Um tapinha não dói?

O mérito de se criar uma lei contra a palmada vai além da discussão sobre até onde o Estado pode ir para proteger os direitos humanos do cidadão. O mérito está em se começar a discutir com transparência a questão da violência doméstica contra a criança. Não acredito que a lei irá mudar, de um dia para o outro, a realidade brasileira em relação à maneira como disciplinamos, ou tentamos pelo menos, nossos filhos. Mas, é importante que ela coloque os pais para pensar sobre a atual crise de falta de limites, autoridade e valores que enfrentamos na sociedade.
Eu, particularmente, não acredito que um pai ou mãe, normóides, sem patologias importantes, possa “gostar” e “achar certo” bater em uma criança por quaisquer motivos. Eles dão palmadas, beliscões e chacoalham seus filhos quando perdem inteiramente a paciência, depois de falar milhares de vezes sobre aquele comportamento, quando perdem a cabeça…Compreensível, é verdade… principalmente se levarmos em consideração que há apenas uma geração atrás os castigos e punições corporais eram bem mais violentos e totalmente aceitos socialmente.
Meu pai me bateu com correia de carro, fio de ferro, com a mão (que mão pesada ele tinha!), vara de marmelo, fora os beliscões, puxão de cabelo, que me deixavam roxa a semana toda, e os “croques” na cabeça (quem já levou sabe do que estou falando). Meu professor me jogou um apagador na cabeça por que estava conversando durante a aula, e eu não contei nada quando cheguei em casa para não apanhar de novo.
Mas não é admissível. Precisamos nos pontuar e decidir que os tapas, chacoalhões, beliscões NÃO SÃO OPÇÕES, SÃO INADMISSÍVEIS!!!
Isso significa que nunca dei uma palmada em Davi? Não. Apenas que me comprometo diariamente a não permitir que isso seja uma opção no processo de educar e disciplinar meu filho. Escutei uma vez essa frase e a reproduzo: “Colocar limite é dizer não. Ter autoridade é manter esse não”.
Uma criança pequena pode e deve, muitas vezes, ser contida corporalmente por um adulto, até por uma questão de segurança. Porém, isso precisa ser feito de maneira firme e segura, sem violência.
Eu não tenho respostas fáceis sobre como se deve criar um filho. Aprendo a cada dia com a minha relação com Davi. Faço algumas experiências como por de castigo, explicar, conversar e até ignorar seu comportamento não-aceitável. A palmada é, de verdade, a opção mais fácil e mais rápida de a criança entender que passou dos limites. Mas voltou a dizer: isso não pode ser tolerado. Temos que refletir sobre outras maneiras de fazer a criança entender até onde pode ir e o que pode acontecer se passar por determinadas linhas de contenção.
Ouço muitas pessoas dizerem que não se lembram das surras que levaram e que essas “sovas” os educaram, e que eles não deixaram de amar os seus pais por causa disso.
Bem, minha experiência então foi bem diferente… Me lembro com dor e humilhação de algumas surras que levei e alguns castigos cruéis, como no dia em que meu pai me fez comer umas oito bananas-verdes, apenas porque não conseguia entender que a banana não estava madura. Comi as oito chorando e engasgando, enquanto ele me olhava e me ameaçava. Foi horrível… Nunca me esqueci…
O resultado dessa relação tumultuada, ambígua (o amava e o odiava) e agressiva, foi a minha dificuldade em manter um relacionamento saudável com o masculino. O masculino, apesar de toda terapia, entendimento e maturidade, ainda me ameaça, ainda de amedronta e faz com que eu me sinta “lesada”, “prejudicada”. Fico com o pé atrás e tenho dificuldade em me entregar a uma relação amorosa.
Claro que isso não se deve e apenas às surras, também existiu um “status quo” familiar que me incutiu essa visão sobre o masculino, vinda principalmente da minha mãe – eterna vítima passiva. Onde tem um agressor, existe também alguém que se permite ser agredido…
Meu pai nunca levantou um dedo para a minha mãe, mas a relação vilão-vítima era mais perniciosa por ser psíquica e insidiosa.
Bem, eu não estou na pauta nesse texto. Quero deixar claro que sou a favor dessa lei, para que a sociedade comece a discutir (já está tarde…) toda essa questão.
Acredito sim que o Estado cumpre o seu papel e dever quando busca garantir os direitos de cada ser humano e cidadão.
A lei anti-fumo também foi fortemente hostilizada, considerada uma violação aos direitos do cidadão, mas hoje é aceita e adotada pela maioria dos estabelecimentos.
É possível mudar. DIGA NÃO À PALMADA!!!!

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12 Respostas to “Um tapinha não dói?”

  1. Rui Motta Says:

    Palmada não é educação, é violência e reflete a incapacidade das pessoas lidarem com as diferenças. Quando o conflito é com menores, é uma verdadeira covardia. Dei palmada em meus filhos e me arrependo. Fui ignorante. Levei palmadas e agressões morais de meus pais e guardo muito rancor, não merecia. Não sou grato por apanhar, posso perdoar a ignorância, mas não digo que isso faz parte da vida. Apenas nos faz mais medrosos, com medo da vida e das pessoas. Com medo de nós mesmos.

    • Carol Says:

      Rui, eram outros tempos e como disse, a violência era completamente aceita pela sociedade como um instrumento de disciplina. Graças a Deus as coisas evoluem e estamos no caminho certo ao refletir e discutir o assunto. Algumas cicatrizes são eternas…
      Beijos.

  2. andrea Says:

    cante : eu voltei , agora pra ficar , pq aqui é meu lugar…… eu voltei.

    nossa q texto maravilhoso

    tem como coloca-lo no jornal ou na revista metropole

    so tenho medo de uma coisa : aqueles pais q ja nao educavam os filhos e com essa lei fique pior.

    tb sofri muitos mal tratos verbais e concretos , sei do q vc fala

    bjs

    • Carol Says:

      Então Andrea, eu acho que precisamos discutir ainda muito o tema. Como disse, as coisas não mudam de uma hora para outra. A nossa atual crise de falta de limite é consequência do sentimento de culpa dos pais que sabem que não se dedicam e não atendem ao mínimo necessário para suprir as necessidades psíquicas, educacionais e afetivas de seus filhos. A tentativa de compensação afetiva acaba em falta de limites e disciplina, penso eu, e isso não tem a ver com as palmadas e violência contra a criança.
      Falaremos mais sobre o assunto…
      Beijos,

  3. Maria Ignês Says:

    Oi Carol
    que bom que você voltou. Muito bom seu texto, mas tenho uma visão diferente sobre a LEI. Me preocupa muito quando o Estado interfere no particular, dentro de sua casa, na maneira como voce deve educar seu filho. Dei palmadas no meu filho. Mas a palmada não é pra doer e o gesto, é o significado dela. Evidente que surra é outra coisa. É desumano e niguem tem esse direito. Quando essa lei saiu, fiquei preocupada. Você já imaginou os filhos denunciando os pais por levar uma palmada? Me lembrou o tempo do nazismo onde os filhos denunciavam os pais por não serem a favor do Hitler. Acho que esse tipo de LEI, porque imposta pelo Estado, desagrega a família. Você já se imaginou indo a uma delegacia onde seu filho a denunciou por levar uma “palmada”? Não uma agressão, mas uma palmada.
    Realmente essa interferência do Estado na vida privada do cidadão me preocupa muito. Devo ter levado palmadas, não me lembro, afinal eramos seis filhos e não devia ser fácil segurar a barra. Eu continuo a favor da palmada, acho que um psicotapa quando necessário não traumatiza ninguem, mas o Estado interferir nisso? Não, sou totalmente contra. beijos

    • Carol Says:

      Maria Ignês,

      Vi um programa do Roda Viva, na Rede Cultura, na semana passada sobre o tema, com um especialista na área dos Direitos Humanos, e ele deixou bem claro que o teor do texto da lei não prevê denúncias contra os pais, ou punições em relação à palmada. O excesso de violência contra a criança e o adolescente já tem uma legislação consolidada no Direito Penal, no que diz respeito às punições. Algumas leis, no Brasil – único país onde acontece isso – às vezes “pegam”, às vezes “não pegam”, como é o caso da chamada Lei Seca. Não sinto que o Estado esteja me dizendo como devo educar meu filho. Vejo o Estado me dizendo que é inadmissível levantar a mão para um ser que não pode se defender. É uma decisão de foro íntimo, como escrevi, na medida em que me comprometo a não bater no meu filho todos os dias. Isso não significa que isso não ocorrerá. As mudanças comportamentais demandam tempo e debate. Maria Ignês, os tempos são outros. As família agora são menores (poucos filhos), as mães trabalham fora e a inserção do “mundo virtual” mudou completamente a nossa realidade. É preciso discutir, refletir e refletir… É preciso mudar e se adaptar. Não há fórmulas e nem respostas fáceis…
      Beijos,
      Carol.

  4. Zé Carlos Says:

    Interpreto a edição desse texto legal como indifarçavel ilusionismo governamental pois, como ensina Noam Chomsky, o exercício do “poder” em dissonância com sua ontologia, conduz seus detentores (lamentavelmente a maioria na atual conjuntura global) a criar artíficios para desviar a atenção da população de questões mais profundas que interferem em sua vida e, não raro , com escopo propagandístico. O atual govêrno, sem embargo de alguns tímidos avanços, se notabilizou por astuciosa e competente propaganda, divorciada da ética. Vive o país ano eleitoral e todos os expedientes são utilizados para atrair atenção dos eleitores e esse diploma legal está inserido nesse contexto. O Código Penal vigente desde 1940, em seu art. 136 tipificou “maus tratos” como infração penal , contemplando os excessos cometidos por pais ou pessoas que detenham guarda de incapazes, com sanções. O Estatuto da Criança e Adolescente, editado em 1990, instituiu instrumentos para resguardar os direitos das vítimas de violações . Dessarte, percebe-se a redundância e inocuidade dessa exdrúxula lei. A realidade sócio-econômica do país revela desenvolvimento educacional, psicológico, ético, moral ainda em estágio arcaico e não é difícil prever, mesmo para quem ignore os aludidos textos legislativos e o funcionamento das instituições públicas, da avalanche de situações que serão levadas aos Conselhos Tutelares, Delegacias Especializadas , Ministério Público e Judiciário, quando alguns pais “estapearem um filho ou pupilo” . É equivocada a assertiva de que não se visa o “denuncismo” , e muito ilustrativo comentário de vermos reedição de práticas típicas do nazi-fascismo. O cerne dessa questão passa pela educação e vez mais evoco o “Relatório Jacques Dellors” proclamado em Locarno / 1997, postulando quatro pilares para novo processo educacional centrado na consciência da inteireza : educar para conhecer, para fazer, para conviver e para SER. Temos poucas mas significativas experiências no Brasil de implementação desse novo paradigma. Os pais que excedem nas corrigendas aos seus filhos ou tutelados, o fazem por serem portadores de patologias (e não apenas as classificadas pela O.M.S.) mas as sociais que aumentam exponencialmente os indicadores de violência por repetirem os modelos que se lhes internalizou por quem os criou e pela cultura dominante . Poder-se-ia asseverar, por final, a ausência de amor que tanto infelicitam as pessoas e , por vezes, marcam indelevelmente suas vidas. O tema é vastíssimo e geraria um tratado e me proponho a debatê-lo mais amplamente se e quando houver oportunida. Parabens pelo seu retôrno com importante tema para reflexão.

    • Carol Says:

      Zé,
      Suas preocupações andam em paralelo às da Maria Ignês. Como disse a ela, ignoro o teor da lei e se há sanções ou punições. Também acho que o tema é polêmico e fico feliz que as pessoas possam refletir sobre ele, independentemente de eleições, nazismos, fascismos, denúncias ou excessos. Como disse no blog, eu me comprometo diariamente a tentar, mesmo, não perder a paciência com Davi e a ter consciência da minha missão de educar e de amar. Nem sempre consigo chegar ao fim do dia intacta, mas juro que penso sobre esses meus compromissos todos os dias. Vamos falar mais sobre isso com certeza…
      Beijos,

  5. Maria Ignês Says:

    Carol, lei sem sanção é inócua, ineficaz. Se não me engano, no art. 129 do ECA, dispõe sobre esse assunto(sanção, que vai desde uma advertência até a perda do poder familiar). E o CP também, mas não acredito que o legislador de 1940, tenha pensado em “palmada”.
    beijos

  6. Carol Says:

    É vero queridíssima,
    O assunto está gerando debates e penso que isso é importante…
    Beijos,

  7. Paulo Barretto Says:

    Lembro de uma vez que meu pai quis me bater por um motivo que eu nem tinha culpa, mas ele acreditava que eu tinha. Lembro-me que me escondi debaixo da cama dele para não ser pego, pois debaixo de uma cama de casal era mais fácil não ser pego com sucesso.

    Outra vez lembro de meu pai ter batido no meu irmão menor o André Luiz. Ele devia ter uns 8 anos de idade na época, André deve ter aprontado feio e meu pai bateu bastante no bumbum do meu irmão que era bem branquinho e loirinho de cabelos cacheados como um anjo, meu irmão ficou com o bumbum bem rocho. Lembro de em seguida ver meu pai chorando que nem criança de arrependimento de ter feito isso com o André. Nunca vou me esquecer dessa cena triste. Meu irmão diz não se lembrar disso, graças a Deus.

    Felizmente meus pais pouquíssimas vezes nos bateram e sempre mostraram muito amor, compreensão e respeito para conosco, somos em 3 sendo eu o mais velho hoje com 43 anos, minha irmã Geórgia dois anos mais nova que eu e meu irmão André 5 anos mais novo que eu.

    Mais tarde fomos todos morar nos EUA e lá a lei de não bater nas crianças é uma lei antiga e eles levam isso muito à sério. Lá os adultos conversam com as crianças como se fossem também adultos, na hora de reprimir uma criança por um erro eles conversam seriamente com a criança e caso aconteça de um adulto bater numa criança o vizinho pode dar queixa e este pai ou mãe perderá a custódia do filho imediatamente.

    Mas lá vemos que isso não dá muito certo. Conheço vários casos em que os pais perderam a custódia dos filhos, as vezes o próprio filho por conhecer a lei chama a policia entregando o pai ou a mãe.

    Trabalhei por 5 anos cuidando de crianças de 8 a 18 anos que eram entregas aos cuidados do governo por maus cuidados dos pais e em 99.9% dos casos esses jovens se tornavam um problema para a sociedade, violentos ao extremo, assaltantes, estrupadores etc. Foi um período dificil para mim encarar esse trabalho pois eu tinha de esnsinar a eles a forma correta de lidarem com as pessoas e eles só sabiam cuspir, xingar e agredir as pessoas que cuidavam deles com amor e dedicação.

    Vemos que nos EUA jovens andam armados, matam coleguinhas, professores nas escolas etc. e penso que o motivo disso tudo é porque não tiveram uma educação em casa onde os pais foram firmes o suficiente e não souberam fazer o que a Carol tem feito com o Davi.

    É necessário ter firmeza na educação de nossos filhos (infelizmente não posso dizer isso por experiência própria pois não tenho filhos ainda, tão pouco sou casado), mas acredito que tem de haver um meio termo onde não haja violência fisica ou psicológica que afetaria para sempre uma criança, mas que ao mesmo tempo a criança saiba que o que esta fazendo é algo errado e deve ser penalizada de alguma forma, talvez ficar sem brincar naquele dia ou responder por escrito aonde eu errei e como posso fazer diferente da próxima vez.

    Existem várias técnicas a serem usadas em que o adulto deve mostrar a criança o erro mas ao mesmo tempo mostrando que confia na criança de que ele ou ela poderá fazer melhor da próxima vez e mostrar sempre que ela é amada assim que o castigo terminar. Sempre dando em dobro o amor ao castigo demonstrado.

    Hoje sinto muita saudade de meus sobrinhos e sobrinhas, todos americanos, só uma sabe um pouquinho de português, todos abusam de seus direitos, são mimados ao extremo pelo pai que tem a guarda das crianças, infelizmente minha irmã perdeu a guarda das crianças pelos vários erros que minha irmã cometeu com eles, mas o único erro que ela não cometeu foi o de bater neles, nunca bateu assim como meus pais poucas vezes fizeram conosco por não acreditar que isso fosse certo.

    Hoje eles, 3 crianças 14, 12 e 9 mandam no meu cunhado, são mimados ao extremo como já disse e qualquer coisinha estão ameaçando chamar a policia.

    Que possamos nos instruir de bons livros, educadores de sucesso e principalmente com muito amor e paciência para que possamos deixar para nossos filhos mais lembranças agradáveis e de ternura e sermos um exemplo para que eles possam reconhecer em nós pais que aprendemos a cada dia um pouquinho mais com a vida para que eles possam também ter sucesso em suas vidas como filhos, estudantes, e que cresçam para serem pais justos mas sempre amorosos.

    Boa sorte minha amiga com seu Davi e que ele continue crescendo com o amor e dedicação de uma mãe amorosa e sábia que demonstra aqui para conosco em suas histórias mil e que soube reconhecer os erros de seu pai e não deixou isso te destruir, só te fez mais forte por dentro d’Alma e que seu Davi se torne mais um Davi que vencerá muitos gigantes na vida que ele encontrará em seu futuro.

    • Carol Says:

      Paulo,

      Como já comentei da outra vez, sua vida é riquíssima e essa riqueza é espelhada quando compartilha de suas lembranças e fragmentos de sua história. Não conheço a realidade dos Estados Unidos, mas você vivenciou e colocou de maneira clara como percebeu essa realidade. A criação de um filho é uma equação tão complexa, que inclui projeções inconscientes, criação anterior, cultura, uma infinidade de questões, que considero impossível achar uma única “receita” para todo mundo.
      Muitos ganham dinheiro tentando equacionar a questão e “vender” em livros receitas de educação.
      Eu acredito em evolução, em processo de amadurecimento, em crescimento e autoconhecimento. Estamos sempre em busca de alternativas melhores. Queremos deixar para o mundo seres humanos (nossos filhos) melhores do que pudemos ser. Esse é o patrimônio que deixamos. A assunto sobre a palmada é para que o debate continue sempre. A violência não pode ser banalizada. Precisa ser repensada e transformada.
      Os seus desejos para pais melhores também são os meus. Também espero que Davi vença seus “gigantes” na vida.
      Eu acredito!
      Beijos,
      Carol.

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