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Aqui é o ‘Nosso Lar’

23/05/2017

reencarnação

Assisti há alguns anos o filme ‘Nosso Lar’, baseado no livro espírita de Chico Xavier, que conta a história do espírito André Luiz. Saí meio escondida, antes das luzes se acenderem, um pouco envergonhada da minha cara inchada de tanto chorar. Pensei que fosse me afogar, tantas lágrimas pululavam dos meu olhos sem controle algum. Sentimentos profundos e intensos me perpassaram durante os 80 minutos da película.

Não especificamente por conta da doutrina de Allan Kardec, que respeito, mas o filme nos lembra o tempo todo do que é importante na vida: vínculos afetivos, nossas mortes psíquicas (muitas vezes um rompimento amoroso ou profissional, ficar gravemente doente, ter um filho, sofrer uma violência) e nossas idas ao umbral (encontro com nosso lado sombrio), nossos mestres espirituais, que pra mim são essas pessoas especiais que passam pela nossa história e fazem toda a diferença, a dor de perder uma pessoa amada, a dificuldade em reconhecer os nossos lados menos heroicos e bonitos e de nos desligarmos das coisas do mundo egóico.

Ele nos fala das verdades simples da vida, que nos esquecemos enquanto nos preocupamos com as contas vencidas, com a promoção na carreira, com coisas que nos ajudam a sobreviver neste mundo, mas que são tão menos importantes…

Chorei principalmente porque o tempo todo somos convidados a nos lembrar que, no final de tudo, quando a ‘morte’, seja ela física ou psíquica, bate à nossa porta, tudo o que importa mesmo são as relações que vivemos, os vínculos afetivos, aquele abraço, aquele beijo, aquele sentimento compartilhado com o outro, o minuto, o segundo, a hora vivida intensamente e sem reservas, sem travas, sem vergonha. Nessa hora, somos todos absolutamente iguais, pecadores, cheios de paixões, desejos, egoísmos, erros, mas também de acertos, amores, generosidades, compaixão…

Chorei pelos momentos de renascimento pelos quais tantas vezes passamos, na maioria deles sem nos darmos conta. Momentos de transcendência, de verdadeiros milagres…

Chorei me lembrando da minha avó que era espírita e fazia as “mesas brancas” em sua casa. Recebia as pessoas, que se sentavam em volta de uma jarra d’água (que seria purificada pelos fluídos dos espíritos de luz), e eles liam e debatiam o Evangelho Espírita. Era, e é, um ritual muito singelo e bonito. Chorei me lembrando dela constantemente empunhando suas mãos sobre nós para oferecer energia amorosa. Éramos crianças e não percebíamos o tamanho e intensidade daquele amor tão incondicional e espiritual…

Mesmo sem acreditar que existe o ‘Nosso Lar’ como o descrito no filme, mas acreditando que ele é o nosso próprio Self, sai da sessão transbordando de gratidão, fé e amor. Queria me prostrar completamente no chão e agradecer a tudo e a todos: meus antepassados, meus parentes e familiares, meus amigos, ‘inimigos’ (ponho entre aspas porque considero o termo muito relativo neste caso), pessoas conhecidas, desconhecidas, animais, plantas, planetas, estrelas, universo… queria beijar o chão e conversar com uma formiga, contar a ela sobre tantas emoções maravilhosas que já tive a benção de sentir… explicar como me sinto tão feliz mesmo quando as coisas parecem absolutamente fora do lugar.

Não indico ‘Nosso Lar’ a ninguém que queria assistir a um ‘bom filme’ do ponto de vista cinematográfico. Não há grandes atuações dos atores envolvidos na película e os efeitos especiais, tão comentados na mídia na época, não surpreendem em nada. Não há grandes revelações e nem tão pouco explicações convincentes. Não se defende nada na história, nem se percebe a pretensão de se convencer alguém sobre a veracidade da doutrina.

Indico esse filme apenas àqueles que podem entrar assistir ao filme sem nada esperar, abertos, prontos para apenas sentir o que a história possa mobilizar por semelhança e por comunhão com o humano.

Como eles dizem constantemente no filme: “Vá em paz irmão…”