Assobiar dá um trabalho….

Quando eu tinha seis anos, conta a minha mãe, procurei-a e perguntei como é que meu pai fazia para assobiar (ele vivia assobiando músicas pela casa). Minha mãe, enrolada, sem saber como me explicar o que era preciso para assobiar, me respondeu que eu precisar “comer muito feijão!”. Pra quê… “E você pode me dar um prato de feijão agora?”, perguntei.
Ele me trouxe o prato na sala e eu me sentei no sofá e passei a tarde toda, eu disse a tarde toda, comendo feijão e tentando assobiar.
Ela não se lembra se eu consegui o que queria naquele dia, mas eu, de fato, aprendi a assobiar sozinha. Minha mãe conta essa minha passagem de vida quando quer ilustrar a maneira como sou, muitas vezes, determinada e disciplinada quando quero alguma coisa.
Realmente conto que com essas duas qualidades na minha vida. Porém, é preciso saber que há uma linha tênue entre persistência/determinação e obsessão. Muitas vezes estamos lá, dando com a cabeça no muro, toda sangrando e com dores atrozes, mas continuamos, focando apenas o fim, sem perceber a importância e ressonância dos meios.
Sempre me cobrei muito começar as coisas e terminá-las a qualquer preço. Além, disso, obter resultados excelentes em tudo o que me dispusesse a fazer. A frase-mantra de papai “Não fez mais que a sua obrigação” sempre ecoou nos meus ouvidos como uma avaliação medíocre das minhas conquistas, fosse a compra de um apartamento, o reconhecimento profissional, ou ainda pessoal.
Eu quebrei, um pouco, não totalmente, esse decreto interno quando, em uma virada de direção, deixei incompleta a minha formação como facilitadora de Biodanza.
Nos dois primeiros anos minha dedicação ao curso, em São Paulo, que exigia um sábado e domingo (dia inteiro), além do sábado e domingo em que até hoje dou plantão no jornal, foi entusiasmada, disciplinada e e determinada. Não tinha dúvidas quanto ao que queria fazer (ser facilitadora) e que tinha condições e qualidades para exercer bem essa nova possibilidade de missão de vida que se abria para mim.
Mas, de repente, justamente quando iria entrar no último ano de formação, que compreenderia a metodologia, um grupo de controle e defesa de monografia, algo me atropelou com tanta violência, que percebi que precisava deixar esse caminho e partir para outra direção, muito mais misteriosa e inesperada: a busca da realização da maternidade.
Com a maturidade, percebi que é muito importante planejar e ter metas, objetivos definidos, ir ao encontro deles com determinação, disciplina e persistência, mas, se em algum momento houver um desvio, nem sempre isso deve ser encarado como uma “distração”. É preciso avaliar o peso de cada coisa e fazer uma escolha.
Tudo o que aprendi no meu período do curso de formação se faz presente hoje na minha vida e me ajudou a chegar aqui. Sei que também seria feliz se tivesse me dedicado a ser uma facilitadora de Biodanza, uma vez que considero a felicidade uma questão de escolha pessoal, mas agradeço todos os dias por ter escolhido Davi.

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6 Respostas to “Assobiar dá um trabalho….”

  1. Vera Graça Says:

    É Carol, essa linha entre a obsessão (teimosia para alguns) e determinação é realmente muito tênue. Mas em alguns momentos creio que esses adjetivos todos se confundem, já que em relação a alguns objetivos não nos conformamos somente com determinação e acreditamos que a persistência (sem fim), poderá fazer com que aquilo de torne realidade.
    É não é mesmo uma tarefa fácil, às vezes ter o “tal discernimento”…
    Passamos muitos e muitos dias sentados em um sofá comendo feijão e tentando assobiar… às vezes sem nunca conseguir.
    Beijos
    Vera Graça

  2. Rosana Says:

    É verdade, Carol, vc seria uma ótima facilitadora…. mas tudo tem sua razão e fico feliz por vc. Também ainda não terminei a minha, mas faço bIodanza todos os dias…. todos os momentos e só por isto fico feliz!!!!

    abraços biodanceiros (sinto saudades dos seus…)

  3. Paulo Barretto Says:

    Hahaha, vou procurar e ver se dá certo pois até hoje não sei assobiar direito. E olha que eu adoro feijão ! Vai ver que ainda não comi feijão suficiente. Hahaha.
    Davi vai te fazer dançar muito mais nessa vida, te trará muito mais felicidades e quando se tornar velhinha vai saber assobiar melhor e mais feliz do que todo feijão que possas comer. Hahah….

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