Tempos sabáticos

Ainda fico impressionada em ver meus desejos serem atendidos tão prontamente pelo universo, por caminhos que sequer ousei imaginar. Então, qual foi mesmo o meu desejo na virada do ano? Simplificação. Uma vida mais simples. Reduzir a marcha das cobranças e obrigações impostas internamente em resposta ao externo, e me permitir chegar a um limite quase “vegetativo”. O objetivo esse ano é viver intensamente o presente, as possibilidades do aqui agora. Esse foi o meu desejo.
Então, o universo, generoso e divino, me ouviu e fez o convite. Daí que entrei em uma barca que me forçou a suspender meus inúmeros planos e me pôs em compasso de espera. Aqui estou eu, em pausa. Simplesmente vegetando. Esperando… não sei ainda o quê. Apenas me permitindo viver um dia de cada vez, uma hora de cada vez, um minuto de cada vez.
A palava sabático me veio forte e constante. Pesquisei no Google e cheguei a uma definição próxima do que estou vivenciando:
“Tempos sabáticos, retiros espirituais ou a inserção da meditação no meio de um dia. O termo é derivado de ‘sabá’, o qual vem do hebraico shabbath, que no Gênesis refere-se ao descanso do sétimo dia, após os seis dias de trabalho na criação do mundo. A palavra assemelha-se ao verbo shavat, que significa “cessar”. O ano sabático, grosso modo, seria um período em que a pessoa pensa na vida. Desprogramar, descondicionar, deixar de vez velhos preconceitos, hábitos, crenças é o caminho normalmente perseguido pelos sabatizados.”Portanto, não posso assumir nesse momento qualquer tipo de compromisso além daqueles que são inerentes à minha sobrevivência e à do meu filho.
Não sei dizer quando vou visitar minhas irmãs e mãe. Não sei dizer em quais festas, comemorações, almoços, aniversários, ou visitas irei. Não sei quando e se vou cortar o cabelo ou pintá-lo. Apenas não sei e não quero saber.
No ano passado, perto desse mesmo período do ano , meu carro foi roubado e passei três meses sem motorização. Hoje, lembro com saudades desse período. Me sentia tão feliz e plena… Simplesmente porque sem carro me desobriguei de inúmeras coisas e passei a curtir apenas o que estava perto e fácil. Curtia ir ao jornal a pé e voltar à noite, olhando o movimento das pessoas na rua, cuidando, dentro do possível, da minha segurança… sentindo a brisa e o calor próprios da época…
Os programas com Davi ficaram mais simples e mais coloridos. Um passeio para tomar um sorvete era tudo de bom. Nadar na piscina do prédio, que por vezes nem lembro que existe, ou ir às festas da Igreja São José, que fica ao lado de casa… Enfim, um período em que me senti mais viva do que no restante do ano.
Acho que essa experiência no ano passando, uma espécie de preâmbulo, agora se reverteu em um novo convite. Embora meu carro não tenha sido roubado, fui novamente convidada a “tempos sabáticos”. Simplesmente parei. Não consigo nem escrever para o blog. E, somente o farei quando for uma necessidade de alma. Sem compromisso, sem exigências, sem obrigação… Tempos sabáticos pra mim… Eu mereço…
Rosarinho, vida simples… Aguardo seu convite para o bolo de fubá com café…
Deixo para vocês esse verdadeiro tesouro escrito por Oriah Mountain Dreamer. Amo muito esse texto…

O CONVITE

“Não me interessa o que você faz para viver. Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.

Não me interessa quantos anos você tem. Quero saber se você se arriscaria a aparentar que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa quais os planetas que estão em quadratura com a sua lua. Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.

Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la. Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira. Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro com você mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser leal, e portanto, confiável.

Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não seja bonito todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida da presença de Deus. Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim!

Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito para as crianças.

Não me interessa quem você é, como chegou até aqui. Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.

Não me interessa onde ou o que ou com quem você estudou. Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa. Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que consegue nos momentos vazios .

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9 Respostas to “Tempos sabáticos”

  1. Vera Says:

    Carol querida, é simplesmente uma “verdadeira carapuça” esse seu texto para mim. Entretanto, apesar de pensar exatamente como você, em não querer fazer nada que possa “movimentar” demais os músculos, estou num verdadeiro dilema – não conseguir dar conta de tudo o que preciso fazer. E olhe que não faço grandes planos. Só os básicos mesmo! Esse processo vegetativo é invejável, talvez acessível a uns poucos, que verdadeiramente se “descolam” do que não é realmente importante e partem sem lenço e sem documento para o que é fundamental.
    Eu chego lá. Acredito que estou começando esse longuíssimo percurso, mas chego lá.
    Beijos
    Vera Graça

    • Carol Says:

      Oh Verinha, quisera eu que tivesse sido uma decisão assim tão consciente… Não foi. As circunstâncias me trouxeram ao nada e me obrigam a ficar aqui até que consiga e possa ir além. É exatamente isso, às vezes o universo manda exatamente aquilo de desejamos, mas por caminhos que não imaginamos. O meu “descolamento” foi imposto pela vida e não escolhido por mim. Mais uma vez “aprendo as delícias” da simplicidade. Saudades de vocês…
      Beijos,
      Carol.

  2. Paulo Corrêa Neto Says:

    Carol
    É verdadeira a Frase: A FELICIDADE ESTÁ NAS COISAS SIMPLES.
    Beijos e Abraços
    Paulo

  3. claudia Domingos Says:

    Querida Carol…adorei a idéia…estou precisando muito de tempos sabáticos..acho que estamos chegando à exaustão. bjs no coração de vcs dois. Espero que nesses tempos possamos nos rever e principalmente rever o David.

  4. Carol Says:

    Claudia sempre presente e sempre querida… Tudo vem a seu tempo e, embora eu não tenha tomado a decisão de forma consciente e sim “obrigada” pela vida, estou curtindo muito e agradecendo por essa oportunidade. Vamos nos ver sim… Afinal, teremos ainda a comemoração da adoção legal de Davi né?! Beijos,

  5. Maria Nilva Says:

    Carol querida, adorei o texto. O meu tempo sabático acho que está terminando, pois estou num momento muito eufórico. Acredito que não sem tempo, pois há quase três anos vivo esse momento……e tenho certeza que foram anos importantes para o meu crescimento e conhecimento. Hoje me sinto mais forte e mais feliz quem sabe e por isso mesmo resolvi fazer uma viagem. Vou viajar dia 11 mas quero te ver antes. Vou te ligar tá?
    um beijo a você e ao Davi.

    • Carol Says:

      Nilva, fico tão feliz por você… Você é uma pessoa especialíssima pra mim e ver sua animação é bom demais. Me ligue por favor quando quiser… Beijos,

  6. Maria Ignês Says:

    Carol querida, realmente a vida nos leva por lugares, caminhos, sentimentos, posturas e sei lá mais o quê, sem imaginarmos.
    Aconteceu muito comigo. É muito estranho como tomamos nossas rumos, eu pelo menos, sem saber onde ia dar. Mas , graças a Deus e ao Universo, “se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi”.
    Mas o ócio é criativo, com já disseram. Parabéns pelo texto. Você merece deitar e rolar com Davi. Aproveite é muito bom. As vezes nós não escolhemos os nossos caminhos, eles nos escolhe e nós vamos, não tem outro jeito. Confie sempre. Amos você, bjs

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