Ainda bem que não sou eu…

É impressionante como uma mudança de perspectiva pode alterar completamente a realidade que se vive. Há alguns meses comecei a ter problemas com os vizinhos do apartamento embaixo do meu. Um casal, com um filho adolescente, passou a discutir e, muitas vezes, terminar o embate aos berros e com palavrões, vindos com mais frequência do filho em resposta aos pais.
A situação começou a me incomodar muito, não só porque poderia atrapalhar o sono do Davi, que dorme cedo, mas também porque é muito desagradável saber e ouvir um nível de desrespeito tão grande entre pais e filhos.
No começo, fiz o básico: bati o pé, literalmente, em protesto contra as brigas. Em resposta, mais palavrões, agora direcionados a mim e mais barulho. Não quis reclamar oficialmente com o síndico, uma vez que tenho filho pequeno, que bate porta, derruba coisas do chão, pula, grita vez ou outra, chora, ou seja, também faz barulho e é difícil, muitas vezes, controlar por ser ainda um bebê e não entender que pode incomodar as pessoas.
O problema é que a minha irritação começou a aumentar, na mesma proporção em que meus protestos também aumentaram e as brigas deles também. Passei a escutar e retrucar cada batida de porta, o som alto da televisão, os sons da pia quando a louça era lavada, enfim, fiquei neurótica, achando que a solução seria mesmo começar uma “guerra” com os vizinhos mal-educados. Já não sabia mais se o barulho que ouvia vinha do apartamento debaixo, de cima ou do lado… Mas o que estava em jogo era o meu direito à tranquilidade dentro de casa, meu templo sagrado, que não quero que seja invadido por energias desqualificadas.
E o mais engraçado é que quando nos encontrávamos no elevador, ambos os lados fingiam que nada estava acontecendo. Trocávamos amabilidades de vizinhos. Eles pareciam tentar confirmar se era eu mesmo que batia o pé no chão, mas eu dava uma de “louca” total e não me expunha.
Foi então que, do nada, me veio uma idéia clarividente: Eles não não tinham o objetivo de me aborrecer ou irritar. Ele viviam uma situação de “inferno” familiar, de violência doméstica, e não têm consciência disso. Portanto, não reconhecem que precisam de ajuda. Acredito que um dia desses, o filho chegará à agressão física com os pais. Alguns episódios já aconteceram…
Fiquei estarrecida ao me dar conta que eu sou feliz e vivo em casa um ambiente de segurança, amor e paz, e que estava deixando aquela situação me contaminar e me tirar a consciência destes prazeres. Meus vizinhos me mostravam, de maneira “torta”, o quanto sou privilegiada por me preocupar com os direitos do outro, às vezes até excessivamente e injustamente pra mim.
Então, da mesma forma como uma pedra cai do céu, veloz e certeiramente, a minha irritação e contaminação sumiram no ar…
É inacreditável, mas passei a não ouvir mais os barulhos e discussões (que ainda ocorrem esporadicamente). Foi como se uma película de proteção se instalasse entre eu e eles. Simplesmente os sons desapareceram e mais, passei a mandar vibrações e energias positivas para eles, na tentativa humilde de que elas possam trazer um pouco de esclarecimento e paz para eles, que vivem o seu próprio “inferno”.
Depois disso tudo, fiquei sabendo ainda que os três são hoje a família mais impopular do condomínio. Não respeitam as regras mínimas de convivência e vira e mexe estão pagando multas por não cumprirem as normas e por lesarem as pessoas que moram no prédio. Um exemplo é que eles jogam lixo orgânico nos latões de coleta reciclável, sem se importar com o esforço dos demais moradores de manterem a separação correta do lixo.
Também ultrapassavam, e muito, os horários permitidos para o uso da lavanderia comum, trazendo prejuízo nas contas de água e luz do condomínio. É ou não é o Ó?
De repente, não ser como eles e me ver tão mais feliz, ética e satisfeita com a minha vida, mudou concretamente e radicalmente a minha realidade e maneira de sentir.
Honestamente, hoje tenho compaixão por eles quando os encontro no elevador. Gente que não sabe sorrir, não consegue se divertir, ser feliz… Gente que não respeita o próximo porque não consegue respeitar a si mesmo… É triste, mas não me impede mais de ser feliz e de me sentir bem.

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2 Respostas to “Ainda bem que não sou eu…”

  1. Cecília Vaz Pupo de Mello Says:

    Querida, a cada pronunciamento seu, podemos constatar seu enorme crescimento e inserção nas energias positivas do Universo.
    Maravilhosa sua intuição de se cercar de bons fluidos e preservar sua paz, seu ninho, do grande ruído externo; porém, ouvi não sei onde nem de quem (provavelmente de uma facilitadora, durante uma vivência de Biodança) que, mesmo não ouvindo, não participando conscientemente desses ruídos, eles desgastam nossas resistências, nos prejudicam, de algum modo.
    Assim, Carolzinha, acho que sua atitude de enviar-lhes boas energias e envolvê-los em sua luz (vc tem muita p/ distribuir), talvez complementada por uma tentativa de sensibilizá-los com uma flor, ou uma mensagem numa data especial p/ eles, quem sabe ajude-os a cair em si e ver que o mundo está cheio de maravilhas e as pessoas que os cercam se importam c/ sua felecidade.
    P.S. Aquela orquídea que vc me deu no meu aniversário continua viva em minha memória e no meu coração.
    Abraço, Cecília.

    • Carol Says:

      Sábias palavras querida Cecília. Conselho de quem sabe como tocar a alma alheia. Vou embarcar nesta idéia sim e fazer um pouco mais por eles. Fico emocionada em saber que aquela orquídia, ofertada com tanto carinho a vocês está viva entre nós. São esses fragmentos de afeto e amizade que nos refrigeram a vida com seu sopro amoroso. Minhas lembranças do que vivemos também são muito ternas e presentes. Eu só posso agradecer…
      Beijos,
      Carol.

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