Vivemos a “Era das Receitas”

Em um desses domingos, assistindo a mais um módulo do Café Filosófico da CPFL, apresentado pela TV Cultura, fique chocada quando a psicanalista convidada para falar sobre o tema “Corpo e Intensidade”, Hélia Borges, saiu com essa: “Vivemos hoje a ditadura da beleza. Mas não só da beleza, mas da saúde também. Temos padrões e ideais sobre o que devemos comer, os exercícios que devemos fazer, o que é saúde, o que é beleza”. Rapaz! Né que é mesmo…
Se por uma lado vivemos uma ditadura fascista da beleza, também somos atualmente cobrados o tempo todo em relação ao que comemos, como comemos, que atividades físicas fazemos, o quanto ingerimos de água por dia… Um dia o ovo faz mal, no outro é um santo remédio… Um dia comer tomate é um horror, no outro, uma maravilha… E pensando bem, parece que todo mundo vive de “receitas”. É um tal de “Saiba o que fazer para isso”, “Siga os dez passos para aquilo”, um verdadeiro inferno!
E esquecemos que temos um corpo sensível. Mas sensível a quê mesmo? A tudo né! O impacto corporal e orgânico da nossa vivência psíquica e emocional é total. Diria que o corpo expressa exatamente o que estamos passando. Processos e mais processos de nossa história.
Nunca consegui acreditar que uma prisão de ventre é apenas um resultado de algo que comemos. É também… mas, pra mim, pode representar algo que está aprisionado na sombra (representada pelos intestinos) e precisa ser solto. O corpo fala, os órgãos gritam…, mas muitas vezes fingimos que não ouvimos, por puro comodismo psíquico.
A literatura oferece alguns títulos bem interessantes sobre essa correlação entre as doenças e o nosso psiquismo. Entre os títulos mais interessantes que já li está “A doença como caminho”, de Rudiger Dahlke e Torwald Dethlefsen. Os autores defendem que somos responsáveis pelo surgimento (gatilho) de nossas doenças, cujos sintomas expressam os conflitos e angústias que vivemos cotidianamente. Para eles, a doença é um caminho profundo de autoconhecimento.
Hélia sugere que busquemos um espaço para o corpo vivenciar a sua própria criatividade e inteireza, como por exemplo a dança. O movimento tem a capacidade de gerar possibilidades, oportunidades e novidades para a nossa vida. Ela fala “em acordar o corpo para criar possibilidades de enxergar novos mundos e novos horizontes a partir das experiências sensíveis”.
Não é por menos que o mestre da Biodanza, o chileno Rolando Toro, criou o sistema, que literalmente significa “dança da vida”, de integração afetiva e desenvolvimento humano baseado em “vivências” (experiências intensas no “aqui e agora”) geradas por meio de movimentos de dança e com músicas especificamente selecionadas para produzir estados emocionais propícios. O foco da Biodanza é a saúde e não a doença. A doença precisa e deve ser reconhecida e cuidada, mas o mestre ressalta que a saúde precisa ser sempre muito bem alimentada.

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4 Respostas to “Vivemos a “Era das Receitas””

  1. Maria Ignês Says:

    Carol querida, você tem razão. Hoje vivendo na fazenda, tenho certas vantagens, como o ar puro, a horta sem agrotótixo, apesar de ter leite aqui, só tomo leite de soja, porque me faz bem, fora o silêncio e não ter que enfrentar trânsito. Graças a Deus, gosto daqui e me sinto muito bem na zona rural. As preocupações normais eu tenho, filho, família etc. O que mais sinto falta é dos meus queridos amigos. Das reuniões agradáveis, das risadas, de sentar e bater um papo. Percebi também que se pode viver sem muitas coisas. A cidade é pequena, sem shoping, esse tipo de coisas. O que mais me intriga, é que meu corpo não mudou há mais de 10 anos, vejo pelas roupas antigas que me servem. Antes usava tamanho M. Hoje tenho que usar G e as vezes GG. Pode? Fico imaginado as pessoas mais gordinhas que pedem G ou GG e não servem. Deve ser angustiante. É a ditadura do corpo perfeito. Meus avós, meu pai, que nasceu aqui, eles só comiam com gordura de porco, aliás, sem luz, conservavam as carnes dentro de uma lata com gordura de porco. O que mudou? Nosso organismo? O ritimo frenético da vida urbana? Os alimentos? O medo? A concepção de beleza? Confesso que tenho uma alimentação frugal, por que é o que me apetece mas não deixo de comer chocolate, sorvete, fritura, pouca, mas como. Afinal, chego a conclusão que somos cobaias não só nas mãos de nutricionistas mas da medicina. O remédio que era ótimo antes, agora é proibido, porque dá cancer, infarta e não sei mais o que. Realmente é uma loucura! beijos, te amo

    • Carol Says:

      Te invejo (no bom sentido). Há anos penso em tomar uma decisão e partir para uma vida mais rural, mais próxima da natureza. Quanto mais a tecnologia se desenvolve e mergulho nela, mas desejo a simplecidade e o retorno às minhas origens. Mas acredito que tudo seja processo e, talvez, ainda não tenha chegado o meu momento de mudar tão radicalmente. Tento me escutar, mas preciso também levar em conta a minha realidade hoje como mãe. Agora não decido apenas por mim e, embora o mundo seja tão imperfeito, é nele que Davi terá que aprender a viver, usando das melhores estratégias possíveis para ser feliz. Ser feliz apesar de… Esse seu contato com a natureza, com o silêncio e muitas vezes com o estar sozinha é uma benção.
      Também te amo muito.
      Beijos,
      CArol.

  2. andrea Says:

    sabe q eu nao ligo muito p essas receitas , sou desligada disso.

    prefiro observar meu corpo

    agora q os alimentos estao alterados e isso nos faz engordar absurdo eu vejo e sinto

    bj

    • Carol Says:

      Pois é, vai saber o que exatamente eles colocam nos alimentos industrializados… E o pior é que isso parece não ter retorno. Pelo menos por enquanto…
      Beijos,
      Carol

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