Futuro do filhos: uma difícil decisão

Fiquei muito surpresa ao ler, recentemente, que o governo autorizou a entrada de crianças de cinco anos no primeiro ano do Ensino Fundamental. Levando em conta o nível de competitividade e ansiedade que tenho percebido entre os pais, sinto mesmo é pelas crianças que começam, cedo demais, a suportarem a carga de exigência monstruosa desta sociedade capitalista contemporânea.

Não culpo os pais por se sentirem tão perdidos em relação às decisões que precisam tomar sobre a capacitação de seus filhos para se inserirem no mundo. Pelo contrário, são escolhas muito difíceis e insidiosas. Também me vejo constantemente frente a dilemas, como os que citei no texto “Muitos caminhos, mas apenas uma escolha”, no dia 28 de outubro do ano passado, aqui no blogue.

O tempo inteiro a gangorra se movimenta entre as necessidades externas (dever) e as internas (alma). Se, muitas vezes, não conseguimos saber o que queremos, imagine então decidir por uma outra pessoa, e nesse caso, de um ser a quem amamos de maneira absolutamente incondicional?

Eu tenho alguma opiniões formadas (passíveis de mudança, é bem verdade…) sobre a situação. No que depender de mim, Davi, até os sete anos, viverá o mundo da fantasia, das brincadeiras, da criatividade, da música e da arte, em atividades totalmente lúdicas. Meu foco agora é proporcionar a ele oportunidades de desenvolvimento afetivo em relação ao outro, estabelecimento de vínculos, espaço para criar e se expressar. Que fique claro que isso não significa que ele não terá limites e “deveres” adequados à sua idade a cumprir.

Se a “tia” da escolinha escreve o português errado, isso não tem importância, uma vez que Davi não está em fase de alfabetização. Quero mesmo é saber se a “tia” o ama, cuida com zelo da sua rotina e o ajuda nas suas primeiras incursões no mundo, sem a tutela e olhar da mãe. Quero mesmo é saber se ele se relaciona com seus amiguinhos da escola, se brinca e se briga com eles, sob a supervisão da “tia”, aprendendo quem é e quem é o outro.

Tempo para aprender a educação formal ele terá mais tarde. O tempo agora é para outro tipo de aprendizado, o aprendizado ético. É ele aprender, gradualmente, que toda ação leva a uma reação, a uma consequência, que tudo tem limite e o prazer tem prazo de validade, não é eterno. Vai aprender também a cuidar das suas coisas, a manter a ordem, a cumprir os horários, a respeitar os animais, natureza e principalmente, o outro.

Se me preocupo em relação ao seu futuro? Todos os dias. Mas, me recuso a entrar nessa neurose de deixa muito pais obcecados em dar ao filho “todas as oportunidades que nunca tiveram”, como se isso fosse garantia de um futuro brilhante. Não quero um futuro brilhante para Davi, apenas quero que ele seja feliz com as escolhas que fizer. Quero poder oferecer o mínimo para que ele possa deixar brotar de dentro dele o desejo. Desejo de ir buscar. Desejo de fazer. Desejo de realizar e ser o herói de sua própria história e ter o conhecimento de que pode escrevê-la e reescrevê-la com consciência.

Desejo que meu filho seja um aprendiz eterno do amor. Não nascemos sabendo amar. Aprendemos com as experiências e vivências. Desejo que meu filho seja um biodanceiro naturalmente.

7 Respostas to “Futuro do filhos: uma difícil decisão”

  1. ROSANA Says:

    Por lhe conhecer um pouquinho, tenho certeza que Davi já faz biodanza há muuuiito tempo… Qualquer dia desses vou conhecê-lo.
    bjs.

  2. Jane Says:

    Oi Carol… td bem?
    Sou fã assídua do Blog .M e através da indicação das meninas acabei aqui em seu blog… o qual achei muitissimo bacana, afinal uma boa mãe atrai sempre outras rsrsrs

    Bom, estou lendo devagar todos os seus posts… maravilhosos por sinal. E venho lhe parabenizar pelo blog e pelo ser que és…
    Pelo pouco que li… descobri uma mulher inteligentissima, mto humana, racional e uma mãe super protetora.
    Tb sou Pãe (de duas garotinhas) e me preocupo a beça com o futuro delas… mas o importante mesmo é estar ao lado… segurando as mãozinhas frágeis, como verdadeiros anjos que acredito que somos… o resto minha amiga… é resto. Sejamos felizes hoje…

    um beijo
    e Parabéns
    Jane – Campinas/SP

    • Carol Says:

      Jane,
      É uma honra receber a visita de uma fã assídua no Blog M. Obrigada por suas palavras. Elas me incentivaram e me motivaram ainda mais a continuar tocando o barco. Sei exatamente sobre a coragem e forças necessárias para ser Pãe e você, sem dúvidas, faz parte deste time especial de mulheres. Será sempre benvinda neste espaço.
      Grande beijo,

  3. andrea Says:

    q absurdo a informaçao q vc repassa sobre a postura do governo alfabetizar tao cedo.

    concordo com vc sobre cada criança é unica no seu desenvolvimento e adiantar esse processo é muito desastroso.

    renan teve um jardim da infancia ate 7 anos e foi muito ao teatro , cinema , escutou muita musica , dançou , viajou , brincou , andou de bicicleta , ouviu muita estoria…..

    quando leio o q escreve sempre tento fazer um paralelo sobre o q senti de verdade daquilo e minha postura.

    grata

  4. Maria Helena Says:

    Carol querida!Que bom retomar contato com vc e sentir essa ressonãncia sincrõnica de seu ponto de vista com o meu. Vc se posiciona como mãe, e eu como avó e profissional daáreapenso a mesma coisa. Com a ilusçao de que se está oferecendo omelhor para o futuro da criança, acaba-se “roubando-lhe” a infãncia que é tão preciosa para seu desenvolvimento humano sim, mas também neuropsicossocial.Um abraço biodanzante com afeto a vce ao David. Maria Helena

    • Carol Says:

      Maria Helena,
      Eu é que fico felicíssima de encontrá-la novamente! Pessoa de valor, emoção e conteúdo como você tem poucas no mundo. Orbigada por me mandar esse apoio. Você ficou marcada muito especialmente na minha história. Beijos amorosos para você e sua família.
      Carol.

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