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Vida online pode atrofiar o cérebro!

11/04/2017

cerebro atrofia

Estava eu assistindo a um programa na TV Cultura, sobre essa geração que vive 24 horas online, quando o entrevistado ‘disparou à queima roupa’ a seguinte informação: que esta geração corre o risco de ver seu cérebro atrofiar mais rapidamente do que imagina. A jornalista que o questionava, surpresa (tanto quanto eu) com a declaração, perguntou: “Como assim por exemplo?”. Ele explicou então que, para ficar forte, o cérebro precisa de exercícios mentais diários. Ele precisa sair das ações, processos e pensamentos ‘automáticos’ e realizar coisas que exijam mais atenção e concentração.

E o que isso tem a ver com a geração on-line? Tudo. Já reparou que quando usamos os apps, como o WAZE, dirigimos de forma automática, segundo apenas as instruções? Agora, veja só: antes do GPS, quando tínhamos que achar algum endereço, precisávamos estudar o caminho, fazer links e pontes com ruas conhecidas, planejar e estimar o horário para não haver atraso, parar e perguntar para outras pessoas e, decorar mais ou menos o caminho para poder voltar no percurso mais rápido possível.

Hoje, os apps de GPS nos levam ao endereço pelo caminho mais rápido, ou você ode optar pelo mais seguro, pelo que tem menor chance de congestionamento, além, de oferecer um horário estimado (geralmente correto). Nem precisamos nos preocupar com as placas de velocidade máxima (informadas pelo GPS), e ainda com os radares de velocidade e lombadas avisados com minutos de antecedência. Né? Trabalho para o cérebro: zero.

E isso pode ser estendido a outras questões. Tudo é instantâneo. O entrevistado deu o exemplo da compra de um terno. Antes, era preciso pesquisar, perguntar para outras pessoas sobre a qualidade e o preço, pegar o endereço, localizar corretamente a loja e planejar como chegar lá, seja de transporte público, seja de carro particular. Já na loja física, conversávamos com a balconista ou atendente, víamos outras opções, discutíamos o valor e a maneira de pagar, e, por fim, íamos embora pra casa felizes (ou não) com a aquisição.

Hoje, apenas alguns cliques e todo esse processo a alguns segundos de atenção. Você recebe em casa, paga via internet, e se não gostar ou não servir, a empresa manda buscar no seu endereço e troca. Ou seja, trabalho para o cérebro: uns 5%, quiçá!

E no smartphone então? Com o tempo, o aparelho reúne as palavras mais usadas por você no dia a dia, e, quando você começa a teclar/digitar, a palavra aparece inteira e correta, é só clicar. Assustador! O mesmo acontece nos buscadores como o Google e o Yahoo. Nem a pergunta temos mais que redigir. Basta colocar o assunto e já aparecem dezenas de questões que já foram realizadas com mais frequência no buscador. Medo!

Já não é de hoje que os cientistas constataram que o cérebro se atrofia quando praticamos os mesmos caminhos para resolver e solucionar problemas. O segredo é praticar pelo menos três exercícios mentais diferentes diariamente, que exercitem as áreas menos usadas, criando novas possibilidades. É a chamada plasticidade cerebral, capacidade que o cérebro tem em se remodelar em função das experiências do sujeito, reformulando as suas conexões em consonância com as necessidades e dos fatores do meio ambiente.

E não pense que fazer palavras-cruzadas é suficiente, pois, geralmente, têm suas resoluções repetidas em quase todos os exercícios e, após algum tempo, a resposta chega pela memória, ou seja, de forma ‘automática’. É assustador caminhar sem saber para onde se está indo…

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