Ah! Aquele céu azul….

Fui com Davi assistir a uma peça infantil (como todos os domingos) na CPFL. O tema era praia e o tom, pura comédia. Dois personagens engraçadíssimo e suas estripulias na areia e no mar. Davi amou… não desgrudou o olho um só minuto…

No final, os dois atores sentaram na ponta do palco, com uma câmara fotográfica, fingindo que estavam vendo as fotos daquele dia na praia. Então, um deles olha para a platéia e depois para o companheiro e diz: “Acho que eles não estão vendo essas imagens lindas”. A cortina atrás deles abre e surge um painel branco. Nele são projetadas fotos e instantâneos da vida, do dia a dia. Crianças, adultos, famílias felizes na praia, em um dia maravilhoso de sol, em lugares diferentes do mundo, com etnias diversas.

Ninguém entendeu, quando as luzes foram acesas para os aplausos, porque eu estava banhada de lágrimas: afinal, era uma comédia né! Como estava na fileira da frente, vi que até os atores se surpreenderam com intensidade da minha emoção. Estava tão feliz e repleta…

Acho que nem eu mesma sei explicar direito o que aconteceu. Quando o primeiro slide apareceu, com uma menina linda, rindo até não mais poder, em uma cadeirinha de praia, tudo tão perfeito, tudo tão colorido, tudo tão comovente e mágico… Fui invadida pelo seguinte pensamento: “Eu viveria uma vida de sacrifícios e lutas apenas para viver um momento tão perfeito como esse… e Deus já me deu tantos como esse…”.

Conforme as imagens foram passando na tela, na minha mente e no meu coração, imagens também estavam sendo revividas. Fiquei totalmente tomada pelo sentimento de gratidão por ter vivido momentos de plenitude e felicidade absolutos.
Há algum tempo, uma amiga me falou a respeito de um filme (que acabei não conseguindo ver), cujo roteiro era sobre a pós-morte. Assim, segundo ela me contou, o protagonista morria logo no início do filme e se deparava, no “paraíso”, com uma mesa e uma pessoa que o aguardava.

Essa recepcionista explicava as regras do jogo: “Você precisa escolher, entre as centenas de fragmentos de sua vida, em qual momento você quer passar agora o resto da eternidade”.
E neste instante, o homem começa a se lembra e puxar da memória seus momentos mais plenos e felizes para tomar essa decisão.

Não me lembro do desfecho da história, mas essa questão da escolha ficou na minha memória. Quando ela me contou sobre o filme, pensei alguns minutos e já tinha meu momento: quando tinha sete anos, no Paraná, em Curitiba, no gramado da casa da minha tia. Era um dia ensolarado, com nuvens no céu. Me lembro como se fosse hoje que me deitei naquela relva e fiquei olhando as nuvens, tão lentas, tão preguiçosas, tão livres…

De férias escolares, longe dos conflitos familiares que vivia em casa, e em paz, senti como se afundasse naquela grama e me tornasse parte do planeta. Eu me senti conectada com tudo, até com os micro-insetos que estavam andando pela grama, com a terra, com o ar, com o sol e as nuvens. Perdi o limite corporal e já não era mais uma menina, era o todo. Aquecida pelo raios do sol, no final daquela tarde, pensei: “Poderia morrer agora. Estaria feliz…”.

Cara, eu tinha só oito anos!!!! Essa sensação jamais saiu da minha memória, ficou como imagem-âncora para os momentos de maior desespero e angústia. Volto e “sei” que ainda sou aquela menina e que o que senti foi real, transcendente e sagrado.

Fiquei extremamente comovida por me lembrar disso durante a peça. Passei o domingo em êxtase, como se tivesse acabado de estar na grama, em um dia ensolarado, olhando as nuvens passando preguiçosamente… Amém!

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8 Respostas to “Ah! Aquele céu azul….”

  1. Paulo Barretto Says:

    Lindo, tudo o que você escreve é lindo e perfeito!

  2. Roberta Says:

    Amém!!!
    e aqui deixo uma recomendaçao de um livro que estou lendo e que acho que tem a ver com o que escreveu… Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert.
    Gosto muito do que escreve, Carolzinha, sempre!
    beijo grande
    Roberta

    • Carol Says:

      Roberta querida,
      Um prazer muito grande ler seu recado… Você é uma pessoa inesquecível pra mim…
      Li o livro no dia em que fui buscar o Davi no Maranhão e, acredite, ele influenciou muito em tudo o que aconteceu depois. Agora, a Elizabeth escreveu um outro título, sobre a relação de comprometimento entre homem, “Comprometida. Amor e compromisso podem ser felizes para sempre?”. Ainda não li, mas está na fila…
      Fico feliz que você me acompanhe neste espaço virtual. É uma honra. Grande beijo e muita saudades,
      Carol.

  3. andrea Says:

    NOSSSSSSSSSSSA , QUE TEXTO LINDOOOOOOOOOOOOO E PROFUNDO

    Q CAPACIDADE VC TEM DE ESCREVER , MISERICORDIA.

    OLHA, EU TENHO TANTOS PEDAÇOS Q NAO QUERO ESQUECER.

    SABIA Q VC ME FEZ VER DE UM OUTRO JEITO?

    BJS

    • Carol Says:

      Ai que bom Andrea… Fico muito contente quando consigo escrever alguma coisa que ecoa em outra pessoa. Me sinto mais próxima, mais humana, mais normal…
      Beijos,
      Carol.

  4. Paulo Corrêa Neto Says:

    Carol

    Conectar com a beleza que sua sensibilidade consegui ver e sentir é conectar com o Amor, com a bondade Infinita de Deus. Deus também já me deu a portunidade de entrar em contato com esta beleza. Eu sei do que voce está falando.
    Beijos e Abraços
    Paulo

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