Como será o amanhã?

“O que você acha que vai acontecer agora? Será que a situação econômica do País fica pior? E o Lula, não vai fazer nada? E esse desemprego?”. Essas são algumas das perguntas que mais tenho ouvido nos últimos tempos. Parece um círculo vicioso. De tempos em tempos o Brasil se vê em situação econômica difícil (como se em algum tempo tivéssemos vivido algo diferente…) e à espera de uma profecia otimista, todos se voltam aos analistas e ‘entendidos’ na área, na tentativa de conseguir uma brecha para respirar em meio a uma paisagem aterradora e sem perspectiva de melhora.

Como conseguir prever qualquer passo na economia de um país como o Brasil? Com fortes traços novelescos e muito semelhante à república das bananas imaginada pelo autor Carlos Lombardi, na novela Kubanacan, ou ainda, ao reino de Avilan, da telenovela Que Rei Sou Eu?, escrita por Cassiano Gabus Mendes, o País plagia Almodóvar e vive seu próprio épico: Brasileiros à Beira de Um Ataque de Nervos.

Não que a crise mundial (alguns insistem em dizer que não sentimos ainda os impactos dela, só pró-forma) ou a forte redução de atividade industrial e comercial, além do dragão da inflação, sejam novidades para nós brasileiros, mas o que realmente surpreende e incomoda é perceber a manutenção de uma expectativa ‘ingênua’, mas

Em pleno ano de 2009, a novela O Salvador da Pátria ainda não terminou em nosso país, pelo contrário, promete ainda longos e dramáticos capítulos. Para quem não se lembra do enredo, o protagonista é Sassá Mutema, bóia-fria e analfabeto que é alçado à posição de político poderoso, mas ainda um joguete usado ao sabor das conveniências, vivendo o conflito com a nova vida, sem falar em seu amor (impossível) pela idealista professora Clotilde.

Assim como nas novelas, a busca pelo “culpado” pela crise, assim como pelo ‘herói’ que nos tirará dela continuam a imperar no inconsciente coletivo da nossa terra tupiniquim. Aguardamos ansiosos por “Aquele” que terá todas as respostas e as soluções para nossos problemas mais básicos. Foi em um contexto também de crise, em 2002, que Lula foi, depois de muita insistência, finalmente eleito pelo desejo, sonho e fé de milhares de cidadãos e ocupa até hoje, em um segundo mandato, o mais ilustre cargo, o de presidente.

Quem o viu, carregado pelos braços do povo como um símbolo da ‘esperança que venceu o medo’, assiste agora também a sua descida ao inferno. E olhe que há tempos ele vem sentindo um forte calor e um cheiro insistente de enxofre.

O pai da psicanálise, Freud, explica. Da mesma forma como se desenvolve uma relação de paixão entre um homem e uma mulher, carregada de projeções e idealizações, o eleitorado brasileiro também se ‘apaixona’ por seus candidatos a salvadores. Mas tal qual uma autêntica relação, existe o momento em que caem as fantasias e a realidade cheia de defeitos e falhas é iminente e nos obriga a descer do Olimpo.

Pobres mortais, que agora se vêm frente a frente com a decepcionante e frustrante realidade… Nesse momento, o herói se torna o inimigo e a saída, para a maioria, é condená-lo ao fosso das críticas e buscar um novo Salvador. Diante de tantas reclamações e críticas me pergunto:

Quando será que o brasileiro vai crescer e assumir sua parte no bolo da responsabilidade pela situação que vivemos? Quem, em sã consciência, sonhou que esse ano seria tão melhor do que o ano passado, ou o anterior? Baseado em quais indícios apostou em uma retomada rápida do crescimento? Diz o ditado que em guerra avisada, morre quem quer. Talvez esse seja o nosso caso.

Não estou aqui para defender qualquer governo que seja. A idéia é alertar para que possamos assumir e responder pela forma como agimos ou deixamos de fazê-lo e assim resgatar o poder de transformar a nossa realidade. É hora de esquecer o romantismo dos heróis das novelas e deixar de jogar a sujeira para debaixo do tapete. Precisamos mergulhar de cabeça e nos questionar sobre o quê podemos fazer para mudar e buscar este “Salvador” dentro de cada um de nós. Não é em frente à televisão, sentados, disparando críticas e nos lamentando da situação que iremos trazer uma perspectiva otimista para nossas vidas.

Aí, então o leitor se perguntará: “E o que você sugere espertinha?”. Fazer o quê? Não sei. Não tenho respostas fáceis e nem receitas, mas acredito na criatividade como saída, principalmente quando ela nasce do caos. Invente, tente, faça um dia, um mês, um ano diferente, já pregou a Globo em uma campanha de fim de ano!

 O modelo social paternalista e patriarcal está fadado ao fracasso. À propósito de toda essa situação, me lembrei de uma experiência que é relatada em cursos de treinamento: se esquentarmos gradativamente a água em que esteja submerso um sapo, ele morrerá fervido mas não pulará fora da panela nem mesmo para salvar a própria pele. Qualquer semelhança com a realidade econômica brasileira é mera coincidência…

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3 Respostas to “Como será o amanhã?”

  1. Bocatto Says:

    Essa do sapo é nossa pura verdade; morremos a muito tempo pelas altas temperaturas políticas, que insiste em manter o modelo da opacidade lusitana, mesmo depois de Séculos de Independência. Alías, qual independência?

  2. andrea Says:

    eu so verei o filme do lula se ele morrer no final.

    a cada eleiçao nao temos opçao de um bom candidato. sempre as mesmas caras com o mesmo discurso. dai eu mando e-mail para os deputados e senadores expondo meu ponto de vista e pedindo uma açao. estou bloqueada em varios. ninguem responde.

    sei q a midia é manipulada.

    acredito q apesar da minha ignorancia em muitos assuntos eu sei bem qual o tamanho da minha parte .

    • Carol Says:

      Andrea,
      Se você sabe qual a sua parte e busca fazer qualquer coisa para ajudar a termos um mundo melhor fico feliz por você. Não se preocupe se ninguém responde. Você está salvando uma estrela do mar, mesmo que milhares delas morram todos os dias. Apenas podemos fazer o que nos cabe.
      Beijos,
      Carol.

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