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Quando ‘Eu’ sou o ‘Outro’

06/04/2017

CNV

A empatia pode ser explicada, simplificadamente, como: ‘a capacidade de estar no lugar do outro’. Eu já acho que a coisa é bem mais complexa, assim como o segundo mandamento mais importante do Cristianismo: “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Enfim, não é sobre religião que quero falar hoje e sim de uma ‘nova’ técnica de comunicação com o outro: a comunicação não violenta (CNV).

Basicamente, se trata de um processo científico contínuo desenvolvido pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, com uma equipe internacional de colegas, que defende a prática de relações de parceria e cooperação, nas quais a predominância seja a comunicação eficaz e empática, enfatizando importância de aproximação dos valores comuns entre o emissor e o receptor da mensagem.

Um dos fundamentos-chave da CNV é a capacidade de se expressar sem usar julgamentos (“bom” ou “mau”, “certo” ou “errado”). A ênfase é dada na revelação dos sentimentos e necessidades de cada um. Em outras palavras, você pode falar o que quiser com o outro, desde que use o caminho do respeito e da afetividade. Desde que se coloque no lugar do outro e fale da mesma maneira como gostaria que o outro falasse com você sobre aquele mesmo assunto. Tenho a impressão que Jesus já entendia completamente esse conceito quando formulou o seu segundo mandamento…

Canso de ver pessoas baterem no peito com orgulho ao declararem que “falo mesmo o que penso para qualquer um”. É, deve ser bem mais fácil ‘vomitar’ tudo o que se pensa como se fosse a única verdade absoluta. ‘Tratorar’ o outro não exige ‘lapidação humana’, o sistema é bruto, e pronto.

Minha experiência me provou que, muitas vezes, ficar em silêncio ante uma afirmação é um ato de amor. Mesmo que a gente saiba e veja o outro dando com a ‘cabeça na parede’ e sangrando, é preciso amor, solidariedade e, principalmente, sensibilidade para perceber se o outro pode ouvir o que temos a dizer, mesmo que a nossa intenção seja a melhor possível. Às vezes, não é o outro que precisa ouvir naquele momento. Somos nós que não conseguimos ficar com aquilo que nos incomoda no outro. O que o outro nos espelha.

Sabe, às vezes, somente podemos pegar na mão de quem sofre e rezar em silêncio para que ele possa se fortalecer minimamente para que possamos ajudá-lo. Não é o ouvido que escuta. É a alma. E não conseguimos avaliar o quanto ela muitas vezes está fragilizada e ferida.  A que se ter compaixão do outro. Assim como gostaríamos que tivessem conosco.

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