Ruas de Campinas: campo minado

Olha, nada, mas nada mesmo, contra os animais de estimação, principalmente cães e gatos. Se as pessoas querem e os tratam como integrantes da família, com direito até a psicólogo, tudo bem, cada um com seus problemas… Eu sou do tempo em que cachorro ficava no quintal, dormia em jornal, comia os restos de comida humana e tomava banho de esguicho. Então, não compreendo a nova maneira como os animais de estimação ocupam espaços afetivos e de cuidados, mas também não recrimino e nem julgo. Acho que o assunto vale um estudo psicossocial.

Agora, cocô de cachorro na rua (porque de gato nunca topei com nenhum…) é o fim dos tempos!!! Andar nas ruas de Campinas olhando para frente é um perigo. O campo está todo minado. São raros os proprietário de animais que se responsabilizam e fazem a destinação adequada do cocô, que é o lixo.

Em uma rápida observação diária, constatei que os homens, que levam seus cãozinhos para passear, alguns com até 1,5 metro de altura, nem cogitam a possibilidade de catar a caca na rua. Eles passam como se fossem os donos da via e seus animais tivessem o direito natural de fazer cocô em qualquer lugar que lhe aprouver.

Os adolescentes também se negam a assumir sua parte, talvez por vergonha… “O que fulano vaio pensar se me vir catando cocô aqui na rua?”, talvez questionem. Meu bem, eu respondo: que você é um menino (a) muito bem educado, que respeita o limite do próximo (a) e está consciente de que faz a diferença no mundo. Convenci????

E não pensem que o problema é uma exclusividade do Terceiro Mundo apenas. As ruas francesas são um verdadeiro sanitário pet. Na Alemanha, o dono do cachorro tem que recolher o dejeto e jogar ou nos lixos apropriados ou levar pra casa, caso contrário, está sujeito a uma multa cabeluda. E lá, a lei é aplicada porque as pessoas vigiam umas às outras e reivindicam o direito de caminhar por uma rua limpa.

Um arquiteto alemão desenvolveu, em 2005, um novo tipo de cimento feito à base de cocô de cachorro. Segundo o site Ananova, Friedrich Lentze, 57 anos, registrou seu produto como um “material para construção sem cheiro” feito com as fezes recolhidas todos os dias das ruas de Berlim. “Pensaram que eu estava brincando no início, mas tem um sentido econômico. Se o material tem que ser coletado de qualquer jeito, por que não dar-lhe um destino útil?”, diz Lentze. “As cargas de cocô de cachorro que são recolhidas cada dia têm realmente propriedades fantásticas”. Ele argumentou que o estrume foi usado por séculos como material de construção e que pode ser combinado com outros materiais mais modernos.

Na cidade de Taichung, em Taiwan, um programa municipal promete acabar com a sujeira dos cachorros em calçadas e parques. Todo cidadão que recolher as fezes do seu e de outros donos de cães pode levá-las num saquinho, ou num sacão, até a prefeitura para receber uma grana em troca. Cada quilo de cocô vale US$ 3,00. Acho que aqui, nem pagando… O que dá certo aqui são as medidas punitivas, com a multa.

A cidade israelense de Petah Tikva usa análise de DNA de fezes de cães para punir os donos dos animais de estimação que não recolhem os dejetos. Isso mesmo que você leu: DNA. A partir das amostras recolhidas pelos donos e enviadas à prefeitura local, o município criou um banco de dados com o código genético de todos os bichos, para comparar com o resultado da análise das fezes encontradas nas ruas. Donos de cães também recolhem as fezes e as depositam em lixos especiais nas ruas. O material recolhido são analisados, e os donos recebem prêmios como cupons de desconto para comida para cachorro e brinquedos para os bichinhos de estimação.

Na Inglaterra, em fevereiro do ano passado, o governo queria proibir a presença de cachorros em alguns parques públicos por causa da sujeira produzida pelos animais. A defesa por diferentes pontos de vista foi tão enfática que o repórter Jon Henley, do The Guardian, apelidou o debate de “dog poo war”, ou seja, guerra do cocô de cachorro.

Conforme reportagem do jornal existem 7,3 milhões de cachorros na Inglaterra e eles produzem cerca de 1 tonelada de cocô por dia. Não é pouca coisa. Mas, mais fácil do que – talvez – proibir a presença de cães em locais público é simplesmente recolher a caca do bichinho.

Logo que começou o programa CQC (Custe o Que Custar), o jornalista Rafinha Bastos fez uma reportagem sobre o assunto no Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros. Ele observava os usuários com seus cachorros. Esperava o cão fazer o cocô na grama, onde muitos visitantes estavam sentados ou andando sobre ela, e depois que o dono ia embira com o animal, sem sequer olhar para trás, Rafinha ia com uma pazinha e recolhia o cocô, colocando-o em uma caixa de presente. Depois, corria atrás do dono “porquinho” e iniciava uma entrevista com ele. A pessoa, até então, sem perceber para onde estava rumando a conversa, se achava. Rafinha então, ao final, entregava o “presente” para o ser, que com surpresa, evidente, ficava com cara de não entendi, ao que ele emendava: “Estou lhe devolvendo o cocô do seu cachorro de presente. Você sabia que é proibido deixar as fezes do animal na rua?” E o entrevistado com aquela cara de tacho… Muitos saíram pela tangente e disseram que não sabiam. É demais né? Ser pego no flagra e alegar ignorância…

Em Nova York, no ano retrasado, uma mulher pediu US$ 100 à cidade de Norwalk (Connecticut, Estados Unidos) alegando que um passeio com sua família ao Aquário Marítimo foi arruinado por causa de cocô de cachorro na rua. Segundo Kelly DeBrocky, o fato de sua filha de um ano ter pisado no cocô estragou completamente o calçado, assim como aconteceu com todo o passeio. Ela pediu o reembolso de US$ 54 pelos gastos para substituir os sapatos da criança e os US$ 46 restantes pela despesa de estacionamento e ingresso para entrar no aquário.

Sinceramente, achei justíssimo. Não sei se ela conseguiu, mas se a moda pega…

Bom, se eu não parar, sou capaz de escrever um livro sobre o assunto… Então pessoal é isso: POR FAVOR, recolham o cocô de seus bichanos e não o deixe na rua!!!

Obs.: Um amigo meu, Rui, fez uma contribuição a esse texto: Olá minha linda e querida Carol, boa noite e feliz 2010. dorei este artigo de cocô nas calçadas. eja só a população de cães no mundo:

 1º. Estados Unidos: 61 milhões
2º. Brasil: 30 milhões
3º. China: 22 milhões (Bem, lá eles comem o cachorro!)
4º. Japão/Rússia: 9,6 milhões
5º. África do Sul: 9,1 milhões
6º. França: 8,1 milhões
7º. Itália: 7,6 milhões
8º. Polônia: 7,5 milhões
9º. Tailândia: 6,9 milhões
10º. Reino Unido: 6 milhões

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9 Respostas to “Ruas de Campinas: campo minado”

  1. marcelo Says:

    Querida Carol,

    Gostei muito do texto, que pode ser adaptado a várias situações da vida em sociedade, pois as pessoas não têm consiciência nem vontade de cuidar do próprio “cocô”, preferindo ignorá-lo, escondê-lo, ou, o que é pior, espalhá-lo por todo canto!

    bjs

    Marcelo

    • Carol Says:

      É Marcelão, você tem toda a razão. Se as pessoas não cuidam nem do cocô do cachorro, imagina se dão conta de limpar as suas próprias “merdas”…

  2. andrea Says:

    adorei seu comentario carol.

  3. Huguette Says:

    Vc já viu as ruas do Cambuí??? não dá pra andar sem desviar…

    • Carol Says:

      É amiga, as pessoas hoje não têm educação e nem respeito ao espaço público…Mas, tenho esperanças na pessoa humana e acredito que ela evoluirá…
      Beijos,

  4. Monsueto Araujo de Castro Says:

    Cachorrada e lixo em Mogi das Cruzes

    Gosto muito de animais, principalmente de cachorro. No bairro do Mogi Moderno – Mogi das Cruzes -, porém, a população canina está extrapolando, há muito tempo, os limites do aceitável. Há cachorro solto na rua fazendo as necessidades fisiológicas nas calçadas. Cachorro late durante o dia; e uiva, gane e late durante a noite. É um verdadeiro inferno; haja poluição sonora. Coitado de quem precisa estudar, descansar ou dormir em paz. Existe ainda a cachorrada faminta, que rasga sacolas e sacos de lixo, até mesmo aqueles que estão no alto, colocados em suportes. A sujeira espalha-se pelas ruas, pois o caminhão do lixo não tem horário definido para a coleta.

    Vou aproveitar para fazer dois pedidos ao Senhor Prefeito, o primeiro é para instituir campanha para castração dos cães, em postos ou clínicas veterinárias municipais e o segundo pedido é que seja estabelecido horário e cumprimento por parte da empresa responsável pela coleta do lixo doméstico na cidade, diminuindo, assim, o acesso dos cães ao lixo.

    Monsueto Araujo de Castro
    monsuetodecastro@uol.com.br
    Rua João de Miranda Melo, 544 – Mogi das Cruzes – SP – CEP 08717-420
    Tel (11)47962551

    • Carol Says:

      Monsueto,
      O pior é que não vejo perspectiva desse tipo de problema ser solucionado. També sofro muito com os latidos de cães e tenho criança pequena em casa. É um inferno… Enfim, o que fazer?
      Abraço,
      Carol.

  5. Silvana Schorr MV Says:

    Olá Carol.
    Compartilho com sua ideias. Também gosto muito de cachorros, embora acho que eles devem ser tratados como tal, até para a saúde deles mesmos (penso que eles perdem sua identidade, e isso não lhes faz bem), e também julgo desequilíbrio emocional tratá-los como se fossem crianças ou filhos. Até porque, quem tem filho não deixa o cocô de suas crianças nas vias públicas. Então, porque de cão pode? Bom, gostaria de lhe pedir o número da lei que estipula que quem deixa fezes de animal de estimação em via pública está sujeito a multa. Estamos com problemas sérios no Largo São Benedito em Campinas. Não apenas moradores do redor da praça, mas tbm pessoas que vem de carro pra passear com seu cachorro e deixar toda a sujeira por aqui. Daí vão embora como se nada tivesse acontecido. Egoísmo puro; é o famoso pensamento: “Deixo minha área limpa e os outros que se danem”. Por isso temos pensado em fazer um cartaz com o número da lei, para ver se inibe um pouco essa atitude aporcalhada.
    Grata,
    Silvana

    • Carol Says:

      Silvana,

      Agradeço o seu post, mas não sei se a Prefeitura de Campinas tem legislação sobre esse assunto. Cito no meu texto outros países e um episódio do CQC, mas desconheço número de lei aqui ou na Capital. Acho que é possível consultar pelo site da Câmara Municipal ou no site da própria Prefeitura.Boa sorte, Abraço, Carol.

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