Missão (im)possível

 

 

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Para os milhares de jovens recém-formados o horizonte que desponta no mercado de trabalho é absolutamente aterrador. A começar pelas exigências que não podem ser cumpridas e que mesmo que se pudesse não seriam garantias para um lugar ao sol. Como é possível ter uma formação universitária, mais uma pós-graduação, mais um doutorado ou mestrado, mais um MBA, mais o inglês fluente e ainda por cima experiência na área?

Como é possível contar com uma liderança inata, saber trabalhar em equipe, contar com uma rede de relacionamentos, ter alto nível de criatividade, saber se vestir adequadamente, ter ‘inteligência emocional’, ser assertivo, ter confiança e acreditar que tudo vai dar certo?

Quanto mais ouço os analistas e especialistas, mais fico desesperada e cansada com tanto idealismo e tantas exigências. E pensar que na minha época, quem tinha um ‘inglesinho’ já era considerado um ‘bambambã’. Imagine um que tinha pós-graduação?

Outros tempos, é bem verdade, mas é desanimador ver que questões maiores como a globalização do mercado e a própria evolução do que ainda chamamos de trabalho formal, foram reduzidas a exigências inalcançáveis.

Quando saímos da faculdade, universidade, já nos defrontamos com uma missão (im) possível: provar para nós mesmos, para nossa família e para os amigos, que os últimos quatro anos de investimento e batalha não foram em vão. Que realmente escolhemos uma profissão para a qual estamos aptos e temos talento. Lembro-me como se fosse hoje, os meus três dias de testes na redação do Correio Popular, quando ainda estava instalado na Avenida Norte-Sul, assim que saí da faculdade.

A ansiedade era tamanha e a cobrança de ter que conseguir a vaga tão grande que fiquei os três dias sem conseguir comer coisa alguma, fora a insônia. No fim do processo, outro repórter ficou com a vaga para o Caderno de Esportes e para a minha sorte, fui chamada seis meses depois para entrar como repórter para um novo produto do jornal, um caderno regional, chamado Metropolitano.

De lá para cá, com uma porcentagem maior de ‘suor’ do que de real talento, consegui aos poucos consolidar a minha carreira, mas, acredite, vi muitos colegas de faculdade sequer tentarem por medo de se defrontarem com alguma incompetência ou inaptidão para a profissão .

Fico imaginando o que seria pior: se colocar à prova e tentar um lugar ao sol e descobrir que não era nada disso, ou sequer tentar e passar uma vida imaginando como seria se tivesse tido coragem de ir ver.

Não sei… Tudo o que sei é que ainda me emociono quando vejo os rostos dos jovens nas salas das universidade. Tanta expectativa, tantos sonhos, tanto idealismo… mas ao mesmo tempo, tanto medo, tanta cobrança, tanta ansiedade…E eles ficam ali, só esperando que alguém lhes dê uma dica de como entrar neste mercado que mais parece um muro de Berlim. Onde cada espaço é milimetricamente disputado a tapas.

Missão (im) possível? Talvez. Seja como for, é preciso reunir energia, esperança e fé para encarar a difícil realidade do mercado de trabalho brasileiro e mundial. Se tivesse que dar um conselho para quem quer começar, diria apenas para agir de acordo com o que a ‘barriga pensar’. É isso mesmo que você leu. É exatamente na barriga que sentimos as sensações mais próximas do nosso EU genuíno e portanto, nunca erramos quando elas nos diz o que fazer. De resto, muito bom humor, jogo de cintura e a fluidez das águas, pois não importa a condição geológica e geográfica do leito do rio, que a água passa, ah, eu garanto que passa.

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Uma resposta to “Missão (im)possível”

  1. andrea Says:

    verdade!

    Como o mundo racional é burro. Como exigir tanto de um ser q ainda nao tem 25 anos? Quando e como ele fez tudo? no jardim da infancia ? nas ferias escolares? e quando ele teve tempo de viver a vida ?

    bj

    ps.nao consigo te ver em aperto em nenhuma situaçao

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