A égide da imagem perfeita

realbeleza2

A cada dia que passa fico mais assustada com a chamada “ditadura da beleza”. A maneira pela qual as pessoas, principalmente as mulheres, estão perdendo o pé da realidade é assustadora, apavorante mesmo. Cirurgias plásticas viraram produto de consumo, e pasmem, podem ser divididas em até 36 prestações !!!!

O retalhamento e costura do corpo são vistos com muita naturalidade e banalização.

Conheço casos absurdos, como o da minha irmã, que sofre de anemia profunda há mais de dois anos, precisa retirar o útero (ela teve cinco gestações…) e, apesar do risco de uma trombose, preferiu se arriscar na colocação de uma prótese mamária neste segundo semestre a resolver o problema se saúde, que é bem mais urgente. Conclusão: está toda inchada e o médico indicou a retirada do útero com urgência. Ah! Mas os peitos, os peitos estão “perfeitos”…. E, lá se vão as férias de janeiro… Nesse período, ela terá que ficar em recuperação, após a cirugia de saúde necessária. Mas, não se preocupem, os seios estão maravilhosos!

Você já parou para, realmente, ter conciência de que cada olho é diferente de outro, nos mínimos detalhes, formas e cores, assim como cada cabelo tem uma consistência e um formato próprios e únicos? Fomos agraciados com um mundo da mais maravilhosa, complexa e brilhante DIVERSIDADE. Tudo é único. Só tem aquele, entre bilhões e bilhões de pessoas, por todas as eras. Podem existir parecidos mas jamais idênticos.

É fundamental que façamos uma reflexão profunda sobre os conceitos de beleza e de estética individuais. Isso mesmo, de cada um. Existem os que gostam do amarelo, outros do azul e assim por diante. E é porque a sociedade de consumo tenta nos empurrar goela abaixo o estereótipo da perfeição – a tal Gisele Bündchen da vida-, que apenas 2% das mulheres do mundo se descrevem como “belas”.

Uma pesquisa, realizada pela empresa StrategyOne, nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Holanda, Brasil, Argentina e Japão, mostra resultados no mínimo assustadores. No Brasil, só 6% da ala feminina se define como “bela”. Ao todo, foram entrevistadas 3,2 mil mulheres, com idade entre 18 e 64 anos. A conclusão é que a autoestima está totalmente massacrada sob a égide da imagem perfeita da top model.

A questão aqui é ampliar a visão do mundo, saindo de um padrão sufocante e descobrir um novo patamar, uma nova forma de olhar, mais saudável e democrático. A beleza é a diversidade. É o diferente. É o único. É o genuíno. É o natural. É preciso acolher e reconhecer o que nos diferencia com respeito e tolerância.

Aliás, essa deveria ser a palavra do ano, do século, do milênio: TOLERÂNCIA.

Para quem acredita, como eu, que é possível ser bela e ver a beleza em qualquer circunstância e lugar, diga NÃO às exigências inatingíveis de uma sociedade individualista , consumista e cruel.

 

Tags: , , ,

2 Respostas to “A égide da imagem perfeita”

  1. andrea Says:

    concordo com vc.
    mande essa materia para os editoriais das grandes revistas e jornias.

  2. Carol Says:

    Andrea,
    Vou alçar você a minha colaboradora de blog número 1.
    Beijos,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: