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A paz nasce do confronto

11/08/2017

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Durante todos estes anos acreditei que a sensação de paz fosse a ausência completa de conflitos, problemas, dificuldades. Exatamente por conta dessa ideia equivocada, assim que perdi meu emprego de mais de vinte anos (minha falsa ‘ilha de segurança’), me vi forçada pelas circunstâncias a, finalmente, buscar o que classificava com ‘uma vida mais simples e mais pacífica’. Aliás, frase que repetia no divã para minha amada psicóloga analítica e junguiana, ao que ela rebatia, abaixando os óculos: “Carol, a simplicidade está dentro de nós e não nos lugares ou situações. O que torna sua vida uma ‘guerra’ é o seu nível de exigência interno…”. Mas que, entrava por um ouvido e saia pelo outro (porém, na memória ficou graças a Deus!).

Então, se a vida estava muito complicada e bélica como jornalista, autossuficiente financeiramente e emocionalmente (oi?), minha resposta foi me tornar uma manicure, pagar aluguel de um apartamento bem pequeno e ‘mais simples’, e viver uma ‘vida de paz’ (substitua pela palavra escassez), reduzindo ao máximo as possibilidades de conflitos, problemas, caos, exigências.

De casa para o trabalho, do trabalho para casa, de preferência sem carro, comprando em apenas um supermercado, passeando apenas em um parque público. Resumindo: me tornei uma prisioneira do meu próprio conceito de paz e simplicidade.

Meu universo começou a ficar cada vez mais ‘pobre’, desértico e ‘miserável’. É bem verdade que reduzi as chances de ter que enfrentar algum problema a índices invejáveis, mas, definitivamente, estava gastando mais energia do que antes e me encontrava cada vez mais infeliz e exausta.

E foi tomando uma xícara de café com Hades – deus da mitologia grega que domina o reino dos mortos, um lugar onde só impera a tristeza – que percebi o meu engano. Alguma coisa estava muito errada e Hades, que tem o poder de restituir a vida, mas faz isso raras vezes, resolveu interceder por mim, me aconselhando a voltar para tudo aquilo que me era muito importante e havia deixado para trás buscando a tal ‘paz quimérica’.

Empreendi meu retorno às raízes então. E foi em uma aula de Biodanza, há alguns dias, que me deparei com a verdade, quando a minha mestra e amada facilitadora colocou uma música e disse que a consigna era: ‘dançar a paz’. Cara, que viagem! Literalmente ‘A paz invadiu o meu coração (e meu corpo) /De repente, me encheu de paz/Como se o vento de um tufão/Arrancasse meus pés do chão/Onde eu já não me enterro mais…’

A paz não exclui a guerra, o conflito – armado ou não. Ela está presente, nas batalhas diárias, no caos, na crise, nos confrontos. Ela está hoje permanentemente em mim. A paz se manifesta porque estou 100% conectada com a minha essência, meus valores, minha criança interior.

A paz ‘fez um mar da revolução’, ‘invadiu meu destino’. Não há mais sofrimento em relação ao futuro, lamentos em relação ao passado. Vivo o ‘poder do agora’, do que posso ser, sentir e fazer agora. Só a ‘guerra’ nos proporciona a oportunidade de viver o amor e a paz. Obrigadas mestras.

 

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