Archive for the ‘POESIA’ Category

O mar, a onda e a marola…

25/03/2017

mar profundo

 

Eu sou o mar,

Mas me comporto com uma onda

quando não me coloco no lugar do outro,

quando finjo não enxergar a mim mesma sendo refletida em alguém

que espelha, sem saber, dores imemoriais, próprias da humanidade..

Eu sou o mar, mas me comporto como uma onda

quando me precipito sobre os meus sentimentos,

quando ignoro o grito do meu Self, da minha alma

que pede acolhimento, compreensão e amor.

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando me calo frente às injustiças

quando escolho me omitir para evitar conflitos

quando me esborracho na terra firme, por não ter a humildade de reconhecer que preciso de ajuda

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando uso situações e pessoas como desculpas para não fazer o que preciso

quando reluto em aceitar os meus limites,

Quando super avalio até onde posso ir,

Quando me deixo adoecer por querer ser autossuficiente

Eu sou o mar, mas me comporto como uma marola

quando permito que o outro me desqualifique,

quando não busco os desafios, com medo de não ser suficiente

quando deixo que a ‘perfeição’ me escravize sem ter, em nenhum momento,

a possibilidade de entrar no oásis da compaixão

Eu sou o mar, mas me comporto como uma onda

quando esqueço que sou una e integrada ao universo,

quando busco a divindade e o sagrado fora de mim,

quando deixo de agradecer por estar viva todos os dias.

Mas eu sou o mar.

Profundo, misterioso, inesgotável.

Basta apenas que eu tenha coragem para mergulhar nas minhas águas

e de lá trazer todas as riquezas e diversidades que me tornam uma pessoa única em bilhões

Não quero ser onda e nem marola toda uma vida…

Busco assumir a minha extensão, mesmo entendendo que,

assim como não sei quase nada sobre o mar,

também não sei o suficiente sobre todo o meu potencial.

E me surpreendo comigo mesma a cada subida para puxar o ar,

para então novamente buscar as minhas profundezas.

Sou o mar quando me deixo levar pelas águas,ora tranquilas, ora violentas, entendendo que tudo faz parte desta trajetória divina e sagrada chamada VIDA.

Poema de Viviane Mosé

05/08/2010

Amo muito essa poesia… É uma obra de arte… certas poesias que leio calam tão dentro de mim, que perguntar carece, como não fui eu quem fiz…

TEMPO

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele
soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva e nem rancor
o tempo riscou o meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim
a vida anda passando a mão em mim
acho que a vida anda passando
a vida anda passando
acho que a vida anda
a vida anda em mim
acho que há vida em mim
a vida em mim anda passando
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo, quem anda me comendo é o tempo
na verdade faz tempo, mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando remoçando

Poema extraído do livro Pensamento do Chão (editora Record)

As idades da alma

11/02/2010

Hoje, mais do que em outros dias, tenho a necessidade de compartilhar esta poesia que fiz há alguns anos:

Minha alma não tem idade
Às vezes acordo e tenho cinco anos.
Quero brincar,
quero rir, quero as continhas brilhantes e coloridas,
quero olhar as nuvens, e nelas achar meus carneirinhos,
minhas bonecas, meus brinquedos preferidos.
Quero ainda acreditar na magia e no pó do pirlimpimpim.

Minha alma não tem idade.
Às vezes acordo e tenho 15 anos.
Minhas mãos suam, meus lábios tremem e
meu olhar desvia.
Tenho vergonha, fico tímida e revivo a intensidade
e o prazer do primeiro beijo, da primeira paixão,
da descoberta do novo.
Tenho força e sinto que posso mudar o mundo.

Minha alma não tem idade.
Às vezes acordo e tenho 30 anos.
Anseio a maternidade, desejo o encontro,
procuro a intimidade.
Vivo o amadurecimento consciente do bem e do mal,
do bom e do ruim, do céu e do inferno, do puro e do profano.
Piso a terra, mas sei que posso voar.

Minha alma não tem idade.
Às vezes acordo e tenho 60 anos.
Tenho a experiência e quero dividir.
Posso acolher,
posso conceber,
posso me compadecer e me reconhecer.
Oferecer a tranquilidade e a sabedoria do tempo, que não pára, que cura, que cicatriza…

Minha alma não tem idade.
Às vezes acordo e não sei quantos anos tenho e
nem quantos se passaram.
Em meu coração, apenas a certeza de que pertenço à humanidade,
sem rosto,
sem idade,
sem identidade.
E é na alma, repleta de amor e recordações, que sinto todas as idades, me mostrando uma vida rica e preciosa.
E é lá que encontro o meu grande tesouro, uma linda colcha de retalhos,
única, original e que leva a minha assinatura.
Nela está escrito VIDA!

Saber Viver

26/11/2009


Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura…
Enquanto durar.

 (Cora Coralina)

O convite

17/11/2009

Autora: Oriah Moun 

Não me importa o que você faz para sobreviver. Quero saber qual a sua dor e se você tem coragem de encontrar o que seu coração anseia.
Quero saber se você se arriscaria parecer com um louco por amor, pelos seus
sonhos e pela aventura de estar vivo.
Não me importa saber quais planetas estão quadrando sua lua. Quero saber se você tocou o âmago de sua tristeza, se as traições da vida lhe ensinaram, ou se você se omitiu por medo de sofrer.
Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se
mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.
Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se pode
dançar com selvageria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite, sem
lembrar de suas limitações de ser humano.
Não me importa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da traição e não trair a sua própria alma.
Quero saber se você pode ser fiel e conseqüentemente fidedigno.
Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não sejam bonitos todos
os dias, e se pode perceber na sua vida a presença de Deus, ou do cosmos,
ou do que acredite que seja maior e transcendente.
Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar
em pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia…. “Sim”!
Não me importa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e desespero, exausto, e fazer o que tem de fazer para as crianças.
Não me importa saber quem você é, ou como veio parar aqui. Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo, sem recuar.
Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou. Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba.
Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta
da companhia que carrega em seus momentos vazios.
Estarei escutando se e quando quiser me contar. É só chamar ou avisar.

Meu caminho

14/10/2009

Quando houver oportunidade

vou seguir meu caminho

mesmo que tenha que ir sozinho

vou morar em uma cidade

onde as pessoas dizem somente a verdade

pode ser que eu não consiga

mas a brisa irá me guiar

e me levar para as coisas mais simples da vida

que são aquelas que me fazem acreditar

que o dia de amanhã irá brilhar.

 

YASMIM PAGNONI BARBOSA

Mais uma colaboração desta talentosa jovem.

Ode a uma guerreira

05/10/2009

Guerreira3

Eu te saúdo minha guerreira!

Nesse momento em que retornas após enfrentar tua batalha

Tua guerra é travada com coragem e determinação

Honras e respeitas o teu oponente e vês nele a

mesma força e humanidade que te compõe

Venha para os meus braços minha guerreira e

descansa sua cabeça em meu peito

Te acolho em nome do amor que carregas dentro de ti

Lavarei e cuidarei de tuas feridas,

Secarei suas lágrimas e compartilharei

tuas dores e lamentos

Vem, relaxa, fecha teus olhos e me entrega tua doce alma

Te alimento e te preparo para uma nova batalha

Suas irmãs e seus irmãos te reverenciam e

reconhecem seus feitos

Não buscas glórias e sim justiça

Em meu braços sempre terás esse descanso e esse remanso

Guerreira eu te saúdo e te abençôo

em nome da Mãe, que nos vela,

do Pai, que nos protege,

do Filho que nos liberta e

do Espírito Santo que nos purifica!

Autora: Ana Carolina Martins

Uma homenagem a Mercedes Sosa

 

02/10/2009

VOCÊ FOI

Nas influências do mal

um tal coração

puro e fatal

 me matou tentando

me ajudar

 foi em busca de novas

liberdades

me deixando fora da realidade

me deixou para viver o que é a verdade

mesmo chorando e sofrendo

vi, e senti um coração doendo

que só não sangrou porque o

homem lá de cima não deixou.

Autora: Yasmim Pagnoni Barbosa