Apenas um desabafo…

Viu?! Quem manda escrever sobre o mito dos “sapatinhos vermelhos”?!… Nos últimos 20 dias fui “obrigada” a dançar, dançar e dançar freneticamente no trabalho. Nos finais de semana e feriado…desumano… cruel… Mas uma realidade profissional que não atinge apenas a mim. Ano de eleições é pior…
Fiquei me questionando se é isso mesmo que eu quero daqui pra frente e a resposta é óbvia: NÃO.

Não vejo mais como valha a pena viver alguns fins de semana e dias de feriado com “pouco Davi”.
Quero “mais Davi”, mesmo que o preço seja uma vida bem mais simples e bem menos ainda consumista do que a que eu levo atualmente. Quando paro para pensar nas coisas que amo fazer, percebo que a maioria não requer dinheiro (pelo menos em espécie). Talvez o que pese mais hoje seja o “futuro de Davi”. Tem hora que parece um dragão. Mas se olho mais de perto posso acreditar que é apenas uma lagartixa. Quem disse que há modelos e receitas para ser feliz e ter um “futuro brilhante”. E também, “brilhante” para quem? Ai como é difícil resolver o presente com base em um futuro que não sabemos, apenas projetamos em cima de possibilidades e tendências.

Porém, o capitalismo é dado mesmo a “armadilhas” e quando nos damos conta, estamos presos em uma arapuca brilhante, dourada, macia e relativamente “segura”. E então perguntamos: cadê a tal “liberdade de escolha”, onde está o “prazer”?
Será que é isso mesmo o que eu quero ensinar para o meu filho? Que manter uma condição social e uma qualidade de vida determinada é a coisa mais importante do mundo?

Acho que estou com a chamada síndrome de burneiro. De acordo com especialistas, a doença é dos idealistas. Definida como “um desalento profundo, que ataca pessoas dedicadas demais a um ideal e ao trabalho, que descobrem que nada daquilo pelo que se dedicaram valeu a pena”. Tudo bem que não chego ao extremo de achar que nada valeu à pena. Não, tudo, até agora, valeu à pena. O problema é que passou a não ter e nem fazer mais sentido pra mim. Trabalho hoje apenas à espera do dia 20 (adiantamento do salário) e dia 5. Inglório para quem um dia já se sentiu realizada ao fazer a diferença no mundo por meio da esfera profissional.

Sempre amei a minha profissão e o meu trabalho. É difícil chegar ao ponto de reconhecer que não me sinto mais mobilizada com o jornalismo. Talvez seja excesso de informação. Parece que não quero mais saber das coisas… é tanta corrupção, violência, banalização da vida… Me sinto desiludida… Talvez tudo isso seja temporário… talvez não…

Por outro lado, eu tenho 42 anos e um mercado de trabalho bastante fragilizado pelas sucessivas crises. Mudar de profissão, e consequentemente de vida, a essa altura, está pra lá de um grande desafio.

Porém, acredito em resposta. Respostas que o universo pode me trazer. Estipulo como meta para 2011 achar uma maneira de sair dessa arapuca. Vou planejar uma direção, percorrer um caminho e simplesmente mudar esse cenário. Como acredito e digo sempre: não há caminho certo ou errado, apenas aquele que construímos.

E para não terminar esse texto tão “dark”, apenas uma das coisas que amo muito: sentir o cheiro de banho recém-tomado em Davi quando chego em casa e vou beijá-lo enquanto dorme tranquilamente e em paz no seu quarto

12 Respostas to “Apenas um desabafo…”

  1. val Says:

    Querida vc está demais..cada dia inventando uma para .. pensarmos mais na vida….
    bjs
    Val

    • Carol Says:

      Val, você é exemplo pra mim de que recomeçar, muitas vezes do zero, é possível… É preciso fibra e coragem..
      Beijos,

  2. Maria Ignês Says:

    Carol querida, não devemos tomar decisões em crise. Quem sou pra dar conselho. Mas pode estar certa, é isso ai.Aprendi com a vida.É uma má hora, acredite em mim. Comecei a estudar Direito com sua idade. Deixei meu único filho com o pai em SP e fui morar um Londrina,sozinha, onse só conhecia meu pai, um tio e uma tia(todos velhos), fui tirar leite de pedra. Não tinha profissão, resolvi estudar, coisa que não fazia há 20 anos. Foi muito dificil, mas era uma questão de sobrevivência psicológica e financeira. Não tinha uma profissão. Foi difícil e longe do único filho e de todos, parentes e amigos. E para piorar a vida com uma bela depressão. Enfrentei um vestibular em uma universidade com a garotada de 18 e 20 anos e ainda por cima com a depressão. Com você é diferente, já tem uma profissão e um filho pequeno. Não dá pra dar uma volta por cima nessa altura. Como diz o ditado: “em crise não se toma decisões”. Deixa a bola baixar, você vai pensar melhor, acredite em mim. Os filhos crescem muito rápido, a gente leva susto. Você está dando o seu melhor e essa é a mãe que ele tem, não dá pra ser diferente. A questão não é de quanto tempo você passa com ele e sim da qualidade desse tempo e tenho certeza que é a melhor possível. Bem, já falei muito, como sempre. Beijos e saudades.

    • Carol Says:

      Amore, não se preocupe…Não estou tomando nenhuma decisão agora, a não ser refletir e planejar o meu futuro, o que pode levar alguns anos ainda…Agradeço por demais suas palavras e depoimento, pois tenho você como uma das minhas mulheres maravilhosas e admiráveis. Precisava “vomitar” por escrito, até para baixar essa sensação de esgotamento… As mudanças não podem ocorrer na esfera externa. No exterior, elas são apenas reflexos de mudanças mais profundas no interior. Não é apenas o trabalho que me exige… sou eu que, muitas vezes, me exijo com rigor… Tempo, tempo, tempo…
      Beijos,
      Carol.

  3. Carla Says:

    Querida Ana,dei uma lida no seu blog e gostei muito,parabens pelos textos,precisamos conversar mais ne???Faz tempo que esta em Campinas?Um bjo grande!!!!

    • Carol Says:

      Faz. Desde que meu pai faleceu em São Paulo, quando tinha uns 19 anos. Vamos conversando sim. Seu filho é muito bonito. Parabéns…Bjo
      Carol.

  4. Karina Says:

    Oi Carol! Adorei seu post. Acredite, muitos também passam pela mesma situação. A correria da vida suga tanto a gente que nos acostumamos a ter “pouco” das coisas que na grande maioria das vezes são as mais importantes da nossa vida…
    Mas você está no caminho certo, refletindo e se planejando para uma vida melhor. Boa sorte nessa caminhada! Beijos, Karina

    • Carol Says:

      Fico muiro agradecida pelo retorno. Às vezes nos sentimos muito sozinhos em determinadas situações… é bom saber que podemos compartilhar de nossas angústias com outras pessoas. É preciso “cabeça fria” para uma boa resolução. Brigadúuuuu!
      Beijos,
      Carol.

  5. Paulo Barretto Says:

    É interessante você mencionar isso, há uns anos venho pensando em mudar radicalmente minha profissão, se bem que nunca tive uma profissão definida; formei-me em administração, trabalhei em banco, hotel e chegando nos EUA fiz de tudo, pintor por 1 ano, construção por 1 ano, fábrica de computadores por dois anos, mas foi como terapeuta ocupacional que consegui minha grande chance de crescimento, comecei trabalhando com jovens com disturbios comportamentais e acabei trabalhando com adultos deficiente fisicos e ou mentais e nesse ramo fiquei por 9 anos chegando a posição de supervisor. Quando voltei ao Brasil não consegui uma colocação nessa área, pois apesar de todo trabalho dificil nesta área eu gosto de ajudar as pessoas, então acabei me dando bem com hotelaria, já que domino o inglês. Trabalhei 2 anos no Grand Hyatt depois fui para o Unique, o Emiliano e agora estou numa multinacional de turismo. Mas como comecei dizendo, algo dentro de mim me faz pensar seriamente em ser “Pedreiro”, adoro mexer com obras, levantar paredes etc. Quando fiz isso nos EUA por uma época gostava muito, se bem que lá não tem tijolos, areia, pedra, é tudo mais fácil. Mesmo assim tenho pensado em fazer algo assim. Estou pensando em fazer cursos de construção civil, marcenaria, acho que isso pode ser minha aptidão. Espero que consiga administrar bem meus horários para chegar lá. E fazer o que a gente gosta não tem nada melhor no mundo. Acho que é por isso que a gente vê tanta gente bem sucedida por ai e fica pensando, o que é que ele fez pra se dar tão bem? Provavelmente ele está fazendo aquilo que ama, assim as energias positivas nos ajudam a realizar nossos sonhos. Tive muita sorte em minha vida como criança pois meus pais amavam tocar violão eles são da época do começo da Bossa Nova, conheciam Vinícius, Toquinho, Chico e assim fizeram disso suas profissões, ambos davam aulas em casa, algumas vezes iam na casa dos alunos, ou em clubes por causa disso pude sentir meus pais bem pertinho de mim a vida toda e isso foi ótimo. Boa sorte em descobrir sua aptidão, seu dom, quem sabe escrever um livro? Assim você pode estar em casa o dia todo, não presisa de lugar definido, pode ir a um parque e escrever lá e assim terá mais tempo de curtir o seu Davi. Tem tanta gente que escreve artigos pra jornais e revistas e vive disso, vou começar te garantindo que comprarei tudo que você escrever e espalharei teus livros entre meus conhecidos. Acredito que você tem este dom. Mas siga teus sentimentos, ache aquilo que goste e siga em frente. Boa sorte e beijinho no Davi e em você.

    Paulo

    • Carol Says:

      Paulo,

      Foi muitíssimo reconfortante ler o seu depoimento. Pessoas como você me incentivam a escrever porque sabem a importância das trocas, do compartilhar… Eu só posso te agradecer. Me senti compreendida e acalentada nas minhas angústias, que sei, não são só minhas. Aos poucos, mesmo virtualmente, você vem preenchendo um espaço de afeto dentro de mim com o seu carinho e atenção.
      Beijos,
      Carol.

  6. José Carlos Says:

    Gaston Bachelard escreveu : “nada é fixo para quem pensa e sonha alternativamente ” e o “desabafo” me reportou a esse pensamento porque, embora sua vida profissional não tenha sido marcada por constantes e drásticas mudanças, percebo-a sempre inquieta, reflexiva e também sonhadora. Os textos alimentadores do “blog” revelam essa assertiva e acurada inteligência , marca registrada de seu signo. Mas isso a coloca entre os “burneiros” (neologismo até agora desconhecido por mim do qual me aproprio) sempre tomados de saudável inquietação e até mesmo inconformismo com os acontecimentos de uma existência atribulada, hostil e desafiadora. Viver neste momento histórico requer muito equilibrio o que se afigura extremamente difícil no estágio de consciência da maioria dos habitantes dessa imensa nave em que estamos metidos. As sensações manifestadas no texto explicitam resultarem de um paradigma insustentável, posto ser o “capitalismo” o seu balisador que “cria” as necessidades artificiais e instiga todos a consumir cada vez mais, para atender demandas de empregos e de lucratividade insaciável. Tudo isso gera conflitos e questionamentos éticos em todas as áreas e a mídia não está alheia a isso, não obstante os “manuais de redação” , criticado por você em outra oportunidade, se constituem em peças de ficção. Essas reflexões têm inspirado o aparecimento de movimentos como o surgido na França há três anos nominado “decroissant” , iniciado entre outros,por um professor da rede pública que, demitiu-se e adotou posturas radicais de rompimento com a vida que vinha levando, fazendo-o trocar automóvel por bicicleta, não mais utilizar energia elétrica, televisão, telefone e toda a parafernália que entopem nossa vida chamada “moderna” . Isso é difícil mas vem aumentando o contingente de seres que vêm adotando “modus vivendi” de desapego em benefício de uma vida mais feliz e harmoniosa com esta terra que nos foi permitido habitar e que como lembrou um cacique indígena norte-americano : “a terra não é nossa nós é que somos da terra” . Enquanto não ousarmos adotar economia sustentável não evoluiremos mas ao contrário estamos na iminência de ver a nave naufragar.

    • Carol Says:

      Sonho com um tempo em que voltarei a andar de bibicleta, sentar na porta de casa para tomar um chimarrão com a vizinhança, assistindo as crianças jogando queimada. Saudosismo? Às vezes… É árduo o esforço de “remar contra a maré”. Mas, não há outra escolha pra quem sente que a Terra não é nossa. Como coloquei em outros textos, chego a “sofrer” quando preciso descartar uma fralda de Davi. Pode parecer “neurose”, e é, mas fico pensando naqueles megalixões, em contraste com essa natureza exuberante do País. Ai, ai, ai, ai, ai… vivemos em um mundo de extremas incoerências…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: