Soberania feminina

Joia demorou 17 dias para ficar pronta

 

Aonde está a minha coroa?

A pergunta me persegue dia e noite. E com ela, outras mais se formulam: como é a minha coroa? De flores? Não creio, doce e ingênua demais. De ramos? Simples e poética demais. De luz? Etérea demais… Minha coroa é de outro branco e cravejada de pedrarias.

Nem leve, nem pesada. Apenas  com a envergadura necessária para que não me esqueça, nem por um momento, que a carrego a todo tempo.

Não é uma tiara, como a de uma princesa, sua estrutura dourada remonta à complexidade do processo de amadurecimento, com tramas e desenhos que expõem os momentos vividos.

Suas pedras brilham intensamente, projetando luzes multicoloridas e resplandescentes. Algumas são esmeraldas, lágrimas verdes cintilantes. Algumas de pesar e tristeza. Outras de emoção e felicidade.

Nem todos podem enxergar a minha coroa. Muitos ficam cegos diante dela, outros são ofuscados momentaneamente pelo seu clarão, mas creio que alguns conseguem, como eu, reconhecê-la e reverenciá-la.

De onde surgiu tal coroa? Terei herdado tal tesouro de uma rainha-mãe? Pressinto que ela ela é fruto de uma trajetória, um caminho que jamais terá fim. A cada passo, a cada degrau, soma-se uma nova gema, um novo brilho…

Uma outra questão me assalta: tenho nobreza e fé suficientes portá-la? A resposta me é pronta: o suficiente para ter a convicção de que a carrego, mesmo sem tê-la visto ou sentido seu real poder.

Pergunto a Baba Yaga – a La Que Sábe – onde está a minha coroa, e ela me responde:

Tenho visto muitas coroas pela vida. De todas as cores, materiais, estruturas e tamanhos. Em alguns casos, ela é invisível e leve demais para a cabeça que a carrega. Por outros, torna-se um pesado fardo a ser carregado. Raras são aquelas que passam triunfantes e majestosas. A coroa somente é encontrada quando paramos de procurá-la. Sua natureza apenas é. Ela sempre esteve onde deveria estar, à espera, aguardando o despertar. Pare de buscá-la, apenas seja, aceite e a deixe existir. Sinta o seu peso e ela se tornará real e presente. Use-a e vá aos poucos lapidando suas pedras de luz. Isso é só o que tenho a dizer”.

Despeço-me, agradecendo e reverenciando as suas palavra sábias.

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