Aqui é o “Nosso Lar”

Fui ontem assistir ao filme “Nosso Lar”, baseado no livro espírita de Chico Xavier, que conta a história do espírito André Luiz. Saí meio escondida, antes das luzes se acenderem, um pouco envergonhada da minha cara inchada de tanto chorar. Pensei que fosse me afogar, tantas lágrimas pululavam dos meu olhos sem controle algum. Sentimentos profundos e intensos me perpassaram durante os 80 minutos da película.

Nada a ver com o Espiritismo de Allan Kardec, doutrina que respeito, mas não sigo e não acredito. O filme nos lembra o tempo todo do que é importante na vida: vínculos afetivos, nossas mortes psíquicas (muitas vezes um rompimento amoroso ou profissional, ficar gravemente doente, ter um filho, sofrer uma violência) e nossas idas ao umbral (encontro com nosso lado sombrio), nossos mestres espirituais, que pra mim são essas pessoas especiais que passam pela nossa história e fazem toda a diferença, a dor de perder uma pessoa amada, a dificuldade em reconhecer os nossos lados menos heróicos e bonitos e de nos desligarmos das coisas do mundo egóico.

Ele nos fala das verdades simples da vida, que nos esquecemos enquanto nos preocupamos com as contas vencidas, com a promoção na carreira, com coisas que nos ajudam a sub-existir neste mundo, mas que são tão menos importantes…

Chorei principalmente porque o tempo todo somos convidados a nos lembrar que no final de tudo, quando a “morte”, seja ela física ou psíquica, bate a nossa porta, tudo o que importa mesmo são as relações que vivemos, os vínculos afetivos, aquele abraço, aquele beijo, aquele sentimento compartilhado com o outro, o minuto, o segundo, a hora vivida intensamente e sem reservas, sem travas, sem vergonha. Nessa hora, somos todos absolutamente iguais, pecadores, cheios de paixões, desejos, egoísmos, erros, mas também de acertos, amores, generosidades, compaixão…

Chorei pelos momentos de renascimento pelos quais tantas vezes passamos, na maior parte deles sem nos darmos conta. Momentos de transcendência, de verdadeiros milagres…

Chorei me lembrando da minha avó que era espírita e fazia as “mesas brancas” em sua casa. Recebia as pessoas, que se sentavam em volta de uma jarra d’água (que seria purificada pelos fluídos dos espíritos de luz), e eles liam e debatiam o Evangelho Espírita. Era e é um ritual muito singelo e bonito. Chorei me lembrando dela constantemente empunhando suas mãos sobre nós para oferecer energia amorosa. Éramos crianças e não percebíamos o tamanho e intensidade daquele amor tão incondicional e espiritual…

Mesmo sem acreditar que existe o “Nosso Lar” como o descrito no filme, mas acreditando que ele é o nosso próprio self, sai da sessão transbordando de gratidão, fé e amor. Queria me prostrar completamente no chão e agradecer a tudo e a todos: meus antepassados, meus parentes e familiares, meus amigos, “inimigos” (ponho entre aspas porque considero o termo muito relativo neste caso), pessoas conhecidas, desconhecidas, animais, plantas, planetas, estrelas, universo… queria beijar o chão e conversar com uma formiga, contar a ela sobre tantas emoções maravilhosas que já tive a benção de sentir. Explicar como me sinto tão feliz mesmo quando as coisas parecem absolutamente fora do lugar como aconteceu ontem.

Não indico “Nosso Lar” a ninguém que queria assistir a um “bom filme” do ponto de vista cinematográfico. Não há grande atuações dos atores envolvidos na película e os efeitos especiais, tão comentados na mídia, não surpreendem em nada. Não há grandes revelações e nem tão pouco explicações convincentes. Não se defende nada na história, nem se percebe a pretensão de se convencer alguém sobre a veracidade da doutrina.

Indico esse filme apenas àqueles que podem entrar na sessão sem nada esperar, abertos, prontos para apenas sentir o que a história possa mobilizar por semelhança e por comunhão com o humano.
Como eles dizem constantemente no filme: “Vá em paz irmão…”

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10 Respostas to “Aqui é o “Nosso Lar””

  1. Maria Ignês Says:

    Carol querida
    que saudades de você! Acredito que a vida, quando nascemos , a encontramos como o seu penúltimo parágrafo. Nada de espetacular, cinematográfico, atores ruins, sem explicações convincentes, sem pretensões. Acredito que fazemos dela, com seus acontecimentos e como nos relacionamos com ele, a vida melhor ou pior. Somos os atores da nossa própria vida(frase feita). Acredito nas escolhas que fazemos aqui, os caminhos e os descaminhos que escolhemos. A família que nascemos e porque nascemos nesta detrminada família. Tudo é um grande aprendizado. Uns aprendem outros não. Pelo espiritismo, nós escolhemos quem serão nossos pais. Não sei. Mas uns procuram, diante dos obstáculos normais ou anormais da vida, não sei qual a diferença, resolver da melhor maneira e as vezes não é a melhor maneira, mas aprendemos com isso. mas de todo modo, queremos ser felizes e viver a vida e tirar dela o melhor de nós mesmo. Leio sobre quase todas as religiões, e confesso, que guardo delas o que pra mim, me parece mais crível. Sou um pouco de cada uma e me sinto bem assim nesta mistureba de crenças. Ácho que tudo que nos eleva e nos melhora é bom. Você minha amiga, faz parte dessa minha crença. Desse amor, dessa amizade, dessa troca, carinho, tristezas, espantos e tudo mais que juntas passamos. Nosso Lar é aqui, aqui é o aprendizado, mesmo que lá exista um novo Lar que nos remeta ao mais intimo do nossos sentimentos, conscientes ou incoscientes. Te amo

    • Carol Says:

      É minha querida e amada amiga,
      Suas palavras estão muito bem colocadas. Penso que nossa separação física é tão menos sofrida porque sabemos com qual intensidade vivemos nossos momentos juntas, muitas vezes na piscina, ouvindo os pássaros, lendo trechos de livros, trocando confidências, aprendendo uma com a outra… Sempre digo, momentos eternos no meu coração… Seria leviano dizer que não sinto saudades, mas estive naqueles momentos tão 100% com você, que me sinto compensada. Nada faltou, nada ficou devendo, tudo foi dito, tudo foi sentido.
      Também te amo muito minha amiga. Você foi uma das minhas mestras espirituais na vida e agradeço muito por isso.
      Beijos,

  2. andrea Says:

    concordo com a aqueridissima maria ignes : nosso lar é aqui.

    e p variar suas palavras foram muito bem colocadas.
    gostei do seu ponto de vista.

    bjs + bjs

    • Carol Says:

      Andrea amada,
      Estou em falta com você… Às vezes o ritmo aqui no jornal me deixa a beira de um ataques de nervos e acabo deixando o tempo passar sem me dar conta. Já, já estou te ligando para saber de você,
      Beijos irmã,
      Carol.

  3. Maria Nilva Says:

    Querida Carol
    Como disse a Maria Ignes…o nosso lar é aqui e eu concordo, mas no nosso lar (aqui) tem sentido muito a falta de uma pessoinha querida….você Carol faz muita falta. Na próxima sexta tem bio…..você poderá ir?
    Caso não for, na´próxima semana vou te ver de qq forma, pois estou com muita saudade.
    beijos

    • Carol Says:

      Nilva querida,
      Também tenho muitas saudades sua… Ainda não consegui uma pessoa de confiança que possa ficar até tão tarde cuidando de Davi. Mas acredito que as coisas aconteçam a seu tempo. Venha sim me visitar. Estarei o feriado todo aqui, não irei trabalhar, e durante a semana, estou pela manhã em casa. Será muito bom te abraçar…
      Beijos,Carol.

  4. Conhecimento Verdadeiro Says:

    O maravilhoso planeta Terra, este é o nosso lar! Lar dos que estão vivos e amam um único e verdadeiro Criador, pois os mortos não estão cônscios de nada e nem pode nos ajudar.

    • Carol Says:

      Os mistérios da vida nos unem. O que é verdade? O que é mentira? Quem tem todas a respostas?
      Cada um pode e deve seguir seus caminhos para encontrar a paz e a alegria de viver, sempre levando em conta o direito do outro.
      Abraço,
      Carol.

  5. Gonçalves Says:

    Além dos mistérios, temos inúmeras questões práticas e fundamentais para uma vida honrosa, sadia e dentro do possível, feliz. E é isso que é primordial e tão necessário neste momento caótico que a humanidade se encontra. Infelizmente, a grande maioria das pessoas está preocupada com os mistérios, com os desejos, sonhos e fantasias, e por isso se sentem frustradas e sem força para enfrentar o mal. Jesus é a verdade. Desprezado por uns, e mal usado por outros. A mentira é o que predomina, pois faz cócegas nos ouvidos e permite tudo a um alto custo não levado em conta. Respostas, as Verdadeiras estão na Bíblia. E podem ser obtidas por aqueles que não por palavras, mas por atitudes, demonstram o verdadeiro amor. O direito de escolher, o livre arbítrio, mais uma maravilhosa provisão de Deus para o ser humano. Pena que muitos não saibam usa-la com sabedoria, e entreguem suas vidas às teorias da morte.

    • Carol Says:

      Realmente, você bem o disse, o livre arbítrioé uma benção e presente de Deus ao ser humano. É exatamente o diferente, o diverso, o contrário que nos faz perceber e refletir sobre as coisas da vida. É preciso que alguém discorde para que possamos defender aquilo que acreditamos. Cada um tem o seu caminho e o seu processo para chegar à sua verdade.
      Abraço,
      Carol.

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