Ando feliz comigo mesma…

 

Ando muito feliz comigo mesma… Fazendo um rápido balanço destes um ano e cinco meses (período de convívio com Davi e da minha iniciação no mundo materno), indiscutivelmente sou uma pessoa muito melhor. Me livrei de alguns pesos e me tornei mais leve, mais fluída.

Jaz dentro de mim hoje uma paz muito grande e a certeza de que as coisas não são perfeitas, mas são exatamente da forma como deveriam ser.

Não sei bem explicar. Parece que algum “dragão”, que antes estava faminto e gritava constantemente, me ordenando que “tinha que…”, aquietou-se. Agora, convivo amigavelmente com uma lagartixa.

Um jornalista amigo meu aqui do jornal, o Paulo Martinelli, se arriscou em um palpite e me disse que achava que um “buraco na minha alma” havia sido preenchido com a chegada do meu filho. Pode ser…

A realidade é que as mudanças que se fizeram necessárias para a minha transição de mulher solteira e sozinha, que tinha olhos apenas, ou melhor, principalmente em nome do bem-estar próprio, para uma mãe solteira moderna, que trabalha e precisa de muita ajuda para cuidar da grande paixão da sua vida, foram cruciais e me libertaram de alguns grilhões desta sociedade contemporânea.

O primeiro e mais evidente foi o consumismo inconsequente. O mesmo salário de dois anos atrás, que já não dava para todas as minhas despesas mensais, teria que ser suficiente para acolher mais dois seres no meu dia a dia: meu filho e a babá.

Imagine a “ginástica” matemática de readequação do valor para acomodar todas as novas despesas (fraldas, leite, papinhas, roupas, produtos de higiene, vacinas, além de um salário, com carteira assinada, alimentação, escolinha infantil, entre tantos outros itens…). Na boa, coisa de filme.

No início, eu, acostumada àquela vidinha regradinha, com contas pagas na data do vencimento sempre, e tudo devidamente planejado, quase pirei.

Puxei o freio de mão total para o consumo: nada de sapatos, nada de roupas, nada de presentes, nada de supérfluos na alimentação, nenhum restaurante, nenhum programa pago, nenhuma viagem, sem cinema, sem dvd, sem cabeleireiro, sem manicure, sem depilação, sem tv à cabo, sem telefone fixo, ou seja, apenas o básico do básico.

Os meses foram passando e as coisas evoluíram, mas não voltei a consumir como antes. E acredite, não sofro nadinha com isso, pelo contrário. Hoje em dia avalio que não dou conta de usar nem o que tenho disponível, o que dirá sair comprando mais coisas. Me pergunto com muito mais frequência: “Será mesmo que preciso disso?”. A resposta geralmente é não. Então, não compro e me sinto superbem. Isso me deixa feliz comigo mesma… Aprendi a usar mais a criatividade na hora de me vestir, por exemplo, e inovar o conhecido, reinventando o meu olhar.

Aprendi a dar presentes mais simples, como um cartão, uma plavra ou um gesto, sem culpa.

Aprendi a me sentir bonita e confiante apesar das unhas curtas e sem esmalte, apesar do cabelo sem corte ou escova, e muitas vezes com os fios brancos à mostra, apesar do meu peso, apesar da minha flacidez, apesar das minhas rugas, apesar do meu envelhecimento. Estes também são os outros grilhão que deixei para trás: a ditadura estética e o desejo de eternizar a juventude.

Aprendi a viver uma vida mais simples e mais intensa, resgatando o prazer do mundo infantil junto com o meu filho nas festinhas de aniversário, nos passeios nos parques públicos, nas peças de teatro, cantando as antigas cantigas de roda, dançando e nas atividades lúdicas, como desenhar e pintar, fazer bolinhas de sabão, ou modelar massinha.

Alguém pode lembrar que talvez tudo isso seja apenas uma fase, típica de quem tem filho pequeno. Pode ser, pode não ser… O fato é que eu ando tão feliz comigo mesma… Como já cantava Simone:

“Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar”

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2 Respostas to “Ando feliz comigo mesma…”

  1. andrea Says:

    eu nunca fui consumista . sempre comprei so aquilo q realmente era necessario .

    com o tempo aprendi a gostar de restaurantes , cinemas , roupas , cremes , sapatos , casa nova , carro melhor, viagens gostosas , tetatros , livros , cursos ……

    hj tenho picos de desejos , mas na media acho q sou tranquila.

    a vida é uma roda gigante : um dia em cima no outro embaixo.

    tem acontecido algo mágico , tenho pensando muito em mim na epoca do renan bebe. tenho me revisto nos pensamentos , posturas , atitudes , emoçoes , sentimentos , sonhos …..
    tenho lembrado de tanta coisa do renan , olhos , falas , choros , abraços , beijos , perguntas , brincadeiras , passeios….
    isso tudo é muito mágico!

  2. Carol Says:

    Que coisa mais linda, Andrea… Eu tento, o tempo todo, guardar o máximo possível no que vejo, escuto, sinto e vivo com Davi…

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