Para se viver um amor…

Para se viver um amor é preciso estar absolutamente feliz e satisfeito com o que se construiu na vida. Ser profundamente grato por estar vivo e participar deste grande experimento divino. Ter um quê de auto-suficiência, não para descartar o outro, mas para não jogar em cima dele a responsabilidade de resolver o que apenas nós mesmo podemos fazê-lo. Para poder compartir, compartilhar do melhor e esperar compreensão e solidariedade para o pior.
É preciso auto-conhecimento e uma boa dose de maturidade.
É preciso já ter vivido paixões incendiantes, daquelas de se consomem em poucos meses e nos levam a novos patamares de prazer e erotismo. É preciso já ter acreditado que o outro é você e você é o outro, para depois entender que o paraíso eterno é uma ilusão. Que somos indivíduos complexos e que não podemos nos fundir e muito menos nos perder no outro. Que a diferença enriquece, nos reflete e ensina. Que as afinidades nos aproximam e comungam.
Para se viver um amor é preciso se sentir repleta de bençãos e de afetos de todos os tipos, (família, e amigos). Vivenciar a espiritualidade e a fé. Saber, sem sombra de dúvidas, qual o nosso valor e quais valores defendemos neste mundo.
Para se viver um amor é preciso compaixão. Ter aprendido a tirar o olho do próprio umbigo para se descobrir no umbigo do outro. É preciso não ter perdido a visão encantadora e pueril da infância. Ser tão moldável, inodora, límpida, imperativa e determinada quanto as águas de um riacho.
Para se viver um amor é imprescindível se sentir bela. Parar de correr atrás da juventude e aceitar que cada estágio da vida apresenta suas compensações. Que Deus foi perfeito quando determinou que o envelhecimento de nossos corpos fosse compensado com sabedoria e paz interior.
Para viver um amor é preciso trabalhar como o ourive, usando de paciência e de maestria para lapidar e revelar o ouro e os tesouros do companheiro. Aprender com os alquimistas que as transformações exigem tentativas e experiências e que os erros são a ponte que nos leva às grandes criações e descobertas.
Para viver um amor é preciso desenvolver o potencial materno, independentemente de ser mulher ou homem. Cuidar do outro sem esperar nada em troca exige incondicionalidade de afeto e generosidade, o que somente pode ser alcançado quando já recebemos o suficiente para nos alimentarmos e já temos excedente para ser doado.
Para se viver um amor é preciso estar aberto para participar da conspiração do universo. A que ser um encontro casual e cotidiano: na fila da padaria, durante as compras no varejão, abastecendo o tanque de gasolina, no teatro infantil, no parquinho, na calçada, enquanto se caminha sob o sol, festejando a vida.
Para se viver um amor é preciso que isso seja desejo da alma…

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10 Respostas to “Para se viver um amor…”

  1. paulo.barretto Says:

    Eu não sei se tenho tudo isso que você diz aqui, mas eu quero muito viver um grande amor.

  2. Carol Says:

    Se você ainda não tem, tenho certeza que logo terá… Só deixe fora o “grande”, que carrega algumas expectativas e projeções. Fique com o amor apenas. Hoje em dia, viver um amor já é algo extraordinário…
    Beijos e muito boa sorte,
    Carol.

  3. andrea Says:

    vc esta apaixonada?

    • Carol Says:

      Você foi a segunda pessoa a me perguntar isso depois que publiquei o post. Não estou apaixonada por um homem, mas pela vida de forma geral. Me sinto pronta para uma nova paixão com o masculino. Quem sabe?

  4. Maria Ignês Says:

    Carol, como dizia Vinicius: ” Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso ter muito peito – peito de remador”……
    “Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto – pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente – e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia – pra viver um grande amor”
    E ele termina:
    ” Mas tudo isso não adianta nada, se nesta ” selva oscura” e desvairada não souber achar a bem-amada – para viver um grande amor”
    É mole? não é fácil não, como você mesmo diz. Mas que vale a pena, vale.
    Beijos

  5. Maria Nilva Says:

    Será que um dia estarei preparada? Acho que tenho alguns bons anos de vida ainda, portanto, espero poder viver esse amor tão desejado.
    Beijos
    Nilva

    • Carol Says:

      Nilva querida,
      Quando estamos abertas ao universo, eu acredito que ele manda uma resposta. Espero que possamos viver sim, não um grande amor, apenas um amor. Uma relação amorosa entre homem e mulher hoje em dia já é algo extraordinário!!!!
      Beijos,
      Carol.

  6. Jose Carlos Vieira Says:

    A estética do enunciado sobre o “amor” é sedutora pelo conteúdo e pela forma como se colocou. Todo o postulado está empiricamente lastreado e desenganadamente o “amor” é um dos três temas mais presentes na poesia, filosofia e artes, de todas as tradições e teologicamente remonta à “queda” quando perdemos o paraiso e passamos a coabitar com satã e buscar a companhia (que já detinhamos) do sexo oposto para nos completarmos. Outra leitura mitológica foi feita por Aristófanes ao enunciar ser o homem originalmente uma esfera contendo os três gêneros : macho, fêmea e andrógino mas estes pretendiam escalar o céu para combater os deuses, motivando Zeus a cortá-los em dois mas percebendo o equívoco , compassivamente cria-lhes a lascívia. Esse conhecimento mitológico , em momento de inquietação, fez-me escrever poema “Eros Voluptuosus” , reproduzindo suas duas primeiras estrofes, para melhor ilustrar meu despretensioso discurso : ” Insondáveis mistérios da cosmogonia, conformaram gêneros humanos amalgamados e, por desafiadores dos deuses, atrairam a ira de Zeus o qual, ameaçado no Olimpo, cindiu-os ao meio, apartando masculino feminino que, tomados por insuperável solidão, iniciaram agônica busca da metade perdida, ensejando o nascimento de Eros, irônicamente por decisão de quem os separara. Evento criador da profana lascívia achegada à porta do templo, para receber o amor sagrado e veraz , com as polaridades macho e fêmea encontrando-se frontalmente, envolvidas pelo anseio do prazer fonte da perpetuação da espécie, culminando em sublime comunhão….” Dessa matriz teo-mitológica a literatura fartou-se na filosófica criação do “Banquete” de Platão, referência compulsória para se conhecer o “amor” , sublime como se quer mas da mesma forma as ardentes e trágicas paixões contidas na lenda céltica de “Tristão e Isolda” ; o amor impossível de “Romeu e Julieta” , magistralmente criado por Shakespeare ; e a real experiência vivida por Abelardo e Heloisa . Essa evocação para assinalar haver o amor perdido tanto de beleza e fascínio na esteira de outras demolições da contemporaneidade . Esse fenômeno já fora detectado por Nietzsche , posto que , das onze etapas da evolução do amor, concebida pelos gregos, ficamos atados à primeira (Pornéia) que revela o amor infantil, consumidor do outro, distanciando-nos da “mais sublime versão:”Ágape” , o qual nada exige, compreende, ajusta-se, conforma-se, sublima-se com a felicidade do outro…” ou seja o amor transbordante . O amor exigente de maturidade e “que precisa estar aberto para participar da conspiração do Universo ” , despoja-se para cuidar do outro e de preservar o objeto cuidado. Amar verdadeiramente não é a simples e fugaz fusão dos corpos mas é a auto-sobrevivência através da alteridade. Desejo e amor não se coadunam . Internalizei poética visão de Rilke sobre o amor e a tenho como mantra : ” Nunca entendi como um amor genuino, elementar, totalmente verdadeiro pode permanecer não correspondido, pois ele não é outra coisa a não ser o apelo urgente e venturoso ao outro para que seja belo, abundante, grande, intenso, inesquecível : nada senão o transbordante compromisso de que o outro se torne alguma coisa ….” É isso o amor é uma vastidão mal cabe no coração.. Beijos

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