É preciso apenas caminhar…

Nada como uma mudança de perspectiva para entrarmos em uma nova dimensão da nossa vida. O que antes fazia de carro, agora faço a pé. O número de compromissos diários diminuiu bem. Agora tenho mais tempo para as tarefas domésticas, como cozinhar, e para ficar junto de Davi, seja brincando no parquinho próximo ao meu apartamento, seja desenhando ou montando peças no tapete da sala. Os percursos mais longos, faço com Davi no carrinho, e vou no meu ritmo, sem pressa. Ando 25 minutos para ir ao varejão Ôba, toda a segunda-feira, e outros 20 minutos para voltar (é descida, fica mais fácil). Vou olhando as pessoas na rua, ouvindo os sons frenéticos desta cidade-metrópole. São duas classes bem distintas as dos pedestres e as dos motoristas e ambas parecem não ter consciência do outro.
Me lembro de ter lido uma vez um conto do Stephen King sobre uma suposta “guerra” entre essas duas categorias. Os motoristas, na história, tinham o “direito” de atropelar e matar qualquer pedestre que descumprisse a lei. Já os pedestres, viviam da tentativa de burlar as regras e “vencer” os motoristas e ações arriscadas e ousadas. Fiquei pensando que falta pouco para chegarmos neste nível de agressividade e intolerância. É visível que ambos os lados não respeitam nem as leis e nem a vida humana.
Levo Davi à escolinha também a pé. Vamos os dois, na rua, conversando sobre as “coisas da vida”. Ele vai repetindo tudo o que eu digo, parando a cada três passos para olhar os bichinhos no chão, ou o cocô do cachorro. Vários moradores, gente que não conhecia, cumprimentam Davi. Segundo a babá, ele é mais popular que vereador, pois, quando voltam da escolinha à tarde, os dois vão brincando e parando durante o trajeto. Ele fala oi pra todo mundo que vê na rua e manda beijos, todo felizinho. E as pessoas se encantam…
Esse tempo maior andando a pé e ficando em casa me permitiu um centramento maior no aqui agora. O número de tarefas que me imponho normalmente, quando estou motorizada, ficou bem menor e consigo estar mais presente no tempo presente. Aliás, o tempo está mais moroso e mais preguiçoso. Acho que precisava muito disso.
Enfim, incrivelmente, estou feliz e em paz. Aguardo os trâmites para a indenização do seguro e sigo a minha vida, na certeza de que apenas é preciso caminhar…

Aos que me responderam no último blog, meus sinceros e afetuosos agradecimentos. Sorvi cada palavra da mesma forma como um errante no deserto diante de um pouco d’água. Obrigada, obrigada, obrigada…

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5 Respostas to “É preciso apenas caminhar…”

  1. andrea Says:

    existe algo mais simples , maravilhoso do q perceber e sentir a vida ?

    resgatar o caminhar com o filhote pela vizinhança e olhar as pessoas ?

    q delicia!!!!

    • Carol Says:

      Pois é minha querida Andrea…
      Adorei o vídeo que você me enviou sobre a tábua de plástico – esse tipo de notícia me dá um grande alento em relação à Mãe Natureza – nossa Pachamama!
      Beijos,

  2. Bernardo Says:

    Carol,

    Você sempre dizendo coisas lindas de forma simples… Simples como dever se viver a vida.

    Beijão.

    Ps. Um grande abraço também na Andrea e no Antônio Carlos. Acho que são as pessoas que conheci no ano passado?

  3. Adriana Giachini Says:

    Lindo texto Carol…. você, como sempre, muito consciente da vida. Um dia eu chego lá…. =)
    Fico pensando que nesse mundo cheio de afazeres loucos o nosso maior desafio é manter os pés nos chão e focar no aqui e no agora. Parece simples, mas não é. Ou melhor é fácil, só que nós insistimos em lutar contra o ritmo lento (de uma caminhada) da vida…

    um beijão enorme
    DRI

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