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Viver a vida: superação diária

17/03/2010

Eu confesso: não tenho televisão por assinatura. Assim e por isso, vivo às turras com a programação da chamada Tv aberta. É um verdadeiro espetáculo do (des)conhecimento. Porém, como sou uma comunicadora, me serve bem para avaliar e analisar esse mercado e os rumos que escolhe para atender (?) o telespectador.

Mesmo no lixo há preciosidades. Uma delas ocorre sempre após a última parte do capítulo da retumbante novela das 20h, que começa às 20h45, Viver a Vida. Talvez seja hoje uma das coisas mais importantes pra mim quando chego em casa. Depois de ver como está Davi no berço, saber do seu dia na escolinha pela sua agenda escolar e por meu pijaminha, faço questão de acompanhar, todos os dias, os depoimentos de pessoas “nada comuns” no final dos capítulos. Invariavelmente choro. São verdadeiros alertas sobre a vida, o amor, e a superação.

Que gente é aquela? Que força é essa que brota das situações mais desoladoras e desesperadoras que se possa imaginar? De uma dor que não se pode calcular ou quantificar? Até onde um ser humano pode ir?
Um pai que é atropelado com seu bebê nos braços, acorda não só com sequelas graves como e fica sabendo da morte do filho. Uma mulher com paralisia infantil, que resolve desafiar todas as convenções e preconceitos, casa, se torna mãe e vive uma vida absolutamente “normal” e feliz.

Um viciado em drogas, que no auge da destruição, condenado e detido em um presídio, se regenera depois que a mãe, recém-operada, vai fazer uma visita a ele e arrebenta os 129 pontos da cirurgia quando se abaixa para revista policial. Ele, chorando, conta que ver a mãe sangrando, saindo de ambulância do presídio foi o start de consciência que lhe faltava e por essa prova de amor materno, saiu do buraco.

Jovens saudáveis e atléticos que se envolveram em acidentes de trânsito e se viram paraplégicos e tetraplégicos. Obrigados a esquecer uma vida e reiniciar outra, praticamente do zero.
Mulheres que sonharam uma vida ter filhos e se deparam com a missão de vivenciar a maternidade especial, por terem filhos especiais.

Chega a me doer o peito quando me lembro das casos. São muitos. Todos estão na íntegra no You Tube. Qualquer coisa do nosso dia a dia fica pequena frente a tanta coragem, perseverança e força.
Para completar, recentemente vi o documentário “Herbet de Perto”, sobre a vida de Hebert Vianna, vocalista do Paralamas do Sucesso. Disse sobre a sua vida e não sobre a sua carreira.

O filme é belíssimo e de uma profundidade e sensibilidade possíveis apenas àqueles que andaram de mão dadas com Hades pelos corredores sombrios da alma.

Duas mensagens ficam claras para ele e para quem assiste ao documentário. A primeira: somos construídos e levamos apenas o amor que vivemos com as pessoas, sejam elas amigos, companheiros (as), parentes, desconhecidos, conhecidos, animais, crianças, plantas, universo…

A segunda: não importa o que a vida fez com a gente, o que importa é o que fazemos com aquilo que a vida fez com a gente.
Um dos momentos mais tocantes do documentário é quando Hebert, após o acidente, paraplégico, sentado em uma cadeira, assiste ao Hebert de 20 e poucos anos, no auge do sucesso do Paralamas, em uma entrevista, dizendo que se tudo desse errado e ele tivesse que ir para outro país, começar tudo de novo, o faria. Que tinha certeza que conseguiria conquistar tudo outra vez.

O Hebert de hoje se surpreende com a fala e comenta em voz baixa e emocionada: “Nossa, ele não o que diz…”.
Eu já achei o contrário, parece até que ele sabia que sua vida daria uma volta de 180 graus.

Outra situação que fica clara, embora não seja detalhada, é a maneira definitiva da atuação do amor na recuperação de uma pessoa. A paciência, a generosidade, a flexibilidade são algumas das qualidade testadas em tempo integral em uma quadro de tragédia como foi o dele.

O enfoque dado ao seu relacionamento com a inglesa Lucy Needham, com quem teve três filhos, Luca, Hope e Phoebe, é poético e mostra um amor ainda vívido e incondicional.

Esse compartilhar me faz sentir como se estivesse em uma grande roda de artesãos, na qual cada um contribui com um retalho absolutamente único e rico. Todos criamos a vida.


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