Todo cambia…

Se hoje eu saísse para uma entrevista seletiva profissional e me deparasse com a clássica pergunta: “Qual é o seu maior defeito, ou sua maior dificuldade?”, não hesitaria: “Sou refratária a mudanças. Não tenho dificuldades em me adaptar a qualquer mudança, mas quando ela me é proposta, a primeira reação é absolutamente negativa, com um misto de pânico e má vontade. Na medida em que vejo não haver outra saída e que essa mudança é inadiável, forçosamente busco recursos internos e de fato me adapto, geralmente admitindo, passado algum tempo, que essas mudanças me foram altamente positivas e benéficas.”
Dito isso, rememorei recentemente uma caminhada por uma trilha de dificuldade grau 3, que levou mais de 3 horas e meia para ser completada em Extrema (MG), na qual levei diversos tombos na descida, por conta dos meus tornozelos inchados. A cada queda, xingamentos, reclamações e muita, mas muita irritação. Foi quando o guia se virou pra mim e disse: “É assim que você costuma se levantar das suas quedas?” Já contei essa história em um dos meus blogues. Fiquei com a cara no chão. Com vergonha da minha reação diante de uma coisa natural e, muitas vezes, absolutamente necessária como a queda.
Volto de novo aos dias de hoje. A vida vem e avisa. Depois, cutuca. Ah! Não tá ouvindo, não tá entendendo? Porrada!!!
Então, tempos sabáticos me “bateram” por mudanças.
Muita gente pode achar que estou exagerando no que diz respeito a sincronicidade, mas tudo começou quando resolvi fazer aulas de pilates.
Meu órgão de choque emocional sempre foi a coluna vertebral. Com 7 anos já era corrigida pelas professoras de educação física pela postura de quem “carrega o mundo nas costas”. Claro que com o tempo, apesar de sempre ter feito atividades relacionadas à dança, fiquei com alterações ósseas que hoje são “incorrigíveis” e um encurtamento peitoral que luto ferozmente para reduzir. Esse “abrir o peito” me é absolutamente fundamental. Significa me abrir para o outro, me abrir diante das minhas dificuldades e fragilidades, significa acreditar que verdadeiramente não estou sozinha e que o universo responderá a minha fé “cega”. Acreditar que também sou digna de amor incondicional.
As primeiras aulas, além de muita dor, me trouxeram também mudanças de vida “estruturais”. Fui “convidada” a rever minhas bases. Mexi em “músculos” e “nervos” enrijecidos pelo tempo, hábitos, conveniências e costumes.
No auge da crise, quando tudo parecia desmoronar, tomei uma decisão: tirei uma folga do trabalho e resolvi fazer uma faxina completa no meu apartamento. Comecei às 8 da manhã e terminei por volta deste horário mesmo à noite. Lavei batentes de portas, janelas e até as paredes. Deixei tudo limpo e organizado. No apartamento e dentro de mim também é claro. Me organizei e o impulso de renovação me veio naturalmente. Também busquei forças nas minhas experiências biodanceiras e convidei Mercedes Sosa para dançar. Esperei Davi dormir e coloquei a música “Todo cambia”. Dancei de pés no chão, como os indígenas do Peru (tive o privilégio de ir até lá há alguns anos), buscando equilibrar as energias entre os pulos que dava: mais suavidade e firmeza para pisar o chão e mais encantamento enquanto conquistava o ar.
A vizinha deve ter pensado que estava doida. O fato é que reverti a energia e me permiti abrir espaço para o novo. De repente, o universo começou a me dar verdadeiros “presentes”, me forma de “sonhos-respostas”…
Me lembro daquele ditado que diz: colherás o que semear. Então… resolvi aceitar com agradecimento os retornos que estou tendo.

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2 Respostas to “Todo cambia…”

  1. Jose Carlos Vieira Says:

    Samuel Aun Weor, mestre maior da Gnose sentenciava : ” O trágico em nossas vidas não são as quedas, mas sim nossa incapacidade de nos reerguemos ” . As quedas possivelmente pelas belas e ” sagradas ” montanhas de Extrema que se avizinham de Joanópolis, deviam fazer parte de um roteiro de desafios e descobertas para termos mais consciência do nosso “caminhar” , da mesma forma que a adoção de algumas práticas corporais têm o condão de despertar memórias que estavam adormecidas e muitas vezes prestes a se perderem definitivamente por inércia e atrofia. Sabemos que muitas espécies perderam funções pelo desuso, como peixes, batráquios e outros seres habitantes de escuras cavernas, que após algumas gerações sofrem mutações genéticas e perdem órgãos, como p.e. olhos. O “Pilates” que tem concepção corporal muito diferente dos vários tipos de ginásticas classificadas como “modernas” está mais próximo da visão holística, em que não há fragmentação e por isso ativação de partes do corpo reverbera no todo. A coluna vertebral é a árvore da vida e como leciona Jean -Yves Leloup “reencontrar a coluna vertebral é reencontrar seu eixo e o eixo do mundo” . Nada é “incorrigível” ou irrecuperável, melhor talvez fosse dizer tudo é transmutável , adaptável, basta que percorramos o aprendizado constantemente oferecido pela vida. Quando inopidamente adotamos atitude de nos afastarmos das obrigações cotidianas, como o trabalho formal por exemplo, para executarmos tarefas inabituais, ( faxina doméstica ) estamos no caminho do despertar, recorrentemente proclamado pela filosofia hinduísta, que adverte, contudo, não ser “o despertar o destino mas sim a jornada ” . A consciência de que esse ato assume conotação psicológica, diante do clamor ou apêlo do corpo para uma “limpeza” interior, é outro indicador a revelar a abertura para outos planos. A belíssima música da imortal Mercedes, é um hino às contínuas mutações da vida em todos os seus planos. Tudo está cambiando a todo instante e isso é truísmo nas várias tradições sapiensais e religiosas, principalmente o budismo, taoísmo, hinduísmo, lastreado em mística fascinante e consoladora. Fazer uma “faxina” com música muito bem escolhida e adequada, como convém à biodanza, para induzir à dança é um privilégio . Com esse chamamento os “deuses” nos ocupam e ajudam efetivamente a “limpeza” tão necessária que saneia o caminho para a presença do “amor incondicional” e outras necessidades. Por vezes vedamos a porta para a plenificação angélica em nossa ser, esquecidos que estamos de sermos seres alados e temos que exercitar a euforia como poetou Menotti Del Picchia : ” goza a euforia do anjo perdido em ti. Não indaguees se nossas estradas, tempo e vento desabam num abismo. Que sabes tu do fim ? Desde que nascestes não és mais que um vôo no tempo rumo aos céus? Que importa a rota ! Vôa e canta enquanto resistirem as asas. ” É isso : que você possa voar pelas mais lindas paragens, sem esquecer de voltar, bem entendido, para alegria de Davi e dos que como ele a amam, até que adquiras forças e possa tansportá-los todos em suas asas rumo ao infinito. Beijos

  2. Carol Says:

    Nada como sentir na pele… Nada como experenciar para se fazer entender…
    Beijos,
    Carol.

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