Alimentação: o sabor da vida

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Há algum tempo que sinto um grande desejo de abordar um tema corriqueiro do nosso dia a dia, mas que tem importância fundamental na forma como encaramos e levamos a nossa vida: a alimentação. Em tempos de bulimia, anorexia, obesidade, desnutrição, excesso de comida enlatada, ditadura estética, fast food, junk food, o assunto merece muito mais do que uma simples reflexão. É um tema de uma profundidade que assusta quando nos dispomos a olhá-lo com mais intimidade e avaliar as implicações de comer, este ato instintivo, do qual depende a nossa sobrevivência.

Nos primórdios, comer e “caçar” o que comer absorviam 100% do tempo de vida dos neantherdals.

Hoje, felizmente (será mesmo?) não precisamos mais gastar tantas horas em busca de recursos. A oferta é farta em quantidade. Já em qualidade…, discutível.

Mas, quero ir mais fundo. Agora que sou mãe, percebo com muito mais atenção a importância da alimentação na vida de um ser humano. Me preocupo em refletir, diariamente, de que maneira estou apresentando o mundo (alimento) ao meu filho. Me preocupo em imprimir afeto e disciplina na preparação de suas refeições, para que ele sinta e entenda que muitas vezes meu amor será oferecido na forma de regras, de normas, de limites, muitas vezes como um “não”. Me preocupo em introduzir cada novo alimento de maneira criativa e divertida, para que ele também, diante da vida, não tenha medo de experimentar “sabores” diferentes, não tenha medo de arriscar e ser ousado. Que ele entenda que não é preciso ser de uma “tribo” para se frequentar o diferente. Que ele pode “saborear”, com tolerância, o que há de melhor de uma comunidade, experiência, o que quer que seja, sem deixar de agir segundo sua essência, e sair “enriquecido”, “nutrido” de coisas e sensações novas, que irão se somar aos seus “estoques” ao longo do tempo.

Me preocupo em dosar com equilíbrio o quê oferecer a ele, uma vez que não posso criá-lo como se não vivesse nessa sociedade “maluca”, consumista, que gosta de comer “bobagens”, que ama o que é descartável e “envenenado”. Uma sociedade cujo único objetivo é manter o nível de prazer ao máximo, em tempo integral, a qualquer custo. É nesse mundo que meu filho vive e viverá. De pessoas que tomam coca-cola ao invés de água. Descarregam ansiedades e estresse no momento em que se alimentam. Comem em pé, em cima de computadores, andando na rua, em frente à televisão. Não mastigam, engolem. Não digerem, tudo sai depois aos pedaços, por inteiro. Pessoas que sofrem ora com o intestino preso, porque precisam “segurar tudo” na vida, ora de intestino solto, quando o corpo se rebela e “solta” tudo o que está aprisionado na Sombra.

Ao mesmo tempo, quero que ele descubra e perceba o encantamento do simples e básico, do que é saboroso, nutridor e repositor de energia (a fruta no pé, as verduras, a comida caseira). O prazer e amor que estão implícitos na preparação de uma refeição. Na comunhão e paz ao compartilhar o alimento.

A questão é: quais as definições de “doente” e de “saudável” nesse mundo caótico?

Peço diariamente ao meu inconsciente, a Deus, ao universo, que me dêem capacidade e oportunidade de entendimento para inserir conceitos e instrumentos que permitam ao me filho fazer escolhas. Escolha conscientes. Escolhas que vão mudar ao longo da sua vida, que vão passar por fases, e vão amadurecer.

Apenas para ilustrar a importância do tema, me lembro que durante um certo período da minha vida de criança (entre sete e nove anos), parei de comer o que a minha mãe preparava para nós (eu e outros cinco irmãos). Quando sentia o cheiro da refeição ficava de estômago embrulhado e o tubo digestivo ficava retraído, dificultando que as garfadas descessem. Minha mãe não sabia o porquê, e eu, muito menos.

Anos depois, fazendo análise junguiana no consultório, pude perceber que, na verdade, não recusava exatamente a comida que ela preparava, e sim o que ela simbolizava: um feminino “fraco” (isso na minha visão de menina), dependente e extremamente passivo. Simplesmente não conseguia “engolir” o que vivia dentro do núcleo familiar: a típica relação de disputa de poder entre o pai vilão e castrador e a mãe vitimizada.

Bom, de verdade, tenho muitas outros pensamentos sobre esse assunto para compartilhar. Por ora, fico por aqui e voltarei a ele numa próxima oportunidade.

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Uma resposta to “Alimentação: o sabor da vida”

  1. andrea Says:

    grata por cada vez tirar o veu dos meus olhos

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