grega que domina o reino dos mortos, um lugar onde só impera a tristeza – que percebi o meu engano. Alguma coisa estava muito errada e Hades, que tem o poder de restituir a vida, mas faz isso raras vezes, resolveu interceder por mim, me aconselhando a voltar para tudo aquilo que me era muito importante e havia deixado para trás buscando a tal ‘paz quimérica’.

Empreendi meu retorno às raízes então. E foi em uma aula de Biodanza, há alguns dias, que me deparei com a verdade, quando a minha mestra e amada facilitadora colocou uma música e disse que a consigna era: ‘dançar a paz’. Cara, que viagem! Literalmente ‘A paz invadiu o meu coração (e meu corpo) /De repente, me encheu de paz/Como se o vento de um tufão/Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais…’

A paz não exclui a guerra, o conflito – armado ou não. Ela está presente, nas batalhas diárias, no caos, na crise, nos confrontos. Ela está hoje permanentemente em mim. A paz se manifesta porque estou 100% conectada com a minha essência, meus valores, minha criança interior.

A paz ‘fez um mar da revolução’, ‘invadiu meu destino’. Não há mais sofrimento em relação ao futuro, lamentos em relação ao passado. Vivo o ‘poder do agora’, do que posso ser, sentir e fazer agora. Só a ‘guerra’ nos proporciona a oportunidade de viver o amor e a paz. Obrigadas mestras.

 

Precisamos falar sobre TOD

31/07/2017

DOT

A matéria de capa da ‘Revista Veja’, Edição 2540, de 26 de julho deste ano, ‘O novo mundo do autismo’, de acordo com informações que li, bateu recorde de audiência. A reportagem aborda os avanços científicos que cada vez mais facilitam e agilizam o diagnóstico do transtorno, cuja incidência é altíssima, acometendo uma a cada 68 crianças. O alto interesse é mais do que justificado, ainda mais quando levamos em consideração que estão abordando o futuro de ‘nossas crianças’.

Sim, eu disse ‘nossas crianças’. Sou de um tempo em que as crianças e adolescentes viviam nas ruas e brincavam nas casas dos vizinhos o dia inteiro. Em um tempo que todos, eu disse todos, os adultos agiam como educadores, na melhor acepção da palavra, cuidando dos filhos dos outros da mesma forma que cuidavam dos seus próprios rebentos. Além de almoçarmos, lancharmos e jantarmos na casa dos amiguinhos, às vezes até tomando banho lá, também levávamos broncas e até castigos quando pisávamos na bola. Tempos em que a comunidade se responsabilizava também pela formação de outros seres humanos em formação.

Bem, mas a questão aqui ultrapassa um pouco essa tônica saudosista. Acho fantástico que esse tipo de assunto seja mais do que discutido, seja incorporado e ressignificado, pois nossos filhos também representam nosso legado para a humanidade. Porém, trago uma questão que me aflige: quando as crianças com TOD serão destaque em revistas e programas televisivos com grande alcance? Quando finalmente a sociedade acolherá os seus filhos mais rebeldes e difíceis? Aqueles que demonstram um comportamento totalmente fora do que se classifica como ‘normalidade’ e ‘socialmente aceito’?

Quando li o livro e depois assisti ao filme ‘Precisamos falar sobre Kevin’- que conta a possível história familiar de um garoto norte-americano, de 16 anos, autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio do subúrbio de Nova York -, fiquei dias sob o impacto do trailer psicológico. Não por menos. Tenho um filho diagnosticado com o Transtorno Opositivo-Desafiador, mais conhecido pelas mães e psiquiatras pela sigla TOD.

Para resumir brevemente do que se trata, esse quadro leva a criança ou adolescente a severas dificuldades de tempo e de avaliação para analisar regras e opiniões alheias, uma forte intolerância às frustrações, com reações agressivas, impulsivas e intempestivas, sem qualquer controle emocional. Essas crianças são discriminadas na comunidade, têm dificuldades de convivência familiar e social, criando obstáculos para a formação de vínculos afetivos. Sofrem bullying na escola, são retiradas de eventos sociais e de programações e festas escolares por conta de seu comportamento difícil, cujo limite entre o que é patológico e o que é manipulação, birra ou vontade, está sempre em movimento, deixando aos país e responsáveis a difícil tarefa de decidir, de maneira totalmente empírica, a melhor maneira de ‘manejar’ a situação.

Entre os irmãos, são preteridos, mal falados e considerados verdadeiras ‘ovelhas negras’ da família, diferentes e ‘fora do potinho’. Muitos pais evitam sair ou passear com essas crianças e adolescentes, e raramente conseguem deixá-las com alguém, seja babá ou mesmos parentes. Muitas mães inclusive não conseguem trabalhar, uma vez que cumprem uma longa rotina com psicólogos, psiquiatras, pediatras, fonoaudiólogos, atividades físicas como esportes, atividades artísticas e culturais, além da diária correria até o colégio onde estudam, seja particular ou público, para ‘apagar’ os incêndios que acontecem diariamente, com episódios de agressão física e verbal e descontroles emocionais que beiram a histeria. A maioria faz tratamento para patologias como depressão, síndrome do pânico, fobias, TOC, entre outros…

Esse transtorno é praticamente desconhecido pela sociedade, principalmente no que se refere à população mais carente de informações. Muitos acreditam que se trata apenas de uma questão de autoridade e disciplina, mas estão enganados. A questão é bem mais complexa  e a ciência do comportamento ainda está ‘engatinhando’ tanto no diagnóstico preciso desse transtorno, quanto em um tratamento  realmente eficaz e remissivo. Precisamos urgentemente falar, debater, discutir, estudar e aprender como conviveremos com os TODs. Eles estão por aí, em toda parte…

 

Essa é a hora de mudar seu mindset!

24/07/2017

perfeição

Agora, à beira dos 50 anos, é que, efetivamente, estou conseguindo mudar meu mindset. E isso tem sido tão maravilhoso, que tenho vontade de me prostrar no chão em posição de reverência e agradecimento ao universo (Divino) o tempo todo por essa verdadeira graça.

Mindset… ou seja, mind = mente e set = configuração, chegando a configuração da mente. Ainda não está ligando o nome à pessoa? Eu explico.

A palavra de origem inglesa pode ter várias traduções. Entre elas: crença, atitude, paradigma, mentalidade, forma de pensar, processo mental, modelo mental, entre outras. A expressão é muito usada nas psicologias cognitiva, positivista e na Programação Neurolinguística (PNL). Ela se refere a um conjunto de pensamentos subconscientes (ou seja, não temos consciência de sua atuação quando são acionados) que governam outros pensamentos no momento em que interpretamos estímulos e situações externas.

Por se manter abaixo da linha de consciência, esse modelo mental impacta sobremaneira a nossa vida e a sua modificação, transformação ou minimização traz profundos efeitos à nossa atual realidade, principalmente no que se refere a reconhecer e trabalhar nosso talentos, potenciais e capacidades.

Mas acredito que para entender claramente do que se trata, nada como uma história pessoal. Fui criada em uma família com seis irmãos, com diferença de um ano e meio no máximo entre cada gestação. A disputada pela mínima atenção dos pais era voraz e cada um se virava, ou tentava se sobressair, da maneira que podia.

Com base nas minhas observações dentro do universo infantil, decidi que o melhor caminho seria ser a filha ‘perfeita’: a mais educada, a mais disciplinada, a mais estudiosa, a mais cordata, a que menos exigia algo para si. Conclusão: toda vez que apresentava um resultado excepcional (na minha visão…), como um boletim repleto de notas dez, meu pai olhava firmemente nos meus olhos e dizia: “O que você espera de mim? Palmas?  Parabéns? Você não fez isso pra mim, você fez para você mesma. Não fez mais do que a sua obrigação!”.

Ok. Raciocínio coerente para um adulto, mas inócuo para uma criança que buscava aprovação e afetividade. Inócuo não, ele se provou ao longos dos anos muito pernicioso. Bem, aqui não cabe críticas, julgamentos e nem censura. Os pais, como costumo dizer, são os mais humanos dos seres humanos. Isso diz tudo…

Enfim, essa frase se tornou uma crença que ecoa dentro de mim em qualquer situação na qual que tenha talentos ou virtudes merecidamente reconhecidos. Nunca – eu disse nunca – consegui entrar na sala de qualquer chefia e reivindicar um aumento, promoção ou vantagem pelo meu trabalho, afinal: ‘não fiz mais do que a minha obrigação!’. Quando alguém me elogia espontaneamente, primeiro olho para os lados para ter certeza de ela está falando de mim, depois escuto ‘a voz’ interna: “Como assim? Essa pessoa não percebe que não faço mais do que a minha obrigação?”. E assim caminhei por toda uma vida.

Mas chegando próximo ao meu cinquentenário (estou com 49), me deparo com uma grande virada de vida, que me levou a me formar como coach e a finalmente a reconhecer e estabelecer um diálogo com essa ‘voz interna’, com essa crença, com esse mindset. Mudar completamente acho difícil, até porque essas crenças também apresentam um lado altamente positivo. Quer ver?

Buscar ser ‘perfeita por obrigação’ me fez mais disciplinada, mais ética, mais determinada, menos palco e mais plateia, mais formiga e menos cigarra, qualidades que me trouxeram onde estou hoje: verdadeiramente feliz e centrada, na minha essência. O segredo? A reformulação das crenças que me limitavam. Uma delas agora ficou assim: “Tenho que ser perfeita, mas sou humana e tenho meus limites”. Outra: “Não fiz mais do que a obrigação, mas reconheço todas as minhas virtudes e talentos para alcançar esse resultado. Finalmente a grilhão se rompeu…

Construindo os seus horizontes

05/06/2017

construindo os horizontes

Eu nunca fui muito de acreditar e reconhecer a força inspiradora e realizadora de ações ritualísticas. E chamo que ações ritualísticas quase tudo o que fazemos na vida, até mesmo escovar os dentes, desde que o ato esteja revestido dessas energias que nos impulsionam para a concretização e algo. Escrever, por exemplo, é extremamente ritualístico.  Todo jornalista ou escritor cumpre um ritual antes, durante e depois de buscar organizar e expressar suas idéias. E acredite, a coisa tem uma força que muitas vezes é subestimada pelo nosso pensamento lógico e cortical.

Todo esse preâmbulo aí em cima é para falar sobre a força de concretização de um planejamento, seja ele, pessoal, familiar, de lazer ou profissional. O simples ato de colocar no papel, em uma ordem coerente com os seus desejos já aciona energias e potenciais que caminham para a sua concretização. Tive provas indiscutíveis desse poder há alguns anos, quando o processo de coaching no Brasil estava ‘nascendo’.

Na época, fazia terapia e minha terapeuta, percebendo a minha insatisfação em algumas áreas da vida (para não dizer todas…), sugeriu que eu tentasse responder a um questionário para identificar os pontos negativos e traçar um plano de metas para um autodesenvolvimento.

Olhei aquele papel com um misto de desprezo, preguiça e descrença, mas queria agradar a minha querida mentora, então, enfiei o documento debaixo do braço e fui-me embora. Só depois de uns cinco dias é que procurei ler com alguma atenção o roteiro à minha frente.

As perguntas, que começavam com uma definição sobre mim mesma (qualidade e defeitos) e da minha missão de vida eram complicadas e deram um ‘nó’ na minha cabeça. O desafio estava lançado e a minha simples determinação em responder de cabo a rabo o questionário despertou um envolvimento e uma consciência, que me surpreenderam e me mostraram a força do ritual. E olhe que demorou meses para concluir o trabalho.

Tudo começou com delineamento das minhas reais capacidades e condições atuais. Depois, saber de uma forma espiritual o que queria da vida, como definiria a minha missão nesta existência (e essa questão me tomou dias…). Parti então para enumerar não os meus defeitos, mas sim no que gostaria de melhorar. Passada essa primeira etapa, entrei no segundo ‘round’, tão difícil quanto o primeiro.

O desafio agora era enumerar, de uma a cinco, metas a serem atingidas em cada âmbito da minha vida (pessoal, lazer, saúde, profissional, espiritual, intelectual, social e financeiro) em prazos pré-determinados de 1, 5 e 10 anos. Tipo: construindo os meus horizontes.

Rapaz! Não fui econômica. Listei sonhos, viagens, bens materiais, bens espirituais. Fui mais, e pedi um amor e até mesmo coloquei uma meta para melhorar as minhas relações familiares.

Veja o que é energia potencial: daquilo que listei como objetivos a serem alcançados em um ano, alcancei todos antes daquele prazo. Os que listei para cinco, acredite se quiser, foram cumpridos em 50% muito antes do prazo, e para os definidos para dez anos… Me assustei e resolvi esperar um pouco, porque deu até medo!

Quando parei para tentar entender o que aconteceu, percebi que realmente e ritualisticamente ‘construí meus horizontes’. É claro que a vida não está totalmente sob nosso controle e muitas coisas podem acontecer eventos no caminho entre o que você quer e o que você pode. Porém, é imprescindível enxergar na frente para se poder caminhar até lá.

Essa é a força da palavra escrita e do ritual de se sentar, pegar uma caneta ou lápis e descrever, em um papel em branco (representando metaforicamente o nosso futuro) o que queremos. Pincelada por pincelada, ilustramos e assumimos a responsabilidade por nossos desejos e sonhos, e assim, conseguimos ver de forma clara um caminho a ser trilhado.

Estou feliz com a paisagem que criei e com o que consegui concretizar. Outras metas substituem àquelas e novos desafios se apresentam na minha vida. Se você deseja e quer chegar a algum lugar, aconselho que pare e trace um plano de metas e seja o autor do seu próprio destino.