Já pisaram no seu pé hoje?

Quando ainda estava na faculdade, em São Paulo, época em que meu pai ainda era vivo, defendia para todo mundo a tese de que é muito fácil pisar no pé das pessoas e depois simplesmente pedir descupas, virar e ir embora. Nunca concordei com isso. Embora entenda que, muitas vezes,mesmo que o agressor (pisador de pé, neste caso) não tenha intenção nenhuma de ferir a vítima (aquela do pé pisado) é inevitável que a vítima sinta, por muito tempo ainda, a dor e consequências deste ato involuntário. Ou seja, não é porque pedimos desculpas sobre algo, que a dor desaparece e a raiva vai junto.
Antes de perdoar verdadeiramente o agressor, é saudável que a vítima se permita ter raiva, sinta a dor, e externe seus sentimentos. Isso é humano…A próxima etapa é justamente cuidar do dedão vermelho e irritado, lamber a própria ferida. Somente depois disso, com o pé cuidado e tratado e o sentimento raivoso acolhido, talvez o agredido possa então então respirar e verdadeiramente ouvir, não só o pedido de desculpas da pessoa descuidada que quase arrancou fora seu dedo, mas perceber que ela também sofre por ter sido a agente causadora daquela dor.
Os sentimentos chamados “negativos” em nossa sociedade são frequentemente contidos e negados. Aí, vira a vítima, roxa de dor, e lança: – Não foi nada! Eu sei que não foi sua culpa…- antes mesmo de se permitir sentir a dor, avaliar o estrago e a extensão dos prejuízos.
Agora pergunto, depois de passar isso na pele a pouquíssimo tempo: o que sentimos quando somos nós os algozes da situação? Os que “involuntariamente”, sem qualquer intenção, pretensão ou controle, nos tornamos protagonistas de uma situação penosa contra quem amamos?
É uma posição solitária e que exige passividade e aceitação. Existem casos que não podem ser reparados ou indenizados.
Embora a vítima diga que não é nossa culpa, ela sente nesse momento muita raiva, impotência e frustração pela situações desencadeadas. Até por que, as perdas materiais, físicas e psíquicas, muitas vezes são intensas.
No meu caso, fiz a única que pude: reconheci a situação, validei e entendi sua raiva, assumi a minha parte, demonstrando a minha tristeza e dor, continuo a amá-la e, simplesmente, espero. Espero que ela se “cure”, não apenas fisicamente como psiquicamente. Espero que consiga digerir seus sentimentos relacionados a toda essa situação. Espero que possa tomar as melhores decisões para resolver as novas demandas desencadeadas e, que, de verdade, consiga me perdoar pelos meus defeitos e inconsciência.
Aguardo a vida e o tempo passarem para ambos os lados e estou pronta a aceitar as consequências e reflexos das minhas ações. Ações acarretam mudanças.
Se errei, reconheço, me desculpo, me corrijo, aprendo e sigo em frente. Assim é a vida…

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2 Respostas to “Já pisaram no seu pé hoje?”

  1. Antonio Carlos Says:

    Carol, quando VOCÊ vai escrever o seu livro??? eu ja tenho a sugestão para o título…. “Contos vividos em um divã.” by Carol
    acho que tá tomando forma… seria um livro para ler no dia a dia… abriu uma página… puf… tá lá!!!! e poderia usar a seguinte frase no final de cada texto… É O QUE TEM PRA HOJE!!!
    bjs. com amor, carinho e saudades.
    AC

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