A Roda da Fortuna

Uma das cartas mais intrigantes do baralho do tarô é a da Roda da Fortuna. Procuro, com muita humildade, reverenciar o poder daquela roda e seus aspectos positivos (o crescimento e o progresso) e negativos (a derrocada e a inversão).

A roda de madeira que gira, simboliza entre outras coisas o ciclo da vida em permanente movimento. Tudo o que está em cima desce e o que está embaixo, sobe. A sorte muda a cada volta e o processo, assim como o ciclo vida-morte-vida, é inevitável. Não podemos detê-lo e nem impedi-lo. Quando é nosso momento de descer, saibam todos, isso acontecerá mesmo sob nossos mais veementes protestos.

Para os que estão aqui para qualquer “viagem”, este processo cíclico não é novidade. O “viajante” já perdeu e já ganhou. Ele sabe de que forma esta experiência afeta o emocional. Sabe igualmente que é responsável pela sua própria realidade. Com o símbolo da Roda da Fortuna para lembrá-lo de que tudo muda, o “viajante” aprende que não deve ter expectativas em relação ao que virá, que deverá se manter emocionalmente desapegado, quer do êxito quer do fracasso, pois tudo é transitório.

Essa lição, do desapego, bate de frente com tudo o que prega a nossa cultura, na qual somos o que “temos” e não o que “somos”. É conflituoso viver em um mundo, no qual o potencial do ser humano e seu êxito é validado e reconhecido pela sua veloz ascensão financeira e, consequentemente, social, ao invés de seu crescimento e amadurecimento em busca da soberania, aqui na forma de fidelidade e lealdade ao si mesmo.

A carta do tarô é ilustrada com uma roda composta por três círculos girando à volta de um eixo comum, representando os estados da consciência humana. O círculo exterior simboliza o mundo material das nossas sensações, o número quatro, o ponto da nossa consciência concentrado no mundo material. Este círculo fala-nos da passagem do tempo, do passado, presente e futuro.

No círculo seguinte, o do meio, estão representados os pecados mortais e a consciência de que toda a ação tem uma conseqüência. É o círculo do céu e do inferno. Neste ponto é iniciada a compreensão do equilíbrio cósmico, do número seis, no qual os dois triângulos, pai e mãe universais, causa e efeito, força e forma, giram juntos em perfeito convívio.

O círculo mais perto do centro está dividido em oito raios, significando o rensacimento da personalidade, através da renovação do espírito. A imagem do Sol, criada pelos oito raios simboliza as maravilhas do mundo sensual assim como a Luz Eterna. Atingi-la significa aprender o desapego.

O centro da Roda simboliza a eternidade. Foi atingido o domínio do tempo e do destino. O centro é a união da consciência superior (luz) com o subconsciente (escuridão). É entendida a divina totalidade que envolve a compreensão das partes, todos os arquétipos do tarô.

O “viajante” entende que o percurso da vida é uma experiência de crescimento. Que todas os percalços, quer se mostrem positivos ou negativos, o enriquecem. Sabe que o grande desafio é buscar o equilíbrio, a mediação.

Nesta carta, o “viajante” observa o ciclo da vida em permanente mutação. O movimento é inevitável. Nada permanece, tudo muda, gira e se agita. Perante este fluxo e refluxo, resta ao “viajante” manter a serenidade, observando as tendências para que estas sejam seguidas e não haja excesso de sofrimento. Tudo tem um movimento próprio. Qualquer ação que é desencadeada segue o seu rumo inevitável e os resultados, conseqüências de uma intenção interior, terão que ser observados e vividos com sabedoria.

Tudo se manterá calmo se o fluxo for respeitado. Aceitação, não o fatalismo. Aceitar as conseqüências de um ato é ser consciente e observar o que fazer para que novas seqüências, mais positivas, sejam criadas.

A Roda da Fortuna ensina a manter o equilíbrio durante o fluxo e refluxo de tudo o que nasce e morre, cumprindo um ciclo de vida inerente à materialização. Isto significa ser feliz, independentemente do exterior. O homem maduro é a roda que gira em torno do seu próprio centro.

Tags:

4 Respostas to “A Roda da Fortuna”

  1. andrea Says:

    agradeço ao universo a oportunidade de ter uma amiga q escreve sobre qq coisa dificil e a transforma em algo tao gostoso , facil de se entender e sentir.

  2. Carol Says:

    Eu é que agradeço por ter uma amiga tão querida, que me prestigia tanto e me incentiva acontinuar escrevendo. Obrigada Andrea.
    Carol.

  3. Vanessa Says:

    Eu já escutei, li, vi várias formas de entender a vida, mas devo dizer que seu texto deixou bem claro para mim o que é essencial, básico para tanto. Não conheço nada sobre a Roda da Fortuna, mas não acredito que haja definição melhor. Muitos estudam o significado de tudo, e com seu texto essa procura parece ser simples. Desculpe se estou exaltando-o tanto, mas é como me sinto com relação a seu texto.

    • Carol Says:

      Poxa, Vanessa, eu somente posso ficar feliz com o seu comentário sobre o meu texto. Se eu, de qualquer maneira, pude te ajudar a entender alguma coisa, ou a fiz refletir sobre algo, é um privilégio. Todos estamos aqui para fazer a diferença uns para os outros com nossas experiências e reflexões. Obrigada por fazer isso valer a pena. Abraço, Carol.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: