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Nossa juventude está apática

05/09/2018

apatia

A palavra ‘apatia’ é um substantivo feminino, que, para a filosofia, define um estado de insensibilidade emocional ou esmaecimento de todos os sentimentos, alcançado por meio de uma ampliação da compreensão filosófica. Para a área da saúde mental, mais especificamente para a psicopatologia, é o estado caracterizado pela indiferença, ausência de sentimentos, falta de atividade e de interesse, e, por extensão, falta de energia (física e moral), falta de ânimo; abatimento, indolência, moleza. Mas o que me interessa mesmo é o significado do verbete para o dicionário: estado de alma não suscetível de comoção ou interesse; insensibilidade, indiferença. Vou resumir: apatia hoje é sinônimo da atual ‘juventude’.

Triste demais chegar à essa constatação, assim, de chofre. Ainda mais quando decidi investir na educação de forma holística. Sim, eu sou professora particular e atendo aqueles que podem, além de estudar em um colégio privado caríssimo, pagar por horas/aulas particulares. E o que se vê neles? Total apatia. Total falta de significados e significantes. Uma expressão blasé tão literal que choca, surpreende. O que mais ouço quando pergunto a eles do que mais gostam é: “nada em especial…”. E por aí vai: música? “Não me lembro de nenhuma”. Livro? “Somente os que a escola nos obriga a ler?”. Notícias? “Não tenho interesse”. Poesia? “Detesto, não entendo”. Difícil, viu?

E pensar que eles dispõem de uma das mais potentes e incríveis tecnologias já inventadas pelo homem, a internet. É possível aprender de um tudo pelos tutoriais disponíveis em forma de vídeo ou em texto com imagens. Até mesmo desentupir uma privada. Nem quero entrar no mérito do universo do conhecimento, estudos, música e livros disponíveis e gratuitos… o mundo na ponta dos dedos, mas, para eles, o mundo se resumo ao que os outros pensam deles e como ficar bem na fita das redes sociais.

Ok, é fato que hoje a convivência social de crianças e adolescentes, infelizmente, se resume ao ambiente escolar apenas, somando-se aí as atividades extracurriculares. Não há espaço social para que eles, de fato, possam exercitar as interações humanas e desenvolver competências para “afinar o instrumento, de dentro para fora e de fora para dentro” – ou seja, por meio dos processos interativos, o ser humano se transforma num sujeito social e evolui. A partir de seus relacionamentos e vínculos afetivos aprende e ensina, fazendo de fato diferença no mundo.

Falta sangue, falta curiosidade, falta erotismo, falta paixão por si mesmo e pelo outro. O outro é singular, diferente, único, encantador, complexo, e, sem dúvida nenhuma, apaixonante. Entendo perfeitamente porque o Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica, apaixonava-se por seus pacientes. Como evitar isso quando olhamos verdadeiramente nos olhos de alguém, ouvimos de fato o que está dizendo, lemos suas reações e nos maravilhamos com a perfeição divina do ser humano e toda a sua complexidade e dualidade? O pior sentimento do homem não é o ódio ou o medo, é a apatia.

“Um ser humano só cumpre o seu dever quando tenta aperfeiçoar os dotes que a natureza lhe deu” – Hermann Hesse