Imagens oníricas

Num deste dias de fevereiro, sonhei que entrava com o carro em uma garagem subterrânea, e logo na frente, saia de uma das vagas, uma moça em um carro pequeno. Assim que ele me viu, ficou tão apavorada e angustiada em me dar passagem logo, que, em uma manobra nervosa, arranhou toda a lateral do carro ao lado e o seu próprio carro. E ela, ficava tentando sair da vaga de maneira desesperada, enquanto eu, no meu carro, penalizada, pensava comigo: “Moça, não faz isso não… Fica tranquila, eu espero você sair!”. E assim acaba o sonho. Acordei triste e angustiada.
É evidente, a moça desesperada no carro, também sou eu. Um outro lado, mais regredido, visto que ele aparece em uma menina bem mais nova, enquanto o meu outro lado, mais maduro, que está no carro que entra, vem com a minha idade atual.
Assim como a moça do carro, toda vez que me sinto cobrada, julgada ou ameaçada pelo mundo patriarcal, do ego e da persona, regrido e me torno ela, capaz de me prejudicar (arranhando os carros ao lado) por puro desespero de querer cumprir as “pesadas” expectativas que, no sonho fica bem claro, não são do mundo externo (veja que do meu carro sinto pena dela e penso que não é preciso tudo isso, que estou disposta a esperar o seu tempo para sair da vaga com calma e tranquilidade), mas sim do mundo interno (ela não percebe que estou tranquila aguardando. Ela não vê (está cega) que não estou com pressa. Ela não consegue ver outra opção compatível com a situação, como por exemplo, voltar para a vaga e aguardar que eu passe com o carro para depois sair da vaga).
Bem, novamente reafirmo, esta sou eu. Sinto e sei que serei, de tempos em tempos, testada justamente nesta ferida. Mesmo após anos de busca pelo autoconhecimento, gerencio mal situações em que me encontro respondendo para o mundo. Esqueço de ser eu, Carol do carro, que espera, que compreende, e me torno a moça trêmula que não sabe como fazer para agradar e dar logo passagem para o outro.
Toda essa história e sonho tem relação com o roubo do meu carro. No primeiro dia que peguei o carro-reserva da seguradora, acostumada com o Fiat Mille, arranhei a lateral traseira em uma coluna do estacionamento do meu prédio. Isso porque o dia inteiro falei pra todo mundo que estava com um carro que não era meu e que estava apavorada, com medo de acontecer alguma coisa.
Pois bem, aconteceu. Neste dia, parei de respirar, peguei 100 quilos de pedras e achei de carregá-los, me torturando e me punindo, até a entrega do carro na locadora, dez dias depois. Pensando todos os dias sobre o “preço” que iriam me cobrar pelo “grave erro”. Acredite, o preço, neste caso, não se refere a dinheiro. Para mim, internamente, estava mais para o tamanho da punição (pai).
Somente quem me conhece profundamente pode avaliar o meu (inútil) sofrimento neste período.
Mas pensa que parou por aí? Durante o Carnaval (trabalhei todos os dias), acordei na terça-feira e reparei que a frente do carro também havia sido abalroada. Onde? Sei lá! A impressão que me deu é que algum carro foi dar uma ré e encostou na frente do carro-reserva, arranhando a pintura do pára-choque.
Aí então fiquei inconsolável, me perguntando o quê, afinal de contas, estava acontecendo.
Enfim, fui entregar o carro com Davi no colo, mais branca que uma folha de papel. Cheguei como uma criança pega no flagra, mas fui absolutamente honesta com a moça que me atendeu. Expliquei tudo, disse que me responsabilizava inteiramente pelos danos e queria fazer o correto. Porém, pedi para ser tratada com justiça e que o valor correspondesse, realmente, ao dano.
Para a minha surpresa total e enorme alívio, além de devolver o carro, quando tirei os 100 quilos das minhas costas, à tarde me ligaram e passaram o conserto da lataria em R$ 120,00. Fiquei muda no telefone. Ela me perguntou se queria pagar em 12 vezes e eu, rapidamente, disse que o faria a vista. Dormi bem pela primeira vez em dez dias.
Ontem, domingo, assisti a uma das palestras do Café Filosófico da CPFL, na TV Cultura: “A utopia do autoconhecimento”. Muito interessante porque o psicanalista Ricardo Goldenberg falou sobre como a psicanálise pode ajudar a responder a pergunta “Quem sou eu”? Porém, ele afirma que a palavra “autoconhecimento” carrega uma contradição, uma vez que não podemos nos conhecer sem a relação com o outro, sem o reflexo, o espelho que o outro pode nos dar.
Nesse sentido, estou totalmente aberta a qualquer comentário sobre o que escrevi neste post. Não é um desabafo. São revelações muito pessoais, mas se alguém quiser dizer algo…

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29 Respostas to “Imagens oníricas”

  1. Silvia Bertolaccini Says:

    Carol,
    Quero dizer que me sinto muitas vezes assim, como a “Carol” apressada do carro. Percebo que em inúmeras circunstâncias me doi mais o julgamento externo do que o fato em si. E dá-lhe sofrer. Á toa, é claro, porque ninguém nem imagina minhas atabalhoadas manobras para deixar logo livre a vaga, sendo correta, sempre correta.

    Depois que li seu texto me deu uma vontade louca sabe do que? De alugar um carro só para dar umas raladas!! Sem culpa, sem medo de ser julgada, sem remorso de não ter sido “correta”…me passa o telefone da locadora??????
    Beijos
    Silvia

    • Carol Says:

      Silvia querida,
      Só você mesmo para me fazer rir nestas circunstâncias. Seu recado foi como um gelado suco de abacaxi com hortelã, tamanha a refrescância, aliás, a sua marca. As palavras chegam como um bálsamo quando percebemos que somos tão diferentes, mas tão iguais. Como filhas do patriarcado que somos, temos mesmo que trocar nossas angústias, numa tentativa tímida de não nos sentirmos sozinhas nesta difícil jornada. Obrigada minha amiga. Saudades… Beijos,

      • Silvia Bertolaccini Says:

        Carolzinha,
        Bálsamo mesmo é ver o brilho das bochechas do Davi, é lembrar de quando ele chegou tão miudinho e hoje todo rechonchudo de amor, puro amor. Dai penso que somos sempre testados em nossos valores: carro roubado? lataria arranhada? O que são estes detalhes diante de tantas outras maravilhas em nossas vidas? Você é exemplo dessas maravilhas: desabrochou ainda mais sua criatividade, abriu sua alma para a vida (e para nós, abençoados com o seu blog) e vem regando Davi com seu amor imenso, curtindo detalhes e desafiando todas as perfeições que insistimos em nos exigir. Nada como um Davi para acabar com a pontualidade, a rigidez dos prazos e a inutilidade das coisas materiais….Ele sim é um suco de abacaxi de hortelã na sua vida! :o))) Muita saudade…vc fez imensa falta na ultima biodanza! Te adoro. Beijos

  2. ROSANA Says:

    Oi, Carol, talvez não possa lhe dizer muita coisa, pois somente vc em meio aos seus processos internos possa relamente pesar o significado de tudo isto. Também sabemos que nosso crescimento depende do feedback da nossa relação com o outro, mas depende muito também sim de uma base (auto) de conhecimento de cada um consigo mesmo. Sem esta base vc jamais conseguiria escrever “do lugar” que escreveu este desabafo…

    • Carol Says:

      Rosana,
      Concordo com você. A busca do conhecimento e de buscar ser um ser humano melhor é mesmo uma escolha individual. Obrigada por me responder. Grande beijo.

  3. andrea Says:

    eu sei bem o poder do pai interno no comando da vida

    • Carol Says:

      É Andrea, as filhas do pai se entendem perfeitamente. É preciso muita atenção, senão a sombra vem e nhac!, come você. Qualquer descuido, como os 15 minutos que deixei o carro na rua, e alguém vem e rouba algo que lhe é valioso e necessário. O roubo externo é apenas um reflexo de um roubo que pode estar acontecendo ou já aconteceu. O fato é que preciso descobrir onde estou exposta ao perigo. É amiga, estamos no processo e nele morremos.
      Beijos,

  4. Antonio Carlos Says:

    acho que quando você abre suas revelações pessoais, permite com muita generosidade que outros descumbram também as próprias!!!
    bjs. e obrigado por partilhar suas idéias e sentimentos.
    com carinho.
    AC.

    Poema [Quem Sabe um Dia]

    “… Um dia
    Um mês
    Um ano
    Um(a) vida!

    Sentir primeiro, pensar depois
    Perdoar primeiro, julgar depois
    Amar primeiro, educar depois
    Esquecer primeiro, aprender depois

    Libertar primeiro, ensinar depois
    Alimentar primeiro, cantar depois

    Possuir primeiro, contemplar depois
    Agir primeiro, julgar depois

    Navegar primeiro, aportar depois
    Viver primeiro, morrer depois

    Mário Quintana

    • Carol Says:

      Obrigada você meu querido por me enviar um poema tão lindo e significativo para esse momento. Com este blog, tento me organizar internamente e refletir sobre as coisas da vida. Busco cutucar e ser cutucada, na esperança de me sentir conectada, ligada, on-line, com as pessoas importantes da minha vida, e com elas, trocar de um tudo.
      Beijão,

  5. Candida Says:

    Querida Carol, primeiramente quero dizer que venho acompanhando seus textos e os tenho achado muito interessantes e profundos. Tem sido um prazer prá mim cada vez que os recebo. Logo quero abrí-los prá saber do que vc vai falar….
    Parabéns pelo blog! Há tempos venho querendo te elogiar.
    Quanto ao seu sonho e suas reflexões, só posso dizer o quanto me identifico com suas palavras e seus conflitos. Mas é muito bom quando nos sabemos em lugares parecidos, com dores semelhantes; o fato de não estarmos sós já nos acalanta não é? O mais importante prá mim e estarmos no “caminho”, evoluindo a cada dia, refletindo, compartilhando e com isso, se curanndo.
    Umgrande beijo com saudades

    • Carol Says:

      Candida,
      É um incentivo e tanto ouvir esse elogio de você, que é uma pessoa que admiro, respeito e gosto tanto. Criei esse blog com a vontade de me manter refletindo sobre as coisas e compartilhar meus sentimentos, medos, desejos e angústias com as pessoas. Como você mesma diz, é muito bom e confortante saber que temos tantas semellhanças e tantas diferenças e compartilhar faz com que não me sinta só nas dores e descidas, assim como nas alegrias e subidas. Quero muito comungar e estar com as pessoas, mesmo que pela tela do computador ou por telefone, e embora minha vida tenha tomado um outro rumo, escolhido por mim, tenho muitas saudades de nossos momentos juntas, que foram sempre intensos e produtivos. Obrigada por me mandar esta mensagem, um grande beijo para você também, com muita saudade.

  6. Paulo Corrêa Neto Says:

    Carol
    Nossa educação severa nos leva a viver com muito medo da punição de nossos erros. Mas se nossa educação nos permitísse fazermos o que bem entendessemos. Como seriamos ? E o equilibrio, Onde está ? Se cada pessoa senti de uma forma. O que está na média para mim, para o outro está em esxesso .
    O que voce escreveu sobre o seu sonho me ensina a tentar entender o meu sonho.
    Agradeço-lhe pela seu espirito solidário de partilhar seus prazeres, sonhos e angustias.
    Abraços
    Paulo

    • Carol Says:

      Palavras lindas, Paulinho. Me senti como se você tivesse me dado um daqueles abraços maravilhosos que só você sabe dar na Biodanza. Aquele abraço aconchegante, do qual não queremos sair nunca mais, quentinho e macio. Fico grata por você me acompanhar tão generosamente neste exercício pessoal que é este blog. Muitas saudades… Beijos mil,

  7. Bernardo Says:

    Carol, bom dia!
    Gostei muito de partilhar dos teus medos e sentimentos. Recebi o link do teu blog através de um amigo comum.
    Estou buscando palavras para não parecer ser grosseiro, acredito que fatos, simples e comuns, revelam muito a nosso respeito. Adimirei a forma como vc interpretou o teu sonho, e isso me ajudou a refletir sobre meu comportamento em determinadas situações.
    Acredito que a busca pela forma correta de comportamento, acabam por nos tornar muito introspectivo e nos isola do mundo materialista que nos envolve. Acaba por nos tornar prisioneiros de uma realidade muito particular, o que pode nos afastar do que chamam de “comportamento comum”. Não interprete essa análise como uma crítica negativa, gostaria de acompanhar teu blog com mais frequência, se você me permitir. Estou sem tempo para continuar escrevendo…

    Um grande beijo.

    • Carol Says:

      Bernardo,
      O recepção de um comentário como crítica depende muito mais do ouvido endereçado do que da boca de quem saiu. Neste sentido estou tranquila, porque no momento em que criei este blog, me exponha justamente para partilhar e ouvir as pessoas. Qualquer pessoa que queira acrescentar algo. Fico mutio feliz em tê-lo me acompanhando e você sempre será benvindo neste espaço. Quando partilhamos um sentimento, percebemos que não estamos sozinhos e isso é muito confortante. Só tenho a lhe agradecer por me acolher…
      Grande beijo,

  8. Claudia Says:

    Carol, desejo que essa fase passe……e vai passar……. e que só fique o aprendizado que eu tenho certeza que você vai conseguir saber qual é!
    Paz e Amor, te desejo de coração.
    Beijos
    Claudia

    • Carol Says:

      Claudia,
      Agradeço por me mandar essa mensagem. São coisas da vida… Fico feliz em ter esse espaço virtual para continuar em contato com as pessoas que amo, trocando ideias e histórias. Saudades…
      Beijos,

  9. Nilva Says:

    Queridissima, acho que todos já falaram sobre seus escritos, sobre o blog, etc. Eu concordo absolutamente com todos.
    Esses sonhos, esses medos e essas “cobranças”, impostas por nós mesmos, acho que é a parte pior que tenhos. Mas tenha fé, pois se eu estou conseguindo me livrar, que dirá você, muito mais jovem e com essa capacidade toda?????????
    Beijos
    Nilva

  10. J.CARLOS VIEIRA Says:

    A “Eneida” declara serem duas as portas divinas através das quais nos chegam os sonhos: a de marfim: sonhos enganadores e a de chifre: sonhos proféticos, também nominados de pre-monitórios. Todos os livros sagrados e sapiensais aludem aos sonhos há milenios mas muitos de nós ainda não internalizaram a prática de “ouví-los” atentamente, interpretando-os com fidelidade como você o faz, embora percebo não seguí-los. Sua dualidade :”jovem” “madura” retratadas no sonho, didaticamente poderia dialogicamente ser traduzida como : “sua juvenil imaturidade deixa-a inquieta em certas circunstâncias, fazendo-a “executar manobras” inadequadas ou atabalhoadas, enquanto a face amadurecida contempla com mais serenidade e confiança as inevitáveis dificuldades . Essa dimensão “madura” não é escutada e cede espaço para aquela ainda a ser lapidada.Por vezes surgem pessoas em nosso caminho que por conhecerem um pouco do nosso perfil, se dispõem a emprestar sincero e solidário apôio mas temos reservas em acessá-las. Carregamos resíduos em nosso inconsciente (” Abre esse vidro de locação e afasta esse insuportável mau cheiro da memória” recomenda Drummond) muitos dos quais originários do “patriarcalismo” , recorrente mente mencionado e identificado no “medo” , (a desmesurada preocupação de danificar o veículo apossado ), que gerou a “forma-pensamento” = deu-se o que se temia . A isso acresça-se a “punição” “o aumento excessivo da carga”. Nesse contexto patriarcal está contida a figura paterna, sancionadora e que pede dissolução. Certamente a terapia tem contribuído para isso mas tenho uma “receita” empírica que poderei passar se desejada.Porém, cada vida é um desencadeamento psíquico que não se pode dominar a não ser parcialmente, como consignou Jung. Minha querida, tenho como axioma que todos os acontecimentos agradáveis ou não, muitas vezes dolorosos, são importantes e necessários para nosso processo evolutivo e não abominemos as pedras colocadas em nossa estrada mas procuremos decifrá-las como quis Drummond : “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra.” Beijos.

  11. Maria Ignês Says:

    Carol, minha querida!
    Tenho lido tudo que você escreve. Fico lembrando dos nossos papos alegres outros, nem tanto, mas sempre produtivos e cheios de amor.
    Lembro de nossas horas e momentos alegres outros nem tanto mas você sempre presente na minha vida.
    Hoje, a distância nos separa, mas só a distância. Quando sinto muita saudade de nós, esses momentos estão presentes. Todos, e de coração agradeço por tudo que fomos e somos juntas. Quantas saudades das nossas reuniões, quantos risos despreocupados, quanta alegria!
    Feridas abertas, feridas cicatrizadas. Quantas cicatrizamos juntas!!!! Nossas vivências. E continuamos, cada dia é um dia, cada emoção uma vivência intensa. Hoje me emocionei lendo você, Cãndida, Andrea, Paulinho, Nilva. Amo vocês. beijos.

    • Carol Says:

      Querida amiga Maria Ignês,
      Você é para sempre. Iniciar este blog valeu muito apenas para poder ler um texto tão lindo e emocionante como o seu. Eu JAMAIS me esqueço dos nossos momentos maravilhosos e de tudo o que passamos juntas. Também tenho saudades, mas não são doídas, são queridas. Tenho em meu coração a certeza de que estaremos juntas aí na fazenda e faremos muita bagunça ainda com Davi.
      Amo você demais!
      Beijos,

  12. valeria tania francischini Says:

    Só podia ser uma pessoa especial como vc é honesta pra dizer com tanta clareza e honestidade desnundar sua alma….
    Por isso tenho um lema na minha vida ……………Sofrer antes da hora marcada da Rugas de preocupação ou melhor sentem-se uma idiota depois…..
    Mas nós seres mortais temos este previlegio sofremos antes da hora marcada e não sei prá que !!!!!!!!!!
    Linda Carol ..quem sou eu para julgar tudo isso…só posso lhe dizer é um previlegio para poucos ter amiga como vc.
    Bjs
    Te amo amiga
    Valeria

    • Carol Says:

      Valéria,
      Só por Deus… Você é que é uma pessoa totalmente admirável, uma guerreira que travou verdadeiras batalhas nesta vida. Tenho profunda admiração por essa forla Fênix que você tem: renascer das cinzas, sempre resplandescente. Eu é que sou privilegiadas…
      Te amo muito também
      Carol.

  13. Antonio Carlos Says:

    te vejo caminhar o caminho… e quem sabe a caminho de um livro!!!
    bjs.
    AC.

    Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

    “Navegar é preciso; viver não é preciso”.

    Quero para mim o espírito [d]esta frase,
    transformada a forma para a casar como eu sou:

    Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
    Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
    Só quero torná-la grande,
    ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

    Só quero torná-la de toda a humanidade;
    ainda que para isso tenha de a perder como minha.
    Cada vez mais assim penso.

    Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
    o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
    para a evolução da humanidade.

    É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

    Fernando Pessoa

    [Nota de SF
    “Navigare necesse; vivere non est necesse” – latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]

  14. Cecília Pupo Says:

    Queridíssimas!!!
    À jovenzinha, à madura, às tantas outras que conheço, conheci, ou estão para se revelar….
    Sabe, Carol, a meu ver, o olhar sobre um sonho é pessoalíssimo. Segundo Freud (me corrija se estiver equivocada – não sou da área),as imagens do sonho simbolizam vivências remotas de nossa infância mescladas às vivências atuais, bem próximas. E interpretá-las depende de um código individual que se vai estabelecendo c/ o tempo.
    Porém, embora eu não possa me servir de conhecimentos de almanaque – que atribuem a cada imagem leituras fixas, pré- esatabelecidas – gosto de somar a Freud o que diz Jung sobre o inconsciente coletivo – acredito que eu posso simbolizar minhas vivências c/ imagens semelhantes às de outra pessoa de minha cultura/ geração, ou me identificar com os símbolos de seu sonho e a leitura que vc fez dele… Foi muito perspicaz e belíssima!

    Agora veja como sinto a imagem que abre seu texto: além da Rapunzel que joga seus cabelos à espera do príncipe salvador, vejo um pássaro que se sustenta no ar e devora a mulher que se debruça/oferece à janela. Com certeza estão dentro de mim: A Rapunzel, o príncipe e o medo da libertação.
    Carol, por que vc escolheu essa imagem? Que leitura vc faz dela?
    Gostaria muito que vc participasse de meu projeto”Quadros em Prosa e Verso” – quando vc fala das lembranças e emoções que lhe trazem um quadro, uma foto, uma escultura (obra de arte qualquer).
    Beijo, Cecília.

    • Carol Says:

      Querida Cecília,
      Você é mesmo uma artista sensível. De fato, a escolha da imagem não foi aleatória. Escolhi essa torre com essa figura feminina, porque costumo, quando me sinto ferida nas “vísceras”, subir na torre (ou seja, racionalizar a situação e subestimar o que estou de fato sentindo).
      O roubo do meu carro e a batida no carro-reserva me apontavam que havia sido lesada e roubada, no nível do ego (persona), e não havia dado a devida importância para a situação de origem. Ou seja, senti a dor e para não digeri-la, mais do que depressa subi na torre da “cabeça”. A moça está com a cabeça e cabelos voltados para o chão. É preciso “descer” para sentir o que nos passa, realmente, pelas entranhas. Vivenciaressa dor para que ela possa ser transcendida. Por isso ela está voltada para o chão. Representa o meu esforço de superar essa defesa do ego e descer ao chão.
      Quanto ao seu projeto, me diga o que posso fazer. Sabe que gosto de participar das coisa.
      Cecília, um enorme beijo para você. Está sempre no meu coração.

  15. Fernanda Martins Says:

    Parabéns por esse blog maravilhoso!!!! Vc é demais ( mInha irma) é claro
    kakakaka…
    Cada vez que leio essas notas tenho muito orgulho de vc e me encaixo em muitas delas!!!!
    Beijos
    Saudades

  16. Carol Says:

    Fofinha,
    Fico feliz que se sinta em sintonia com o que escrevo, pois você é parte integrante da minha história e da minha vida. Muitas saudades de vocês. Me lembro com muito carinho do que vivemos no ano novo aí. Foi um tempo muito feliz para mim e Davi.
    Beijos a todos

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