Os riscos do homem jovem

Notícia divulgada hoje e que editei ontem: embora a expectativa de vida do brasileiro tenha aumentado, o risco de morte para homens jovens é quatro vezes maior que o de mulheres jovens, segundo o último levantamento do IBGE. É apavorante… ainda mais para quem tem filhos homens…
Uma outra pesquisa internacional também concluiu que em todas as faixas de idade os riscos de morte dos homens é maior que o das mulheres, e que eles são as vítimas mais prováveis de acidentes, homicídios e suicídios. Para os homens na faixa dos 20 anos, 80% do risco de morte é por esses motivos. Aos 50, essas causas diminuem, e doenças cardíacas ocupam o primeiro lugar, causando mais de 30% de todas as mortes de homens dessa idade.
É de sempre que eu sei que os homens morrem mais: morrem mais por problemas no nascimento, morrem mais quando prematuros, se envolvem mais em acidentes fatais na infância, em acidentes de carro, brigas, violência gratuita, criminalidade, drogas, alcoolismo… Os homens, sozinhos, sem mulheres ou cuidados femininos e maternais sistemáticos tendem a desenvolver toda a sorte de doenças e uma tendência maior ao suicídio. Se alimentam e se cuidam mal…Ai! que preocupação com meu pequeno grande Davi!!!
Na pré-história, a necessidade de sobrevivência e de defesa do território justificava o alto nível de testosterona no organismo masculino. Muito embora a mulher contemporânea seja refém de seus ciclos hormonais, não é menos verdade que o sexo masculino também “pene” com seus níveis hormonais, principalmente na adolescência. E eles refletem organicamente de forma preponderante nessa faixa de idade, fazendo com que o menino, muitas vezes, perca o senso de realidade, de finitude, de risco e faça uma avaliação “incorreta” de sua própria fragilidade: se sente indestrutível e intocável, sem sê-lo.
Me desespera perceber que o mundo masculino está tão empobrecido. Não há atos ou trajetórias heróicas a serem realizados e cumpridos. Não há heróis ou ídolos que possa ser apontados como referência histórica ou social. Não há ritos de passagem definidos, como os que ocorrem em tribos indígenas, cujo objetivo, além de marcar uma nova etapa é o de ensinar o respeito ao Antigo, à tradição, aos antepassados. Hoje, não há o repasse sagrado e fundamental do “ser homem” de uma geração para a outra.
Me pergunto quais serão os “mestres” de Davi? Que comportamentos e exemplos ele irá imitar? A falta de uma definição mais clara sobre os valores e papéis masculinos pesa…
Existem coisas deste mundo que sequer imagino e que não tenho condições, e nem deveria, de ensinar ou repassar ao meu filho.
Reflito, buscando maneiras de subsidiar meu pequeno, o máximo possível, com instrumentos internos para que ele possa fazer suas escolhas.
Para o autor Robert Bly, a história do mundo ocidental apresenta dois eventos que justificam o afastamento dos homens daquilo que ele chama de verdadeira masculinidade: o advento do cristianismo e a Revolução Industrial. Como consolidação desta crise, ele lembra o impacto do movimento feminista dos anos 60 e 70.
Para ele, o advento do cristianismo marcou o fim da era pagã na Europa e o início de uma forma de raciocinar que anulou o pensamento mítico. Os mitos desapareceram… A reverência, a sacralidade sobre aquilo que não sabemos e não entendemos completamente foi suprimida da vida cotidiana. A lógica e a razão substituíram o poder dos mitos, dos deuses.
Já Revolução Industrial, por sua vez, acarretou o aparecimento do conceito de família nuclear em contraste com o de família alargada, vigente até então, e por consequência, privou a criança do convívio diário com o tio e o seu avô, figuras que, supostamente, fariam a iniciação ao mundo masculino, junto com o exemplo paterno.
O resultado, conclui o autor, é que uma sociedade sem iniciadores se torna uma sociedade onde proliferam as gangues, as quais representam uma atitude desesperada, por parte dos rapazes, de se auto-iniciarem na fase adulta. Uma tentativa de buscar espelho para a auto-estima, coragem, lealdade e a disciplina uns para os outros.
Peço ao universo, incessantemente, que envie “anjos-homens” calcados em valores para serem exemplos para o meu filho. Ao mesmo tempo, agradeço a Deus por poder contar com meu tio André e meus primos Vítor e Tomás, seres humanos de primeira estirpe, com os quais Davi tem grande convivência. Homens que amo, admiro e respeito. Homens com bagagem educacional, cultural e, principalmente, afetiva e amorosa. Fico feliz em ver como Davi gosta deles e busca contato e relacionamento desde os primeiros meses.
Espero poder contar sempre com eles e ter a graça de encontrar outras referências de hombridade na vida.

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3 Respostas to “Os riscos do homem jovem”

  1. Valéria Says:

    Amém amiga..bjs

  2. andrea Says:

    o 1º masculino protetor q conheci foi um tio chamado ricardo (bh).

    o 2º masculino cuidador q conheci foi clovis ( pai de muitas de nos).

    0 3º masculino fiel q conheci foi o wagner ( zen shiatsu).

    renan cresceu sem referencia positiva masculina ( sem avos , sem tios , sem irmaos , sem pai , sem um substituto )
    chorei quando li a parte do texto em q vc falal sobre ritos de passagem e a falta de um guerreiro como exemplo.

    o dna feminino é mais resistente do q o masculino desde a concepçao e durante a vida.

    os homems nao sao cuidados por um feminino afetuoso , q por sua vez estao machucadissimo por esse masculino doente.

  3. Carol Says:

    É amiga, como eu comentei, precisamos refletir sobre toda essa questão e achar alternativas para que o masculino saudável e nutritivo seja maioria.
    Beijos.

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